20 set 2013

Porque muitos não querem mães informadas?

Post por Isabela Kanupp às 12:57 em Feminismo, Maternidade

 

Conhecimento é uma arma. Quando temos conhecimento, o medo some, a gente se arrisca com mais certeza, é muito mais difícil alguém nos enganar.
Sempre digo aqui, quando estamos grávidas temos praticamente 9 meses para nos preparar para a chegada dessa criança e isso vai muito mais além do que montar enxoval, mas sim se informar, se empoderar, para ninguém te enganar, ninguém usar dos seus medos e fragilidades para se aproveitar. Mulheres informadas e empoderadas fazem escolhas conscientes.

Quando você cria e educa uma criança você está fazendo isso para ela ser um bom adulto, educado, com valores, caráter. Afinal, essa pessoa será um adulto que irá conviver com outros adultos, tomará decisões e consequentemente você quer criar alguém consciente.
Sim, a educação do seu filho diz respeito a mim sim! Diz respeito a uma sociedade na qual todos nós vivemos, diz respeito porque minha filha também conviverá na mesma sociedade que ele, que outros adultos. Então importa. Temos de pensar no coletivo, porque nossas atitudes tem consequências e por vezes não somente para nós.

Uma mulher informada e empoderada é capaz de quebrar muitos paradigmas. É capaz de conseguir o seu parto respeitoso e humano. É capaz de fugir de uma cesárea sem necessidade, mas que o Dr. usa do seu medo, da sua inexperiência, para se aproveitar, aproveitar da sua falta de informação de qualidade. Uma mulher informada amamenta sem medo do peito cair, sem medo dos olhares tortos e comentários desnecessários que virão – porque sempre tem – e saberá que 98% do que falam, contrariam os estudos sérios, e você é informada e não cairá nessa. Mulher informada é mulher segura!

Mas, onde conseguir informação?
Primeiramente você precisa se conhecer, conhecer suas limitações físicas e emocionais. Todos nós temos uma história, principalmente nós mulheres crescemos ouvindo que a fulana teve um parto normal e morreu, vemos nas novelas mulheres tendo parto normal e sofrendo, já estamos nessa cultura do parto hospitalar sem dor mãezinha! Somos desde bem novas criadas para acreditar que somos incapazes: incapaz de amamentar – “toma a mamadeira!” -, incapaz de parir – “cesárea é avanço da medicina!” -, incapaz de decidir – “eu sei o que é melhor pra você!” -, mas você não é incapaz! São poucos os casos realmente em que não se pode amamentar, em que não se pode ter um parto normal.
Precisa aprender a questionar. A ter o senso crítico. Ler algo e questionar, perguntar, ler outras opiniões sobre o mesmo tema, ler mais e mais e mais.

Existem grupos, grupos de apoio a amamentação, grupos para quem quer um parto digno e respeitoso, grupos para alimentação saudável, grupos para criação com apego. Grupos feito por mães, que se uniram para trocar figurinha e experiências.

mães informadas
Tem a Revista Vínculo, uma revista sobre o vínculo materno, que trata de temas mais humanos, sem interferência de publicidade e patrocínios.
E tem os blog maternos que além das coisinhas básicas sobre desfralde, dia a dia, etc, você consegue encontrar em um e outros informação de qualidade a respeito de parto, amamentação, feminismo, humanização, criação com apego.

Agora eu te pergunto: Porque as grandes revistas de pater-maternidade, não tem conteúdo informativo de qualidade?
Porque, como disse uma leitora que comentou em um dos textos passados, para falar de fórmula é parcial a opinião sem mostrar dados dos malefícios e para falar de amamentação prolongada eles colocam um especialista falando os “contras” ? Porque na hora de falar de amamentação, existe a imparcialidade?

A impressão que fica é que eles não querem que você se informe! Porque mulher informada questiona, mulher informada não engole essa de “culpa não!”, mulher informada sabe que pode e deve escolher e que só é escolha se for consciente, porque mulher informada sabe que não é porque tem um “especialista” antes do DR., que significa algo relevante.
Porque mulher informada não se baseia em matérias dessas revistas para se informar, para acrescentar.
Mães informadas questionam o que leem, critica o que leem.

