23 dez 2016

Boticário, não somos melhores amigos!

Post por Isabela Kanupp às 02:43 em Feminismo, Maternidade

Não tenho por hábito comprar presentes de Natal, seja para a Beatriz, seja para a família de uma maneira geral. Claro que vez ou outra acontece, principalmente para a Beatriz, mas sempre tive muito claro comigo que o Natal é uma data comercial e que eu jamais estouraria minhas possibilidades financeiras (que já são bem restritas) para fazer algo assim, seja para quem for.

Esse ano a Beatriz pediu para eu comprar um perfume para o pai dela, comentou que ele estava precisando e como quase-todo-ano eu dou uma lembrancinha (bem lembrancinha mesmo) fui com a Beatriz ver qualé que era desse lance de perfume. Compramos e me bateu o arrependimento na hora, foi uma compra total de impulso e por muita insistência dela. Mas sabe quando você não engole um acontecido? Então.

Publiquei sobre o fato no facebook e uma amiga questionou: Foi por causa do comercial do Boticário, né?

Eu não tinha visto o comercial, em partes porque vivo em uma bolha de assistir apenas Netflix. E quando eu vi só pensei em uma coisa:

Sabe a barra? Não força!

boticário

Independente de qual o contexto no qual se deu minha separação com o pai dela e de como está nossa convivência hoje em dia, esse texto não é sobre nós ou sobre a Beatriz.


Falamos sempre de como a publicidade voltada ao público infantil é nociva, justamente por incentivar e estimular o consumo desenfreado de uma classe que não tem poder aquisitivo. O grande problema desse comercial é justamente esse, em teoria ele não é uma publicidade voltada para o público infantil, mas é esse o público que ele atinge.

No Brasil temos 5,5 milhões de crianças sem o nome do pai no registro de nascimento, sabemos por experiência própria e por relatos de como é pesada a vida de uma mãe solo, de como somos julgadas, cobradas e além de tudo isso temos que lidar com a ausência do progenitor, que não se ausenta apenas da vida emocional do filho, mas também da vida financeira, deixando para nós toda a responsabilidade emocional e financeira da criança.
Para além disso, sabemos que a realidade daquela propaganda é uma realidade mínima. Pouquíssimos são os casais que se dão bem após um término e isso não ocorre por imaturidade, mas sim porque em grande maioria dos casos, esses términos se dão após relacionamentos abusivos e violentos. Isso sem entrar no mérito de quando há uma criança envolvida, onde a grande maioria dos homens se ausenta de suas responsabilidades.

Eu não sou melhor amiga do pai da minha filha. Temos uma boa convivência, conversamos com frequência sobre assuntos relacionados à Beatriz e seguimos nossas vidas. Mas isso se deu porque, apesar dos pesares, o contexto permitiu que isso acontecesse. Ninguém, absolutamente ninguém, é obrigado a ser melhor amigo de alguém que te fez mal. Ninguém, absolutamente ninguém, é obrigado se melhor amigo de um pai ausente.

O Boticário já foi ovacionado por montar campanhas publicitárias fora do padrão social, mesmo que eu tenha muitas críticas a isso (principalmente por ser ex-funcionária do Boticário e saber como funcionam os bastidores), e isso só torna mais incoerente ainda.
Ao mesmo tempo em que uma empresa incentiva e apoia minorias, que não são apoiadas dentro da nossa sociedade, faz uma campanha reafirmando padrões sociais.

Padrões esse que diz – mesmo que subentendido – que nós temos que perdoar que nos faz mal e para além disso ser melhores amigos. Usando do artifício de sentimentalismo barato voltado para o público infantil.

Sei que muitas pessoas se emocionaram com esse comercial, e esse era exatamente o intuito. Não sou fiscal de sentimento alheio, mas queria propor uma reflexão a vocês, de vocês se colocarem no lugar das mulheres que são mães solos e lidam diariamente com a ausência emocional e financeira do progenitor para seus filhos.
Claro que muitas pessoas irão dizer que nós adultos não somos obrigados a comprar nada e tudo mais. Realmente não somos. Justamente por isso essa propaganda tem um direcionamento específico às crianças e quem convive com crianças – principalmente depois de uma certa idade  e dentro de determinados contextos – sabem como isso pode influenciar.

Além de promover a ideia de perdão de forma totalmente equivocada e reconciliação, esse comercial também promove a culpa. A culpa em diversas mulheres que não conseguem ter um bom relacionamento com o pai dos seus filhos seja pelo motivo que for, mas garanto que a grande maioria desses motivos tem total razão de existirem. Nos sentimos um lixo por não sermos tão evoluídas para perdoar, tão evoluídas para ter uma relação de amizade com alguém tão importante para nossos filhos.

