06 jan 2017

Ter filhos é cansativo e nem sempre recompensador.

Post por Isabela Kanupp às 01:01 em Feminismo, Maternidade

Pode parecer cruel, mas a maternidade nem sempre é aquilo que fizeram a gente acreditar.
Apesar da Beatriz ter entrado na minha vida há um pouco mais de sete anos, costumo dizer que me tornar mãe é algo constante e por vezes questiono o que é ser mãe.
Para mim ser mãe não foi uma escolha, mas sim algo imposto, algo que acabei sendo levada a ser e a partir do momento que vi que não tinha mais volta, tentei dar o meu melhor. Porém, nem sempre o nosso melhor é o bastante, até mesmo para nós.

A maternidade é um grande “expectativa x realidade” e confesso que às vezes me sinto muito rabugenta, principalmente quando vejo publicações de amigas recém-mães de primeira viagem.
Sim, o seu bebê é fofo, ele é lindinho, talvez tenha puxado mais a você do que ao pai e eu super entendo que você publique nas suas redes sociais que é maravilhoso ficar a noite toda acordada porque ele está com cólica, mas amiga, deixa eu te contar, isso são os hormônios!

Não me lembro exatamente quando foi que eu percebi que C-A-R-A-L-H-O A MATERNIDADE NÃO É TÃO LEGAL ASSIM.
A verdade é que a nossa sociedade romantiza a maternidade e caímos muito bem nesse conto. Fica até chato às vezes contar algumas coisas que não achamos tão legais assim, rola um enorme tabu mesmo entre mães de falar sobre algumas mazelas do ser mãe.

ter filhos é cansativo
Por muitas vezes finalizamos um dia cansativo e estamos exaustas. Não temos força nem para lavar o cabelo, mas estamos em paz: em paz porque a criança dormiu e temos um pouco de tempo para nós. Entretanto também nos sentimos frustradas, frustradas porque esperamos aplausos que não acontecem, esperamos o reconhecimento que nem sempre vem. A maternidade nem sempre é recompensadora e chega um momento em que um sorrisinho não faz tudo valer a pena.

Em sete anos eu perdi as contas de quantas vezes me senti frustrada como mãe, de quantas vezes desejei ter meus pensamentos livres de Beatriz, porque mesmo na sua ausência, eu estou preocupada com ela, estou pensando em questões que a envolve. Às vezes sentimos falta de ser só a gente, se preocupar só conosco, se responsabilizar somente pelas nossas atitudes. Maternidade é algo absurdamente cansativo.

Lembro que assim que me separei e voltei a ter um pouco de vida social, além dos questionamentos constantes sobre onde estava a minha filha, me perguntavam como eu me sentia quando ela estava com o pai. Por muitas vezes – e pela intimidade que permitia – fui extremamente sincera: me sinto aliviada. Apesar das reações de julgamento, nunca me arrependi de ser sincera com as pessoas e principalmente, nunca me arrependi de ser sincera comigo mesma.
Cuidar de outro ser humano é extremamente cansativo, não existem férias, não existe remuneração no fim do mês, não existe horário de almoço e descanso. É como se tivéssemos um emprego 24 horas por dia, 7 dias por semana e o chefe é um carrasco. O chefe, nesse caso, se chama sociedade.

Ao contrário de um trabalho convencional onde temos a nossa “recompensa” no fim do mês, na maternidade não vemos recompensa tão cedo e muitas vezes, não há recompensa alguma. Claro que não devemos fazer nada pensando que haverá uma recompensa, porém, confesso que se houvesse um pote de ouro no fim desse arco-iris, tudo seria mais simples e fácil. Se houvesse uma certeza que todo o trabalho de formiguinha traria resultado, seriamos mais felizes.

A maternidade além de tudo é um emprego ruim. Temos um chefe carrasco, não temos férias, não temos remuneração e ainda nossos colegas de trabalho são absurdamente críticos. É como se tudo que fizéssemos estivesse absurdamente errado e mesmo quando acertamos, “poderíamos ter feito melhor”.

