26 mai 2014

Como eu parei de usar a palmada como “método de educar”.

Post por Isabela Kanupp às 13:05 em Feminismo, Maternidade

 

No dia 21 de Maio foi aprovada a Lei da Palmada, rebatizada como Lei Menino Bernardo. Na prática, o que isso significa?

 

“A proposta proíbe pais e responsáveis legais por crianças e adolescentes de baterem nos menores de 18 anos. Aprovada em caráter terminativo, seguirá diretamente para análise pelo Senado, sem necessidade de votação no plenário da Câmara.

O projeto prevê que os pais que agredirem fisicamente os filhos devem ser encaminhados a cursos de orientação e a tratamento psicológico ou psiquiátrico, além de receberem advertência. A matéria não especifica que tipo de advertência pode ser aplicada aos responsáveis. As crianças e os adolescentes agredidos, segundo a proposta, passam a ser encaminhados para atendimento especializado.”

Fonte:G1

 

Esse é um tema que eu realmente não gostaria de escrever. O simples fato de ter que escrever sobre isso, mostra o quanto ainda falta para entendermos algumas questões.
A aprovação da lei não deveria ser um fato a ser comemorado, nem mesmo um fato a ser repudiado. Deveria ser visto apenas como mais uma lei para a proteção da criança.
O fato de comemorarmos uma lei como essa é que, infelizmente na nossa sociedade, leis como essa se fazem necessárias.
O fato de muitas pessoas repudiarem essa lei, é porque a grande maioria de nós – seres humanos – normatizamos a violência.
E é sobre isso que quero falar.

Cresci apanhando. A última vez que apanhei do meu pai, eu tinha 16 anos. Não faz nem 10 anos. Não me lembro o motivo, mas lembro de apanhar. Lembro de diversas vezes que apanhei e que me marcaram profundamente. Lembro também de como meus pais me enganavam e fingiam que estava tudo bem, para me bater quando eu estivesse desprevenida.
Perdi as contas de quantas vezes ouvi que aquilo era para o meu bem, que doía mais neles do que em mim, que eu iria agradecer a eles por isso, ou que eles faziam aquilo porque me amavam.

Já adulta, fui agredida por uma pessoa na qual eu mantinha um relacionamento. Apanhei diversas vezes dessa pessoa. Eu que sempre dizia que não suportaria um homem violento perto de mim e que na primeira iria embora não percebi os sinais da violência.
Porque assim como meus pais essa pessoa não começou me batendo.
Primeiro foram os gritos. Depois as ameaças. E por fim um tapa. A violência foi gradual: primeiro empurrou, depois apertou meu braço, depois um tapa e a última vez tentou me enforcar.
Ainda hoje quando conto isso me sinto humilhada. Porque na nossa sociedade, assumir que foi vítima de violência doméstica, é praticamente assumir a culpa do que nos aconteceu.
Demorei para perceber o rumo que estava tomando o relacionamento por um único motivo: eu não reconhecia violência ali. A violência estava normatizada na minha vida.
Tanto na minha infância quanto na vida adulta os motivos para apanhar foram os mesmos: porque eu merecia, porque eu precisava aprender. E eu ouvi a mesma frase nas duas situações: que faziam aquilo porque me amava.

DP02

Acredito que o primeiro passo seja esse: assumir a violência que sofreu.

Muitas pessoas falam que apanharam quando pequeno e não tem trauma algum. Também acreditei durante muito tempo que eu não tinha traumas, que tudo bem meus pais terem me batido “mas foram ótimos pais”. Acontece que, quando dizemos que nossos pais erraram, automaticamente fica subentendido que eles foram péssimos pais. E não é bem assim. Essa busca da perfeição na maternidade/paternidade só prejudica a nós, a verdade é que – como humanos – todos nós erramos e nossos pais com certeza erraram com a gente em diversas questões e acertaram em tantas outras.

Só o fato de reproduzirmos a violência na qual sofremos já prova que existem os traumas. Nós podemos não assumi-los, mas isso não faz com que eles não existam.

O segundo passo é: assumir a violência que causou.