O que mais ouvi depois da separação, principalmente quando tinha alguma reclamação justa sobre o pai da minha filha, era “mas ele é o pai da sua filha”. E eu sempre bati na tecla de que justamente por isso ele deveria cumprir com as obrigações dele e se ele não cumpre, eu exijo que cumpra. E isso não nos faz sermos péssimas mães, pensar no bem estar dos nossos filhos, seja emocionalmente ou financeiramente, é também exercer a maternidade.

boticário

 

Na nossa sociedade os homens são sempre defendidos, independente do que eles façam sempre irão justificar e endossar suas atitudes, seja justificando com o bom e velho “ele era muito novo” ou com o clássico “pai é assim mesmo”, enquanto nós mulheres somos julgadas por qualquer mínimo ato, esteja ele certo ou não.

Então, ninguém tem que ser melhor amigo de ninguém, nenhuma mulher tem que ser amiga do pai do seu filho, a não ser que seja de sua vontade. Não temos que ser amigas de quem nos maltratou, nos agrediu, nos abusou, de quem não assume suas responsabilidades como pai e de quem escolheu se ausentar da vida do próprio filho. Não precisamos dessa culpa, não somos as megeras que dificultam a relação.

No mais, acredito que deveríamos nos comover com mães em situações de vulnerabilidade financeira por culpa dos pais ausentes tanto quanto nos comovemos com esse comercial apelativo.

Então não Boticário, não somos melhores amigos.

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19 dez 2016

A Pele Em Flor – Projeto Fotográfico.

Post por Isabela Kanupp às 03:04 em Blog, Mães Empreendedoras

Conheço a Laudiane há muitos anos, ela é mãe, fotógrafa e amiguíssima. Uma pessoa incrível e cheia de ideias sensacionais, trazendo visibilidade para diversos assuntos importantes através da fotografia.
contei aqui sobre o trabalho incrível que a Lau realiza e hoje quero apresentar para vocês o Projeto Fotográfico A Pele em Flor.

A Pele em Flor

A Pele em Flor é um projeto para celebrar a real beleza, fugindo dos clichês dos projetos fotográficos que envolvem nu feminino, esse projeto em particular conta com um detalhe muito importante: ele conta a história dessas mulheres. E essas mulheres se contam da maneira que quiserem e se sentirem mais confortável.

O intuito não são fotos sensuais, são fotos para mulheres celebrarem seus corpos como são, celebrarem sua vida, sua história e trajetória. É sobre aprender a se amar, independente de nossa bagagem.

A Pele em Flor

Muitas mulheres procuram projetos como esse para trabalhar sua autoestima, celebrar sua beleza exatamente como se é. Um exercício de libertação e autoaceitação. Porém, muitas vezes ficamos desconfiadas, pois a maioria dos fotógrafos que trabalham com projetos similares são homens, e sabemos que existe um risco dessa exposição. Por isso quis contar para vocês do trabalho da Lau, uma mulher incrível em quem confio muito que além de uma excelente profissional, trabalha com amor e sensibilidade, transmitindo tudo isso em suas fotografias.

A Pele em Flor

Um projeto fotográfico incrível para celebrar as mulheres e seus diversos tipos de corpos – sendo nu ou não -, mostrando que é possível se amar e como isso é revolucionário.

 

Venha conhecer mais do projeto A Pele Em Flor aqui.

 

15 dez 2016

15 livros infantis por menos de 50 reais!

Post por Isabela Kanupp às 17:52 em Livros e Filmes

 

 

O Natal está chegando e com ele diversas confraternizações, encontro com a família e aquela reunião com amigos para fechar o ano. Nem sempre sabemos o que presentear, principalmente quando se trata de crianças que não temos tanta proximidade, por isso acredito que livros são sempre uma boa pedida. É fácil de acertar e, além disso, ele durará anos e anos, trazendo sempre aquela memória afetiva do carinho de ser lembrado.

Separei 15 livros infantis por menos de 50 reais, não somente para presentear, mas também para renovar a minibiblioteca das crianças nesse ano que está chegando.