Quando minha filha era um pequeno bebê que não dormia a noite por algum motivo, lembro de uma conversa que tive com a avó paterna dela, onde ela me disse que a Beatriz começaria a dormir direito após os 4 anos. Tive uma pequena crise de pânico com essa revelação e realmente ela estava certa. Hoje fico feliz de não ter essa conversa sobre a necessidade de descanso retroativo com ela, pois sei a resposta: não existem férias na maternidade.

 

ter filhos é cansativo

 

 

Não sou contra as pessoas lerem esse texto – e tantos outros – e mesmo assim decidir ter filhos. Mas acredito que precisamos iniciar com urgência um movimento que fale a realidade da maternidade, a realidade de verdade, aquela coisa hardcore, aquela coisa que ninguém quer falar sobre. Porque quando falamos somos taxadas como monstras-sem-coração-que-não-amam-os-próprios-filhos.
Eu tenho certeza que se as mulheres se tornassem mães sem essa visão romantizada, sem essa expectativa que criam e nos induzem a criar, essas mulheres seriam felizes e como consequência seus filhos também.

Desconstruir a visão romantizada da maternidade é um trabalho diário, é inclusive desconstruir essa ideia de que haverá uma recompensa, e essa história de recompensa é viciante, você começa a acreditar que um sorrisinho faz tudo compensar e logo logo estará frustrada. Porque um dia o sorrisinho só vai te lembrar de como ser mãe era mais simples e você não dava valor.
Desconstruir a visão romantizada da maternidade é também entender que vamos nos sentir uma merda de mãe – mas não somos! -, vamos nos frustrar porque somos humanas e vamos chorar no banheiro.
Desconstruir a visão romantizada da maternidade é um trabalho diário e dói. Dói porque descobrimos a nossa humanidade e ao contrário da expectativa descobrimos que não somos super-mulheres. Somos apenas mulheres, com nossas bagagens, medos, dores, frustrações, desejos e sono acumulado.

Desconstruir a visão romantizada da maternidade é entender que no fim do dia não haverá aplausos pelo trabalho incrível que você realizou não surtando e dando comida de verdade para seu filho. E mesmo sem os aplausos se sentir incrível e ligar o foda-se para a ausência de aplausos.

 

Muitas vezes não irá compensar, muitas vezes no fim do dia você vai chorar muito e querer dar um pause na vida. Não posso te garantir que isso passa ou que um dia chegará a recompensa tão esperada, mas posso te dizer que vez ou outra acontecerá coisas que te encherá de orgulho, orgulho por ser a mãe que você é, do seu jeito, na sua peculiaridade. Chegará o dia que você não irá mais chorar no banheiro e nem esperará mais os aplausos.

 

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30 dez 2016

A mudança é a certeza da vida.

Post por Isabela Kanupp às 10:00 em Blog

mudanças

Durante muito tempo da minha vida eu não soube o que eu queria ser quando crescer. Também não sabia identificar nenhum talento especial que habitava em mim ou algo do gênero. Claro que isso foi complicando conforme eu chegava à vida adulta, onde as pressões aumentam e sentimos necessidade de nos assumir de fato como adultos e para isso precisamos dizer o que somos, ou melhor, o que fazemos. E esse o que fazemos não pode ser qualquer coisa, tem que ser algo que tenha algum prestígio dentro da nossa sociedade ou que pelo menos, seja reconhecido como uma profissão.
Quando me tornei mãe da Beatriz eu era muito nova. Apesar de estar naquela fase nem estudando e nem trabalhando direito, apesar dos olhares julgadores, ainda havia uma justificativa: eu estava dando um tempo, afinal, acabara me de tornar mãe.
Por um bom tempo ouvi que “voltar a minha vida normal e os meus planos” não aconteceria tão cedo e naquela época eu realmente não estava preocupada com isso, na verdade, eu nem sabia quais eram os meus planos.
Até por volta dos 3 anos da Beatriz eu estava “satisfeita” em ser apenas uma dona de casa que tinha por hobby escrever um blog. Eu estava casada, cuidava do meu pai, não me sustentava através do blog, mas ainda assim, tirava um dinheirinho vez ou outra com ele. Era confortável e apesar de todos os problemas que havia naquela época, eu estava ali na minha zona de conforto. Até que não deu mais e boa parte de quem me lê sabe o que aconteceu: veio a separação.