Entender que violência não é somente bater é fundamental. Por exemplo, gritar também é violência.
Eu já bati na minha filha. Não lembro como foi a primeira vez, mas lembro que eu acreditava profundamente e cegamente que eu estava agindo de forma correta, afinal meus pais agiram assim e todos que eu conhecia agiam assim. É comum ouvirmos que, se não dermos umas palmadinhas eles ficarão sem limites, certo?
Acontece que violência não tem relação com limites. Acontece que existem outras formas de impor limites e violência não é uma delas. Violência não impõe limite, impõe medo.

Depois de um tempo eu já sabia que o que eu fazia era errado. Entendia que, existiam maneiras melhores de agir e que o fato de eu bater era sim porque eu perdia a razão, porque eu perdia o meu poder de argumentação, porque eu perdia o meu controle. E poxa, eu sou a adulta da relação, eu tenho que ter o controle, eu tenho que ter argumentação e maturidade para lidar com as situações.
Porém mesmo assim eu não conseguia parar de usar da palmada um “método” na minha casa.
Não sei porque, talvez porque eu não conseguia vencer a barreira da minha zona de conforto. Porque sim, bater é mais fácil. Bater é “cala a boca” de forma imediata.

Parei de bater na minha filha no dia que ela chorou magoada e falou que não gostava de apanhar. Foi só então que eu percebi que eu estava fazendo tudo errado. E dai prometi a ela que nunca mais bateria nela.
E eu espero de verdade que ninguém precise passar por isso para parar de usar da palmada um “método” de “educar”. 

A partir desse momento tive de entender como iria de forma prática, educar sem a violência. A verdade é que eu já educava a minha filha sem a violência, porém usava da violência em alguns momentos, principalmente de frustração (por não conseguir argumentar ou algo do tipo)  ou por pura falta de controle.
Então eu não precisava aprender a educá-la. Eu precisava aprender a me controlar.
Aprendi que em momentos assim eu tinha que manter a calma, e o que fazia eu ficar calma? Abraçar minha filha, me afastar dela ou do que estava gerando problema, respirar fundo e contar até dez, lembrar de toda a violência que eu sofri para não reproduzi-la. E principalmente, o fato de eu não querer que minha filha normatize a violência na vida dela.

Eu sei que uma palmadinha é diferente de espancamento. Mas quando eu levei um tapinha só já adulta e quando tentaram me enforcar o sentimento que tive foi o mesmo, a dor e as cicatrizes psicológicas foram as mesmas. A diferença da palmadinha para o espancamento é o peso da mão e quem controla o peso da mão na hora do nervoso/da frustração?
Tanto a palmadinha como o espancamento são a mesma coisa: violência. 

Quando pessoas clamam pela não intervenção do Estado dentro dos nossos lares, eu realmente fico na dúvida do porque temos tanto medo disso. É porque somos agressores? Não é o mesmo motivo do clamor que os homens tem em relação a Lei Maria da Penha? Porque queremos defender tanto nosso “direito” de agredir?
Nós temos que realmente contar com o bom senso de cada um, sem nenhuma medida de proteção para os oprimidos? Assim como dizemos a respeito da violência contra a mulher, vamos dizer para as crianças: apanha quem quer!
Vamos continuar culpabilizando as vítimas?

É muito fácil – e óbvio – traçar um paralelo entre a violência contra a mulher (e a violência doméstica) e a violência contra a criança. Tanto a mulher quanto a criança são vistas na nossa sociedade como seres inferiores – ao homem – e incapazes. A mulher é incapaz de decidir. A criança é incapaz de decidir. A mulher é inferior ao homem. A criança é inferior aos adultos.
É relação oprimido e opressor. 
Como podemos ser contra a violência contra a mulher e ser a favor da palmadinha? É no mínimo incoerente. 

lei da palmada

Quando fui procurar uma imagem para ilustrar o texto, 90% das imagens que encontrei são contra a lei da palmada e isso é realmente assustador. A ideia de defender “nosso direito como agressor”, defender o direito de ser opressor é muito absurda para mim.

Palmada não é educar. Palmada é agredir. A criança não aprende, ela tem medo. De você, da pessoa que deveria proteger ela e que diz amar. Não há relação com não apanhar e ser delinquente, a verdade é que violência faz normatizar a violência e garanto que na cadeia não tem ninguém que foi criado com disciplina positiva.