 

Até 30 reais:

koumba

1 – Koumba e o Tambor Diambê –  Madu Costa
R$10,00

mizu

2 – Mizu e a estrelaMargarida Cristina Vasques
R$23,00

meu corpo

3 – Meu corpo: Da cabeça aos pés. Lisa Bullard
R$28,00

irakisu
4- IRAKISU – O menino criadorRenê Kithãulu
R$28,00

kiriku

5-  Kiriku e o Colar da DiscródiaMichel Ocelot
R$30,00

 

Até 40 reais:

quetoro

 

1 – Que toró! Dia de chuva. Adriano Messias
R$32,50

o mundo

2 – O mundo no black power de Tayó Kiusam de Oliveira
R$34,00

a perola
3 – A Pérola mais negra Oscar Henrique Cardoso
R$35,00

confidencias
4 – Confidências de Boby –  Neusa Sanches
R$36,50

plantei

5- Plantei uma moeda, nasceu um pé de dinheiro.  –  M. Aparecida Remoaldo
R$36,50

Até 50 reais:

Lila

1 – Lila e o segredo da chuva. – David Conway
R$40,50

A tatuagem
2 – A tatuagemRogério Andrade Barbosa
R$41,00

Aqualtune
3 – AQUALTUNE e as histórias da ÁfricaAna Cristina Massa
R$45,00

Lendas de exu
4 – Lendas de EXUAdilson Martins
R$45,00

seha

5 – SEHAYPÓRIYaguarê Tamã
R$48,00

 

Todos esses títulos você encontra na InaLivros, que é uma livraria itinerante que faz trabalhos em diversas feiras e eventos. O trabalho deles com o público infantojuvenil é extremamente importante, trabalhando sempre para trazer títulos que abordem valores humanos, consciência racial e respeito à diversidade.
Também é uma idealização de uma mãe empreendedora e parceira do blog. Adoramos e recomendamos! <3

 

07 nov 2016

Desprincesar é urgente. – Por: Mariana Desimone.

Post por Isabela Kanupp às 16:02 em Feminismo

A chegada da Escola de Princesas em São Paulo foi, para mim, a gota que transbordou o copo. Eu tinha que fazer algo.

Não entra na minha cabeça como alguém pague (o que eu imagino ser uma boa grana) para uma “escola” ensinar sua filha a ser “princesa”.

Nada contra valores como bondade, lealdade, e nem contra as aulas de etiqueta.

O que me incomoda, e muito, é a falta de outros modelos para nossas filhas.

desprincesamento

Por que não falar sobre Malala, Frida Khalo, Pagu, Violeta Parra, só para citar algumas? Não faltam exemplos para trabalharmos com elas.

Por que não mostrar às meninas que brincar na terra é ótimo, que elas podem se identificar com outros papéis além daquela moça magra, geralmente branca, com um vestido meio apertado e salto alto?

Se queremos que nossas filhas sejam tudo o que elas podem ser é fundamental inculcar nelas mesmas, desde cedo, a importância da auto-confiança, de que a opinião delas importa, e que elas são únicas, preciosas e digas do mesmo respeito que seus amigos meninos.

Por isso, eu e uma amiga fomos atrás de informação. Com um grupo de mulheres, recebemos informações e dicas de pessoas de Iquique, no Chile, onde o primeiro curso de Desprincesamento aconteceu.

Além dessas valiosas lições, usaremos também como base teórica a Filosofia da Libertação e nas propostas de relacionamento apresentadas pela Escola da Vida de Alain de Botton.

A nossa primeira oficina já está marcada. Acontecerá nos dias 4, 10 e 11 de dezembro. Serão encontros para meninas de 9 a 15 anos, nos dias 4 e 10. No dia 11, mães e pais também serão convidados para participar da oficina.

Durante os encontros vamos discutir temas como o que é ser menina hoje, auto-imagem, o amor romântico, a imagem que a publicidade faz das meninas, entre diversos outros temas. Teremos também um módulo de auto-defesa com uma especialista.

Junte-se a nós!

Uma oficina de cada vez, uma menina de cada vez, em busca de uma sociedade mais igual, plural e justa para com nossas meninas!

Saiba mais

Oficina de Desprincesamento

Quando: dias 4, 10 e 11 de dezembro, das 14h às  18h
Onde: Avenida Presidente Kenedy, 2207, São Caetano do Sul – SP.
Investimento: R$ 70 (os três encontros). Inclui coffee break, materiais de estudo e diploma
Como se inscrever: desprincesamentobrasil@gmail.com

 

 

 

Mariana Desimone é jornalista praticante e de formação. É mãe do Nicolas e da Letícia e não tem medo de ser chamada de feminista. Co-Organizadora da Oficina de Desprincesamento.

02 nov 2016

Para nós sobrou a responsabilidade.

Post por Isabela Kanupp às 07:50 em Feminismo

 

Amiga leitora comenta que após a separação, o pai dos filhos dela se apaixonou por uma moça do outro lado do país e agora está pensando em largar todos os empregos para se mudar de Estado.
Outra amiga relata que o pai dos filhos dela foi morar no Canadá, pediu “compreensão” enquanto ele se estabiliza e enquanto isso ela passa necessidade aqui com os dois filhos.