Me separar do pai da Beatriz, passar por um relacionamento como o que eu passei, me tornar mãe e tudo ao mesmo tempo, foi um divisor de águas. Existe a Isabela antes de 2013 e a Isabela depois de 2013. 2013 é o ano que eu nasci, nasci de verdade, me senti gente, me senti pertencendo ao mundo, tomei consciência e me revoltei com tudo aquilo que me fizeram acreditar que era o certo. Hoje quando olho para trás sinto um orgulho imenso da minha atitude de coragem.
A partir daquele ano muitas coisas aconteceram e eu posso dizer que a grande maioria delas não foram fáceis. Mesmo conhecendo e vivendo coisas incríveis nesses últimos quase 4 anos, todas essas coisas incríveis vieram para confrontar tudo aquilo que eu havia sido até então.
Sempre que alguém me pergunta sobre a minha separação ou vem me contar que está se separando, eu sou realista e digo que não é fácil. Não é fácil assumir o papel de mãe solo na nossa sociedade, não é fácil carregar algumas bagagens e não é fácil encarar nossos monstros, principalmente porque não temos como fugir deles. Cada um tem o seu monstro de estimação e o que podemos fazer é aprender a conviver com ele e comprar uma briga por dia.
2013 foi meu ano de descoberta sobre mim mesma, como dizem por aí, eu meti o louco. E isso foi importantíssimo para mim e por mais que na época eu achasse que era só uma adolescência tardia ou um reflexo do tempo que fui reprimida, hoje vejo que foi um aprendizado muito maior e algo extremamente necessário. 2014 foi meu ano de transformação, foi quando comecei a realmente tentar colocar algumas coisas nos eixos, principalmente dentro de mim, e entender sobre tudo aquilo que havia passado até então. Foi também o ano que fui confrontada demais em relação a tudo que eu acreditava que era o certo e comecei a ver que o centro, dentro da nossa sociedade, é algo bem relativo. 2015 foi o ano que encarei o meu monstro de estimação, na verdade, eu fui empurrada até ele. Foi o ano oficial da depressão, que apesar de já existir comigo há uma década, foi o ano que ela me “chamou para bater um papo” e foi uma no extremamente difícil. Difícil ao ponto de que quando ele terminou, eu literalmente não acreditava que havia sobrevivido.
2016 trouxe um pouco de todos esses anos, foi um ano terrível em diversos aspectos e é praticamente impossível fazer uma retrospectiva dele. Foi um ano desesperador. Mas houve muitas pequenas alegrias, abraços, risadas até doer a barriga, transformações para mim e para a Beatriz e aceitação. Foi também o ano que eu entendi, pela primeira vez na vida, o que eu realmente “nasci para fazer”.
Superei pequenas barreiras, barreiras que para a grande maioria das pessoas não existem, e por mais que para muitas pessoas sejam banais, para mim foi algo extremamente significativo.
Para mim foi um ano confuso, cheio de conflitos internos e externos, um ano cansativo. Mas também foi um ano extremamente produtivo, justamente por ter essa certeza do caminho a seguir.
O que quero dizer com tudo isso é que a vida muda, a vida é uma constante mudança.
Sei que muitas mulheres que me leem estão passando por momentos difíceis, relações abusivas, entre tantas coisas que parecem não ter fim. Sei também que lutar contra nossos monstros todos os dias é algo extremamente cansativo e que nós mulheres, sofremos demais somente por sermos mulheres. Justamente por saber de tudo isso eu quero dizer para vocês não desistirem, porque se vocês desistem, eu desisto também. E eu quero permanecer aqui, inclusive, para vocês não desistirem.
Muitas de vocês procuram aqui solução para algum problema, e isso eu não posso oferecer. Não posso ensinar vocês a como sair de um relacionamento abusivo, mesmo sabendo a parte teórica e prática, não posso ensinar não porque não quero, mas porque somos pessoas diferentes, com experiências diferentes e histórias diferentes. O que posso fazer é trazer um pouco de conforto, identificação, ser uma voz para quem não pode gritar, e claro, posso mostrar que é possível a transformação, é possível tudo mudar e não acabar o mundo por isso.
Eu não sei todas as respostas e tenho também muitas perguntas. Também tenho poucas certezas e não posso oferecer quase garantia alguma além disso: TUDO MUDA. E mudar dá um medo enorme!
Medo porque tudo aquilo que é desconhecido nos assusta, medo porque vivemos com a falsa sensação de segurança, seja em um relacionamento abusivo, seja na vida de “só” mãe e dona de casa, seja qualquer coisa, nos acomodamos e tudo que sai diferente do que vem acontecendo há tanto tempo, nos assusta. Nos assusta imaginar o incerto, nos assusta também porque somos mulheres e não fomos ensinadas a enfrentar o mundo dessa maneira.