A grande mídia jamais irá realmente informar suas mães leitoras. E nós, blogueiras maternas, militantes, ativistas, muitas vezes ficamos batendo na mesma tecla: ah, mas a mulher tem de se informar! Claro que tem, e eu sempre vou dizer isso, mas temos de oferecer essa informação de qualidade também! Não podemos – somente – culpar a mulher que não se informou, sendo que não oferecemos real informação também, sendo que a informação fica restrita a um grupo x de pessoas que já está envolvida com o parto humanizado, com a amamentação prolongada, com o feminismo.

“Ah, mas ela da fórmula porque não se informou direito”. Concordo. Então, que tal a gente começar a escrever mais e mais sobre o tema? Que tal divulgarmos sempre o link do blog amigo que fala sobre um tema interessante?
Vamos agregar!

 

mães informadas

 

Quando foi lançado O livro da Maternagem – Dra Relva, a própria autora me enviou a primeira edição – com uma carta, enorme <3 – achei demais pelo gesto e pelo livro que é sensacional. Quando lançou a segunda edição, ela me enviou também. E eu fiquei com duas edições do mesmo livro em casa.
Pensei em sortear um aqui, seria muito válido, o livro é ótimo, sei que muita gente queria. Mas não fiz o sorteio e preferi presentear uma pessoa, uma educadora infantil, que lida com muitas crianças diariamente e sei que faz uma diferença danada na vida dessas crianças. Além de educadora ela é mãe. E achei válido doar esse livro.
O que quero dizer é que: informação tem de ser compartilhada!

Doe livros que você acha que todos deveriam ler, compartilhe textos bacanas que você acha que merecem ser lidos, envie sim links para aquela sua amiga grávida, informação é isso. Não adianta eu escrever um texto aqui, se ele não for lido, se não acrescentar nada a ninguém, se não agregar.

Então, se informem! E passe a informação adiante!

É a mesma coisa quando eu falo: não adianta ficar falando de parto humanizado no meio humanizado, falar de amamentação pra mãe que já tem informação – de qualidade – e já amamenta. Agora, vai lá para a moça que mora na comunidade carente falar “ah, mas você tem de se informar”. É muito fácil falar que todos tem acesso a informação quando nós, temos computador em casa, Smartphone  e é só digitar no google.
Temos de levar a informação para quem não tem. Acredite, em postos de saúde tem pessoas que não sabem o que é um parto humanizado! Como você quer que essa mulher se empodere, como você quer se essa mulher questione o Dr., como você quer que essa mulher não caia em uma cesárea desnecessária, se ela não tem informação?

Não estou dizendo que a culpa é dessa mulher. A culpa é nossa como sociedade. Não adianta só cobrar uma mudança de postura de médicos – o que dificilmente irá acontecer – temos de fazer a nossa parte também.
Entender que a informação não pode ficar restrita ao nosso campo e círculo de amigos, porque quando quem não consegue ter informação começar a entender essas questões básicas, ai sim estaremos mudando alguma coisa.

 ( Não estou tirando a culpa dos governantes, dos médicos, etc. Apenas que temos de ver que podemos fazer mais. ) 

 

 

 

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6 comentários para "Porque muitos não querem mães informadas?" | Adicione o seu »

  1. Juliana
    set 20, 2013 @ 15:38 {Responder}

    Mais uma vez, eu tiro o meu chapéu pra vc!!! ou melhor, para um texto seu. Sabe Isabela, quando eu engravidei em fevereiro desse ano, a primeira coisa que eu pensei foi: “ai meu deus, o parto”. como trabalho num hospital para servidores públicos e já sabia do tal parto humanizado (praticado aqui com algumas intervençõezinhas, nem tão humanizado assim) sabia que aqui seria parto normal mesmo…fiquei até arrependida de não ter um outro convênio (particular) para garantir a minha “segurança” na cesárea…mas ainda bem que sou muito curiosa e, puericultura sempre foi tema interessante pra mim. comecei a vasculhar informações de todos os lados…engraçado que assim que li o primeiro relato de parto humanizado eu vi que queria aquilo pra mim…sem falar de amamentação em livre-demanda, criação com apego…comecei a me emponderar mesmo…fiquei viciada em blogs e discussões sobre o tema e tenho muita certeza no que acredito e duvido absolutamente de tudo que TODOS me falam/orientam…me sinto poderosa e, quer saber, no auge das minhas 31 semanas de gestação, não vejo a hora de sentir minha pequena sair de minhas entranhas rsrsr. ao mesmo tempo, quero essa neném na minha barriga pra sempre (a lokaaa hahahaha)…só quero mesmo é te agradecer por munir esse meu desejo desenfreado de informação e saiba que o seu blog foi um dos primeiros que eu li (e ainda continuo acessando todos os dias)…Isabela, parabéns pela coragem de falar/publicar o que pensa sem medo das críticas das “mãezinhas” conformadas….tudo de bom!!!