Sei que o caminho é longo. Mas tem como quebrar o ciclo e é necessário quebra-lo. Não porque é lei. Mas porque palmada é violência, porque seu filho sente medo, porque a sensação é humilhante, porque você não ensina nada de bom quando bate. E principalmente: porque somos seres racionais e podemos melhorar. Podemos dar exemplos positivos. Podemos aprender a nos controlar.

Não tenha orgulho de ser um agressor. 

 

 

24 comentários para "Como eu parei de usar a palmada como “método de educar”." | Adicione o seu »

  1. mai 26, 2014 @ 13:07 {Responder}

    […] Como eu parei de usar a palmada como “método de educar”. […]

  2. Pati
    mai 26, 2014 @ 13:38 {Responder}

    “Ainda hoje quando conto isso me sinto humilhada. Porque na nossa sociedade, assumir que foi vítima de violência doméstica, é praticamente assumir a culpa do que nos aconteceu.”

    Não tenho palavras pra dizer o quanto isto me marcou. Eu me sinto assim. Me sinto muito assim. Obrigada por colocar com palavras um sentimento que me aperta o peito até hoje.

    • Isabela Kanupp
      mai 26, 2014 @ 15:35 {Responder}

      Pati: a culpa não é sua.

  3. Marina
    mai 26, 2014 @ 15:06 {Responder}

    Não entendo tanto auê em torno dessa lei.
    É mto simples, qualquer pessoa concorda que agressão, dar um tapa em alguém p.ex., é punível nos termos da Lei. No caso de crianças também, oras.
    Acontece que elas são consideradas como absolutamente incapazes pelo nosso Ordenamento Jurídico, necessitando portanto de tutores (normalmente os pais) para, por exemplo, ingressar com uma ação de agressão. Agora, os tutores dessa criança vão ingressar com uma ação de agressão contra eles mesmos, em nome da criança?Logicamente que não! Por isso se faz necessária essa “intromissão” do Estado na vida privada, para proteger o absolutamente incapaz de seu tutor, não tem mistério.
    Agora, é bem triste ter de haver essa ação por parte do Estado por causa da violência extrema da nossa sociedade…

  4. Sol
    mai 26, 2014 @ 17:15 {Responder}

    É um texto que me toca. Porque o vivenciei dos dois lados – como vítima de abuso infantil (e minha família não percebia, porque confiava no amigo que fazia as vezes de meu pai morto),opressão machista de companheiro, e como agressora de meus filhos – é duro dizer a palavra, e parece que ela não me cabe, afinal, nunca espanquei. É duro se apropriar do conceito, porque mais fácil é dizer a si mesmo: eu sei a medida, estou educando, não sou agressora.

    Não cresci apanhando de minha mãe, mas tinha um imenso medo dela, porque era muito brava, e acho que até hoje tenho um pouco, embora muita água tenha rolado em nossa relação, e (des)construímos muitas coisas ao longo dos anos. Mas lembro-me de algumas cenas com minha irmã mais velha, que reproduzia (em escala muito menor, é verdade) em mim as surras que levou de minha mãe. E ela paga até hoje o preço de ter batido em seu filho, ouve até hoje de minha mãe que ela é culpada de todos os erros que ele, já com 30 anos, comete na vida. E sofre física e emocionalmente os traumas vividos e reproduzidos.

    Hoje vejo que em minha família vivemos um ciclo, e a máxima de que “o filho é meu e ninguém se mete” foi incorporada por cada um de nós. Desde pequena cresci ouvindo e vendo muito bate-boca, e isso nem me espantava mais, lembro-me que uma vez parou gente na porta pra assistir a uma briga entre minha mãe e meu tio, e eu, ainda criança, até achei divertido aquele circo.

    Hoje, ao perceber que meus filhos menores continuam brincando normalmente enquanto o irmão adolescente e eu dizemos coisas horríveis um ao outro, percebo que isso é muito pior do que chorarem assustados.

    Eu decidi romper o ciclo de violência. Buscar ajuda.
    Continuo amando minha mãe, minha irmã, minha família. Elas também foram vítimas. Tiveram erros, sim. E inúmeros acertos. Porque o ser humano é um muito complexo do que a visão maniqueísta de mundo quer nos fazer crer.