Uma das certezas que tenho é que todas as mudanças que aconteceram a partir de 2013, por mais que fossem assustadoras e por vezes doessem muito, todas elas me ensinaram muito. E hoje eu não seria quem sou se não fosse tudo o que eu passei, tudo que descobri e enfrentei.
Se o seu ano foi difícil, se você sabe que existem coisas que precisam mudar, tenha medo sim, mas não permita que esse medo te paralise. Não permita que esse medo te impeça de enfrentar todo o mundo la fora. Juro para vocês que é incrível. Mesmo com as dores, mesmo com os dias difíceis, mesmo com as batalhas diárias contra os monstros, é incrível!
Raramente escrevo textos tão pessoais assim no blog, apesar do blog ser uma extensão da minha vida, onde registro meus pensamentos e reflexões em relação à maternidade e tantas outras coisas que fazem parte da minha vida, é óbvio que nem tudo está aqui. Mas às vezes me permito essa exposição, mesmo que não seja tão benéfica para mim, eu sei que pode ajudar diversas mulheres, seja para mudar, seja para procurar ajuda, seja como uma forma delas gritarem suas dores.
Hoje eu sei exatamente o que eu tenho que fazer dessa vida, mesmo que diversas vezes eu queira desistir. Hoje eu sei exatamente “qual o meu talento”. Mas tudo isso é graças a toda minha trajetória de 2013 para cá, graças a todas as experiências boas e ruins que tive, aos dias de risos até doer a barriga e aos dias que não tive forças nem para sair da cama escovar os dentes, é graças a toda a força que recebo quase que diariamente de quem me lê e acompanha o que escrevo. 

Hoje sei de tudo isso porque o medo não me impediu de descobrir o que havia mais adiante e mesmo hoje quando o medo surge, eu me permito senti-lo, mas não por muito tempo, não por tempo suficiente de desistir.

Não tenham medo do que estar por vir.

Sigamos, juntas porque é mais tranquilo.

 

 

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27 dez 2016

O início da vida escolar.

Post por Isabela Kanupp às 16:20 em Maternidade

2017 já esta batendo na nossa porta e logo logo mais um ano letivo se incia, para muitos o primeiro!
Esse ano eu tive o choque de fazer uma renovação de matrícula para o 2º ano do Ensino Fundamental, como assim? Parece que foi ontem que eu estava na loucura de procurar uma creche de educação infantil para a Beatriz!

O tempo passa e inevitavelmente os bebês deixam de ser bebês. Nosso terror – dos cuidadores, claro – nunca deixa de se fazer presente, parece que para nós tudo é muito mais assustador do que para eles.
Sei que nessa época do ano o que mais surge são textos sobre como-escolher-a-escola-ideal, e sei que muitas vezes isso é assustador. Nos sentimos vulneráveis, inseguras e com muito medo.

A grande maioria das famílias não tem oportunidade de escolher uma escola para o filho, estamos dependentes do sistema e essa escolha geralmente é pautada entre uma ou outra creche/escola, o que nem sempre são boas opções. A grande maioria de nós não tem como pagar uma escola particular, por mais que gostaríamos.

Depois de tantos anos dentro do ambiente escolar – sempre tentei ser o mais participativa possível, por questões ideológicas – muito dos meus medos sumiram, justamente por aprender a ver com outros olhos a educação pública. Já disse aqui diversas vezes sobre o assunto e tenho consciência de que nem todos os lugares estão classificados como “menos pior”, mas talvez eu tenha aprendido também que quando não temos escolhas, aprendemos a trabalhar com aquilo que está disponível para nós.