    Juliana.

    • set 23, 2013 @ 15:16 {Responder}

      Olá, não pude deixar de entrar na conversa! rz
      Parabéns por não se conformar com o pouco e sempre querer mais informações possíveis!

      O Mais preocupante no sistema publico é o pré-natal mal acompanhado. Pq uma grande parte das maternidades publicas hoje (mesmo com a ajudinha do soro) são totalmente à favor do parto normal. Muitos orientam banhos, exercício em bolas, caminhadas e psicologas acompanhando o parto para melhorar essa experiencia. E a maioria deles também aceitam visita a maternidade antes do parto, é um direito e dever seu conhecer onde vai ter seu filho.

      Tente manter a calma, e procure o máximo trazer sua filha ao mundo com todo amor possível. Não solte palavras negativas jamais no dia em que será o mais feliz da sua vida. <3

      Abraços!

  2. set 23, 2013 @ 15:01 {Responder}

    Realmente delicado esse assunto, e o quanto a visão de mães menos informada esta sendo moldada para o “prático” aos médicos.

    Lembro-me da minha antiga médica “bufar” quando eu queria debater com ela a respeito de preferencia de partos, questionar as anotações dela e sobre minha preocupação com a diabetes gestacional. Em todos os lugares estamos com uma grande maioria de profissionais cansados de seu trabalho e as vezes mesmo quando nos informamos, não conseguimos a devida atenção.
    A médica responsável pelo meu parto surtou de preocupação por eu ter tido uma diabetes gestacional não tratada devido a negligencia médica da GO do pré-natal.(pois pela avaliação da obstetra, era necessário uso de insulina)

    É toda uma cadeia que deve ser reformulada.
    Acompanhamentos ruins no pré-natal podem complicar até a relação mãe-bebe no pós-parto.

    Concordo com a ideia de que não devemos nos calar!
    Alguns assuntos podem parecer repetitivos, mas ainda assim existem pessoas carentes de orientação correta.

    E como quem faz parte do lado “não bem assistido” da moeda, rz. Estou sempre tentando cuidar pra que quem sofreu por isso, não minimize sua experiência como mãe. Para as mães que não puderam amamentar e que lerem o post, deixem de levar para lado tão ruim a campanha do aleitamento. ___Vocês não são vitimas da campanha, mas sim da falta dela.___ Agora apenas procurem fazer mais por seus filhos, ampliem MAIS a experiência que tem. Não sintam vergonha de abrir suas camisas e juntar seu filho ao seu corpo na hora de dar mamadeira. Mesmo que ainda falte os nutrientes, não deixe faltar esse elo TÂO importante mae-filho.

    Abraço, para Mãe e filha! <3

  3. set 24, 2013 @ 15:18 {Responder}

    Oie
    Informação realmente é uma ARMA, na mão de quem sabe usar.
    Eu confesso que sempre soube que PN é melhor, e mesmo assim cai na conversa furada do médico. Mas a culpa não foi só dele, foi minha também em aceitar uma desculpa totalmente sem fundamento, e acabar aceitando por medo. medo do desconhecido, e de outras coisas.
    Com a amamentação foi o mesmo caso. Mas na segunda gravidez fiz tudo que estava ao meu alcance e tomei TODAS as decisões, consciente de que estava fazendo o melhor.
    Quero ler esse livro, parece ser ótimo.
    bjos

  4. set 25, 2013 @ 22:20 {Responder}

    “A informação é uma grande arma.” Sempre foi e hoje mais do que nunca é. Concordo contigo Isa, e acho que o papel de levar a informação para quem não está na internet também é nosso. Só nos resta a organização para fazer acontecer. 😉

  5. nov 27, 2013 @ 12:06 {Responder}

    […] Porque muitos não querem mães informadas.  A mãe que não amamenta. […]

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