    Venho de uma família de mulheres. Me entender é entende-las também. Limpar meu olhar e reconstruir minhas condutas é me empodeirar para, inclusive, ajuda-las a também se empoderarem. Isso é sororidade.

  5. herica
    mai 27, 2014 @ 09:39 {Responder}

    Isabela, obrigada! Eu precisava ler esse texto!
    Vivo em uma luta constante pra deixar de usar a palmada. Eu tbm apanhei dos meus Pais (por Amor, doia mais Neles, era para meu bem) e nao gostava. Eu dizia pra mim mesma que se um dia eu tivesse filho, nao iria bater. Entao pq diabos eu tô seguindo o mesmo caminho dos meus pais? É Foda ver o olhar triste do meu filho quando eu dou palmada nele. Preciso aprender a me controlar! Eu sou a adulta da relacao!

  6. Natalia
    mai 27, 2014 @ 15:50 {Responder}

    Tenho um filho de 02 nos e 04 meses, o nome dele é Arthur. Moro junto com a minha sogra e cunhados, ainda estou me estruturando financeiramente e infelizmente tenho que morar em uma casa que não é minha. Meu filho é super bem tratado mais eu já não tenho controle sobre a educação dele. Não sei conversar e em momentos me vejo mais carente do carinho dele que ele o meu.
    Toda vez que ele faz algo que me irrita me descontrolo e acabo batendo nele e me arrependendo muito depois, mais só depois. Sempre a mãe do meu esposo vem apartar a situação tirando meu filho e meu modo de “educar” de cena e consequentemente tirando a minha autoridade. Peço, explico, exijo mais não tenho o retorno. Me sinto uma alienada. Não queria que as coisas acontecessem assim. E hoje acho que preciso aprender a dar carinho por que nem sei mais o que é isso. Me sinto culpada por ser tão ausente para ele, pela necessidade de trabalhar e dar meu melhor. Mais não suprir 100% do que eu gostaria e como realmente acredito que ele queria.

  7. Sandra Kautto
    mai 27, 2014 @ 17:03 {Responder}

    Isabela,

    antes de qualquer coisa, parabéns pela coragem em falar de algo que a machuca e a humilha.
    Obrigada por partilhar sua experiência, por mostrar o quanto a “inofensiva” palmada pode prejudicar.
    Igual a você também apanhei na infância e algumas vezes no momento da raiva acabei usando dessa agressão contra meu pequeno menino…até o dia em que ele me viu com raiva e correu assustado para o quarto e ficou no cantinho dizendo: não mamãe, para! Eu chorei…chorei pq vi o medo nos olhos dele. Depois disso ele nunca mais apanhou e ganhei muito mais autoridade com ele, pq agora ele tem respeito e não medo.

    Abs.
    Sandra

  8. Maurício Salgado
    mai 27, 2014 @ 17:44 {Responder}

    Muito bom o texto, mesmo. Muitas dessas posições de aceitar as palmadas, passei como filho. E a idéia de “mas não me deu trauma algum” já me tentou. O texto ajudou a colocar isso mais claro para mim.

    RESSALVA:
    Temos que evitar respingar em feminismos tortos sem perceber:
    “Não é o mesmo motivo de clamor que os homens tem em relação a Lei Maria da Penha?”
    HEIN? Os homens clamam contra a lei Maria da penha? Sério, me senti meio insultado. Não conheço nenhum homem que seja contra ela. No mínimo acham que ela é lenta. Essas generalizações doem um pouco e quebram pontes.

    • Isabela Kanupp
      mai 27, 2014 @ 21:21 {Responder}

      Maurício, geralmente dentro do feminismo – e de quase todos movimentos politicos-sociais – generalizamos. Quando falamos homens, falamos de homens como classe, não homens de forma individual. 😉

      • Maurício Salgado
        mai 28, 2014 @ 01:28 {Responder}

        :-)
        Gracias,

        Mas acho que essa cultura de generalizações deve ser repensada, porque tem um bocado de gente diversa por aí. Talvez seria bizarro como você ler um texto dizendo que “as mulheres são a favor do apedrejamento de adúlteras” porque um grupo específico de mulheres iranianas defendeu isso (caso da atriz iraniana que beijou na bochecha um diretor de hlwood).