Jamais esquecerei o primeiro dia de adaptação da Beatriz na creche. Eu estava aterrorizada. Na minha cabeça de recém-mãe – apesar dela já ter quase 2 anos e meio, bem acima da média etária para ingressar na creche –, ninguém  cuidaria melhor da minha filha do que eu. As coisas mais bizarras e horrorosas passavam pela minha cabeça, desde pequenos acidentes, até negligência e claro, Samu na porta da creche.
Lembro que deixei ela por volta das 7 da manhã e tinha que buscá-la as 11 da manhã, a escola não era perto mas era completamente possível eu passar esse período na minha casa. Eu fiquei esperando sentada na frente da escola. Hoje quando lembro me sinto absurdamente ridícula.
Óbvio que nada do que eu tanto temia aconteceu e somente esse ano a escola (já outra escola) me ligou para buscar a Beatriz mais cedo, pois ela havia sofrido um pequeno acidente.

Se posso te dar um conselho, tranquilize seu coração. Toda adaptação é assustadora, mas se você não estiver minimamente tranquila (100% não existe, né?), a chance de piorar é grande.
Pessoas que trabalham com crianças são preparadas para trabalhar com crianças. Sei que para nós, mães e cuidadores, parece que aquelas pessoas são todas inexperientes. Mas não são.
Sei também que a culpa é avassaladora e sempre procuramos um jeitinho de nos enganar, “talvez eu consiga ficar mais um ano em casa”, “talvez eu possa pedir para a vizinha ficar com ele e pagar para ela”, ou até mesmo bem pior do que isso, acreditando que somos as piores mães do mundo. Não somos.

Durante muito tempo eu defendi a teoria de que colocar uma criança menor de 3 anos na escola era prejudicial, tanto que eu optei – e tive esse privilégio de optar – por colocar a Beatriz quando estava quase completando três anos. Porém, hoje sei que apesar de ser uma ótima teoria por um ponto de vista específico, ela é extremamente elitista, ignorando completamente a realidade da maioria das mães no nosso país. Assim como essa teoria não é algo universal, não é algo acrítica.

Na prática precisamos colocar nossos filhos na escola, seja porque a licença maternidade acabou, seja porque precisamos buscar um emprego para garantir nosso sustento e dos nossos filhos, ou em muitos casos, para continuarmos nossos estudos.
Precisamos tirar essa visão negativa que a sociedade criou das creches, uma visão de depósito de crianças onde estão ali apenas para olharem nossos filhos. Escolas são muito além disso, é um espaço de interação social, aprendizagem – mesmo que você ache bobo e só “recreação” -, e de formação de seres humanos. Na minha visão, não existe vantagem em deixar seu filho em casa do que colocar em uma creche, a não ser se você seja uma pessoa especializada e saiba promover de forma significativa todo o desenvolvimento infantil, assim como acontece nas escolas.

Como disse, ter medo e se sentir insegura é completamente normal quando estamos tentando algo novo. Mas é preciso entender o porquê desse medo e dessa insegurança, de onde eles vêm, onde eles estão fundamentados. E quando fazemos isso, entendemos que boa parte deles estão andando juntos com visões que romantizam a maternidade, com a ideia de que a mãe – por um instinto que na prática não existe – é a melhor e única cuidadora.

Quando estamos com medo o tempo parece uma eternidade e tudo se potencializa. Pensamos nas coisas mais terríveis, nas coisas mais improváveis. Mas tenha calma.
É preciso buscar meios para conseguir se sentir menos insegura e um deles é conhecer as opções que você tem. Conheça as creches da sua região, entenda se elas oferecem aquilo que você acredita – lembrando que nunca é 100% -, tente formar um vínculo antes mesmo de o seu filho estar ali, é importante se sentir segura com a sua escolha ou com a opção que você tem.
Converse com outras mães que já passaram por isso, ouça outras experiências, converse com familiares de alunos matriculados na escola que seu filho vai, converse e seja sincera sobre seus medos. Todas nós já passamos por isso.

Tente repetir o mantra (que vale para toda a vida de mãe) “Vai passar”. E te conto, passa rápido! Passa rápido que quando você se der conta, estará fazendo a rematrícula para o segundo ano do ensino fundamental.