Homens sempre foram livres, mesmo quando se tornam pais, a sociedade não aprisiona suas vidas. Eles continuam tendo vida social, frequentando espaços políticos, indo para a partida de futebol na quarta-feira, frequentando o churrasco da firma aos domingos. Dele não é cobrada a responsabilidade de ser presente, de cuidar, alimentar e ser responsável por uma criança.

responsabilidade

Se a criança não está bem cuidada, a culpa é da mãe. Se a criança não está bem alimentada, a culpa é da mãe. Se a criança não tomou banho, a culpa é da mãe. Se a criança não é educada, a culpa é da mãe. Mesmos e essa mãe seja uma mulher exausta e sobrecarregada e mesmo se a criança esteja em perfeitas condições, irão arranjar algo para a culpa ser da mãe.

Homens não são obrigados e cobrados a amadurecer com a chegada dos filhos, as mulheres são. Se você se tornou mãe, é exigido de você – do dia para a noite – que seu comportamento diante de tudo na vida mude. Inclusive suas prioridades. Afinal, agora você é mãe! E de acordo com a nossa sociedade, ser mãe é se colocar em segundo lugar, é padecer no paraíso, é se doar por completo. Mas sabemos que não precisa ser assim e que está tudo bem se não for. Mas tem um preço, o preço é o julgamento social que sofremos quando saímos do estereótipo de mãe perfeita.

Porém, ao homem é dado o benefício de ser um eterno adolescente irresponsável. Se o homem é acometido por uma depressão, todos tem que ter compreensão com ele – o que deveria ser natural para todos que estão enfrentando algo como a depressão –, a mulher tem que ser companheira, não tem que importuná-lo com qualquer coisa. Afinal, depressão é um problema sério.
Por outro lado, quando nós mulheres mães estamos em um quadro de depressão, somos acusadas de fazer corpo mole, de não ter motivos para estar triste – afinal, temos uma criança linda e saudável – e é comum nos alertarem para começarmos a nos cuidar porque se não nossos companheiros irão nos trocar. Algo que as pessoas veem realmente como aceitável.

Desde que me separei, todas as vezes que saí e encontrei alguém – em geral, que conheça meu ex-marido – fui questionada sobre com quem a minha filha estava. Aquele questionamento em tom de amizade, de apenas puxando um assunto, mas que sabemos que vai muito além disso. É apenas uma forma de controle de mulheres, de lembrar “ei, você é mãe, seu lugar não é aqui”. Controlam sua bebida, quanto deu sua comanda, quantas vezes na semana você saiu e avaliam sua maternidade de acordo com isso. Questionam com quem você deixou seu filho, se foi com o pai o chamam de herói, se foi com a avó, você é uma puta que fez filho para os avós cuidar. Ignoram que a mulher continua sendo um ser humano.

Controlam o que gastamos com lazer, com maquiagem, com alimentação, com passeios, com “machos”. Controlam como gastamos nosso dinheiro, mesmo que não falte nada aos nossos filhos, é como se nosso dinheiro não nos pertencesse e temos que dar satisfação a todos. Enquanto o homem, mesmo quando não paga a pensão, não é questionando o que tem feito com seu dinheiro, quanto gastou na balada, se trocou de carro ou viajou.

A nós é imposta uma responsabilidade nem sempre condizente com nossa idade e experiências de vida, temos que amadurecer e sermos responsáveis porque somos mães. Enquanto para os homens, é dada compreensão, compreensão porque “não estava preparado para ser pai”, compreensão porque “ele era muito novo quando o filho nasceu”, compreensão porque “ele está buscando uma vida melhor agora, por isso não pode pagar pensão”. Pais podem errar, podem ser irresponsáveis, podem ser egoísta e usar de justificativa que estão pensando nos filhos, quando não estão.

Homens têm direito de errar, de ir atrás dos seus sonhos, seguir sua vocação, reinventar suas vidas. As mulheres, muitas vezes, não conseguem nem terminar seus estudos, e quando conseguem não conseguem seguir suas carreiras, porque “como assim vai voltar a trabalhar e deixar o bebê na creche?”.

Ainda temos que avançar muito como sociedade. Agora que estamos entendendo que homens quando moram junto com os filhos tem a mesma responsabilidade que as mães, e olhe lá. Mas ainda temos um caminho longo a percorrer e a sociedade de fato só irá mudar, quando começarmos a entender que homens são responsáveis por suas atitudes, que filho não se faz sozinho e que enquanto homens estão fazendo “uma jornada para se redescobrir e amadurecer”, estão fazendo isso às custas de mulheres que estão sendo exploradas e assumindo as responsabilidades não somente delas, mas também deles.


Mulheres são cobradas para serem mães responsáveis e amadurecerem estando ou não com o pai da criança. Homens também tem que ser cobrados a serem pais responsáveis e amadurecerem estando ou não com a mãe da criança.

 

 

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