        Generalizações criam lados: nós/eles. Mas em diversas causas tem um bocado de gente em muitas matizes de lados. E podem ajudar a acelerar mudanças.

        Mas o texto, REPITO, é muito bom. Acho que foi o mais lúcido que li sobre a questão da violência na criação dos filhos e da naturalização dessa violência.

        • Isabela Kanupp
          mai 28, 2014 @ 11:44 {Responder}

          Maurício, mas estamos falando de classe de opressor, e a gente denomina homens como classe. Sim, você como homem está na classe opressora, pode não exercer opressão em diversos momentos, mas sua posição continua sendo de opressor. Entende? Imagina se eu ficasse toda hora colocando sobre homens e colocando – mas alguns não gente! -, dai não dá né? Dai texto não vai pra frente. rs
          E no caso há realmente lados: oprimidos e opressores.

          Mas muito obrigada, de qualquer forma, por ter gostado do texto e por ter disposição para debater de forma educada. :)

  9. Thais Lombardi
    mai 28, 2014 @ 08:44 {Responder}

    Oi Isabela!
    Gostei muito do texto…
    Quando criança também apanhei (e também escutei muitas coisas horríveis), não muito, mas o suficiente para me deixar com medo dos meus pais até hoje. Anos se passaram e eu ainda não consigo encará-los como companheiros (apesar de amá-los imensamente). Já tenho 25 anos e não consigo ter uma conversa normal com eles, preciso medir tudo que falo pois ainda sinto medo.
    Depois de adulta sofri abusos do meu chefe que me causou marcas e traumas. Demorei para perceber que era assédio até o dia que ele encostou a mão em mim.
    Incrível como a culpa é sempre de quem apanha e o mais incrível é que eu nunca fiz nada que justificasse esses abusos e a culpa ainda era minha.

    Não tenho filhos, também não sei se quero ter, mas sou contra qualquer violência, seja física ou verbal. Criança é gente e também merece respeito.

  10. luciana
    mai 30, 2014 @ 10:31 {Responder}

    Muito difícil dar o que a gente não recebeu mas como mãe me esforço a cada dia para dar ao meu filho o amor que não tive e a atenção que sempre precisei e não recebi.

  11. Lívia
    jun 02, 2014 @ 10:03 {Responder}

    Não fui de apanhar quando era criança, no máximo alguma palmada da minha mãe, mas mesmo assim sou totalmente contra bater em criança. Não tenho filhos ainda mas pretendo me esforçar ao máximo para educar sem violência, seja física ou psicológica. Sabe o que acho mais triste? A criança que já apanhou sempre tem medo de apanhar de novo e às vezes qdo o pai/mãe aproxima e ela fez algo errado, ela já fica em posição de defesa.Isso pra mim prova que há trauma sim!Mesmo que não tenha sido espancado, há a memória de uma violência. E a criança reproduz. Ela bate no coleguinha, nas bonecas, no animalzinho de estimação…Porque ela acha que educar é isso, é bater.

  12. jun 21, 2014 @ 19:03 {Responder}

    Tive a sorte de não precisar me preocupar em quebrar este ciclo. Nunca apanhei. Nunca levei uma palmada que fosse dos meus pais. E sempre os respetei. Eles souberam colocar os limites sem apelar para xingamentos, gritos ou força física. Então pra mim, sempre foi “normal” o conceito de educar os filhos sem violência. Tratar as pessoas ao meu redor sem violência e não tolerar violência contra mim.

  13. jun 21, 2014 @ 21:34 {Responder}

    Olá Isabela, ah algum tempo que venho repensando meu modo de educar uma criança… tenho um filho de 1 ano e 3 meses e já dei sim algumas “palmadinhas” por coisas bobas… mas realmente sei que esse não é o caminho e de uns tempos para cá estou procurando me policiar, pois sei que esse não é o caminho certo para a EDUCAÇÃO. Apanhei muito quando pequena e não tenho boas lembranças, tinha medo da minha mãe e não respeito, não a culpo, pois esse “metodo” educativo vem passando de geraçao à geração… Quero escrever um artigo sobre isso também, e seu texto me serviu de inspiração.. Obrigada por ser tão clara quanto a isso.