 

Segundo dia de aula da Beatriz em 2016, parece que foi ontem!

Segundo dia de aula da Beatriz em 2016, parece que foi ontem!

 

 

 

 

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23 dez 2016

Boticário, não somos melhores amigos!

Post por Isabela Kanupp às 02:43 em Feminismo, Maternidade

Não tenho por hábito comprar presentes de Natal, seja para a Beatriz, seja para a família de uma maneira geral. Claro que vez ou outra acontece, principalmente para a Beatriz, mas sempre tive muito claro comigo que o Natal é uma data comercial e que eu jamais estouraria minhas possibilidades financeiras (que já são bem restritas) para fazer algo assim, seja para quem for.

Esse ano a Beatriz pediu para eu comprar um perfume para o pai dela, comentou que ele estava precisando e como quase-todo-ano eu dou uma lembrancinha (bem lembrancinha mesmo) fui com a Beatriz ver qualé que era desse lance de perfume. Compramos e me bateu o arrependimento na hora, foi uma compra total de impulso e por muita insistência dela. Mas sabe quando você não engole um acontecido? Então.

Publiquei sobre o fato no facebook e uma amiga questionou: Foi por causa do comercial do Boticário, né?

Eu não tinha visto o comercial, em partes porque vivo em uma bolha de assistir apenas Netflix. E quando eu vi só pensei em uma coisa:

Sabe a barra? Não força!

boticário

Independente de qual o contexto no qual se deu minha separação com o pai dela e de como está nossa convivência hoje em dia, esse texto não é sobre nós ou sobre a Beatriz.


Falamos sempre de como a publicidade voltada ao público infantil é nociva, justamente por incentivar e estimular o consumo desenfreado de uma classe que não tem poder aquisitivo. O grande problema desse comercial é justamente esse, em teoria ele não é uma publicidade voltada para o público infantil, mas é esse o público que ele atinge.

No Brasil temos 5,5 milhões de crianças sem o nome do pai no registro de nascimento, sabemos por experiência própria e por relatos de como é pesada a vida de uma mãe solo, de como somos julgadas, cobradas e além de tudo isso temos que lidar com a ausência do progenitor, que não se ausenta apenas da vida emocional do filho, mas também da vida financeira, deixando para nós toda a responsabilidade emocional e financeira da criança.
Para além disso, sabemos que a realidade daquela propaganda é uma realidade mínima. Pouquíssimos são os casais que se dão bem após um término e isso não ocorre por imaturidade, mas sim porque em grande maioria dos casos, esses términos se dão após relacionamentos abusivos e violentos. Isso sem entrar no mérito de quando há uma criança envolvida, onde a grande maioria dos homens se ausenta de suas responsabilidades.

Eu não sou melhor amiga do pai da minha filha. Temos uma boa convivência, conversamos com frequência sobre assuntos relacionados à Beatriz e seguimos nossas vidas. Mas isso se deu porque, apesar dos pesares, o contexto permitiu que isso acontecesse. Ninguém, absolutamente ninguém, é obrigado a ser melhor amigo de alguém que te fez mal. Ninguém, absolutamente ninguém, é obrigado se melhor amigo de um pai ausente.

O Boticário já foi ovacionado por montar campanhas publicitárias fora do padrão social, mesmo que eu tenha muitas críticas a isso (principalmente por ser ex-funcionária do Boticário e saber como funcionam os bastidores), e isso só torna mais incoerente ainda.
Ao mesmo tempo em que uma empresa incentiva e apoia minorias, que não são apoiadas dentro da nossa sociedade, faz uma campanha reafirmando padrões sociais.

Padrões esse que diz – mesmo que subentendido – que nós temos que perdoar que nos faz mal e para além disso ser melhores amigos. Usando do artifício de sentimentalismo barato voltado para o público infantil.

Sei que muitas pessoas se emocionaram com esse comercial, e esse era exatamente o intuito. Não sou fiscal de sentimento alheio, mas queria propor uma reflexão a vocês, de vocês se colocarem no lugar das mulheres que são mães solos e lidam diariamente com a ausência emocional e financeira do progenitor para seus filhos.
Claro que muitas pessoas irão dizer que nós adultos não somos obrigados a comprar nada e tudo mais. Realmente não somos. Justamente por isso essa propaganda tem um direcionamento específico às crianças e quem convive com crianças – principalmente depois de uma certa idade  e dentro de determinados contextos – sabem como isso pode influenciar.

Além de promover a ideia de perdão de forma totalmente equivocada e reconciliação, esse comercial também promove a culpa. A culpa em diversas mulheres que não conseguem ter um bom relacionamento com o pai dos seus filhos seja pelo motivo que for, mas garanto que a grande maioria desses motivos tem total razão de existirem. Nos sentimos um lixo por não sermos tão evoluídas para perdoar, tão evoluídas para ter uma relação de amizade com alguém tão importante para nossos filhos.

O que mais ouvi depois da separação, principalmente quando tinha alguma reclamação justa sobre o pai da minha filha, era “mas ele é o pai da sua filha”. E eu sempre bati na tecla de que justamente por isso ele deveria cumprir com as obrigações dele e se ele não cumpre, eu exijo que cumpra. E isso não nos faz sermos péssimas mães, pensar no bem estar dos nossos filhos, seja emocionalmente ou financeiramente, é também exercer a maternidade.

boticário

 

Na nossa sociedade os homens são sempre defendidos, independente do que eles façam sempre irão justificar e endossar suas atitudes, seja justificando com o bom e velho “ele era muito novo” ou com o clássico “pai é assim mesmo”, enquanto nós mulheres somos julgadas por qualquer mínimo ato, esteja ele certo ou não.

Então, ninguém tem que ser melhor amigo de ninguém, nenhuma mulher tem que ser amiga do pai do seu filho, a não ser que seja de sua vontade. Não temos que ser amigas de quem nos maltratou, nos agrediu, nos abusou, de quem não assume suas responsabilidades como pai e de quem escolheu se ausentar da vida do próprio filho. Não precisamos dessa culpa, não somos as megeras que dificultam a relação.

No mais, acredito que deveríamos nos comover com mães em situações de vulnerabilidade financeira por culpa dos pais ausentes tanto quanto nos comovemos com esse comercial apelativo.

Então não Boticário, não somos melhores amigos.

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19 dez 2016

A Pele Em Flor – Projeto Fotográfico.

Post por Isabela Kanupp às 03:04 em Blog, Mães Empreendedoras

Conheço a Laudiane há muitos anos, ela é mãe, fotógrafa e amiguíssima. Uma pessoa incrível e cheia de ideias sensacionais, trazendo visibilidade para diversos assuntos importantes através da fotografia.
contei aqui sobre o trabalho incrível que a Lau realiza e hoje quero apresentar para vocês o Projeto Fotográfico A Pele em Flor.

A Pele em Flor

A Pele em Flor é um projeto para celebrar a real beleza, fugindo dos clichês dos projetos fotográficos que envolvem nu feminino, esse projeto em particular conta com um detalhe muito importante: ele conta a história dessas mulheres. E essas mulheres se contam da maneira que quiserem e se sentirem mais confortável.

O intuito não são fotos sensuais, são fotos para mulheres celebrarem seus corpos como são, celebrarem sua vida, sua história e trajetória. É sobre aprender a se amar, independente de nossa bagagem.

A Pele em Flor

Muitas mulheres procuram projetos como esse para trabalhar sua autoestima, celebrar sua beleza exatamente como se é. Um exercício de libertação e autoaceitação. Porém, muitas vezes ficamos desconfiadas, pois a maioria dos fotógrafos que trabalham com projetos similares são homens, e sabemos que existe um risco dessa exposição. Por isso quis contar para vocês do trabalho da Lau, uma mulher incrível em quem confio muito que além de uma excelente profissional, trabalha com amor e sensibilidade, transmitindo tudo isso em suas fotografias.

A Pele em Flor

Um projeto fotográfico incrível para celebrar as mulheres e seus diversos tipos de corpos – sendo nu ou não -, mostrando que é possível se amar e como isso é revolucionário.

 

Venha conhecer mais do projeto A Pele Em Flor aqui.