  14. Fabiane Erica
    jun 22, 2014 @ 23:23 {Responder}

    Oi td bem sempre leio seu blog, gostaria de saber o que vc fez quando sua filha estava com um ano e 5 meses mais ou menos, eu tenho um menino eu fico desesperada por favor aguardo resposta ansiosa.

  15. Thania
    jun 23, 2014 @ 08:24 {Responder}

    Isabela, embora eu discorde de vc em muitos posts, eu te admiro em outros tantos!
    Esse é o típico post pelo qual eu te admiro.
    Ja conversamos por email sobre quase isso e vc sabe mais ou menos o q eu quero falar.
    eu bato (ia) na minha filha. Mas depois de ler seu texto me senti uma tola. Achei q tava educando e nao, só estou causando traumas nela e em mim.
    E comecei a pensar no futuro, se ela um dia sofrer agressão de um companheiro ela é capaz de achar isso natural pq tinha isso em casa e isso é INADMISSÍVEL.
    Claro q eu nunca espanquei, mas bato pela falta de argumento q vc citou. É um cala a boca rapido, porem…
    Me senti envergonhada de mim mesma, pq alem de tudo eu grito. Perco a razao e grito, grito, grito. Sou dessas mães loucas.
    Eu nao sou a favor e agora nem contra a tal lei.
    Nao sabia bem do q se tratava mas nem precisei aprender. Sua forma de escrever deixou bem claro isso!
    parabens viu!
    bjos

  16. jeane
    jun 24, 2014 @ 21:26 {Responder}

    Isabella, seu texto me tocou profundamente. Tenho uma filha de 2 anos, e por vezes me vi reproduzindo, mesmo que por pura falta de controle (impulso) a violência que eu e meu irmão sofremos na infância. Violência sim, porque como você disse bater não é educar, mas sem dúvida uma das piores formas de opressão. Porém, como é difícil não usarmos da agressão para “corrigir” nossos filhos. Afinal bater é facil e funciona. Eu e meu companheiro sempre nos pegamos dialogando sobre esse assunto, buscando outras formas de corrigir nossa filha, mas como eu disse como é difícil se controlar. Até meus pais já mudaram o pensamento sobre esse tipo de ” educação” Seu texto foi muito esclarecedor pra mim e util. Decidi que vou tentar ao máximo de controlar, conter meus impulsos e buscar outras formas de educar minha filha. Muito obrigada. Um beijo.

    • Isabela Kanupp
      jun 25, 2014 @ 00:19 {Responder}

      Jeane, fico feliz em te ajudar e ajudar sua família! Sim, agressão é uma das piores formas de opressão. É justamente a reação do opressor sobre o oprimido e eu fico feliz de você ter essa consciência, já é um ótimo passo.
      Compartilho com você dessa dificuldade, acredito que é a dificuldade que todos nós temos: como educar sem bater?
      O que é realmente eficaz?
      E justamente por não termos sidos ensinados a educar de uma forma positiva, não sabemos. Não sabemos nem por onde começar!

      Mas estamos todas no mesmo barco, na mesma luta!
      Muito obrigada por compartilhar comigo – e com os leitores – um pouco de vocês!
      Beijo.

  17. jul 10, 2014 @ 12:43 {Responder}

    Acredito que foi a melhor postagem que li sobre o assunto, e olha que tenho lido muito. Parabéns pelo texto e por descrever o que passou, com certeza não foi fácil e é admirável sua superação e a lição que essa crueldade lhe deu, não passar adiante, barrar essa atitude que vem de gerações. Concordo com tudo que disse, PARABÈNS!!!! A Bia vai crescer muito melhor 😀

    • Isabela Kanupp
      jul 16, 2014 @ 17:24 {Responder}

      Samira, muito obrigada pelo seu comentário. É realmente complicado descrever algo pessoal e se abrir para o julgamento, porém acredito na necessidade de mostrar para outras pessoas que podemos, que educar de outra maneira é capaz. E de certa forma, é reafirmar para mim que consigo, que tenho que continuar assim, etc, etc, etc.

      Muito obrigada.
      Beijos

  18. Larissa
    jul 22, 2014 @ 13:51 {Responder}

    Salvou uma familia com esse texto… De verdade! Eu era totalmente contra a lei…
    E foi importantíssimo sua analogia com a opressão do homem com a mulher, só assim eu entendi.
    Obrigado.

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