02 jul 2015

A solidão materna – Até no espaço feminista!

Post por Isabela Kanupp às 22:36 em Feminismo, Maternidade

Manter a mulher longe da vida social, é afasta- lá da vida politica. – Simone de Beauvoir

 

Eu acredito que a maternidade é uma trajetória muito solitária, mesmo quando criamos consciência de que não precisamos viver apenas em função de maternar, ainda assim encontramos dificuldade para ocupar espaços sociais.
É fato, como mulheres já somos limitadas a frequentar diversos lugares, não por uma lei que proíba, mas pelo medo constante que sofremos. Como mulher mãe a sociedade nos vê com um empecilho a mais: uma criança.

É como se todo o tempo nos repetisse que lugar de mulher é dentro de casa cuidando dos filhos, por mais que não verbalizem isso, as atitudes demonstram exatamente isso.
Nos julgam por terceirizar os cuidados dos filhos, muitas vezes sem ver o contexto social no qual estamos inseridos. Nos julgam por querer sair sem os filhos, muitas vezes sem ver que essas crianças não são bem vindas na maioria dos espaços.

Ninguém é obrigado a gostar de conviver com crianças. De fato, eu acredito que devemos ter nossas escolhas porém, nesse caso, essas escolhas tem que permanecer no âmbito privado. Nos espaços coletivos crianças tem que ser toleradas sim, porque a partir do momento que você exclui uma criança de um espaço público você está excluindo também seu cuidador, que no caso da nossa sociedade, é a mulher.
Até espaços ditos mais inclusivos – ou que na teoria deveriam ser – excluem mulheres mães. O feminismo é um deles.
Eu como mulher e mãe feminista não me sinto acolhida em ambientes feministas, é como se eu tivesse que criar uma sub cultura dentro do feminismo, somente para mulheres mães. Porque no feminismo mesmo, não há espaço. Nem no virtual, nem no presencial.

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Nos exigem muito: exigem que não deixemos nossa vida social, que sejamos militantes ativos, que não nos esquecemos de quem somos como mulheres, mas ao mesmo tempo, não abrem espaços para tudo isso. Minha filha não é bem recebida no coletivo feminista, minha filha não é bem recebida nas palestras que gostaria de assistir, minha filha não é bem recebida no espaço universitário e acadêmico. Se ela não é bem recebida, o que eu posso fazer além de não frequentar?
Para muitos parece uma questão simples: não leve. Mas para a grande maioria das mulheres não existe essa opção, principalmente com as crianças pequenas. Crianças de forma geral são dependentes, até os 6 meses o bebê geralmente mama exclusivamente – em curtos espaços de tempo – a mulher tem que se adaptar a isso – e viver correndo entre os intervalos das mamadas – ou a sociedade tem que aceitar que mulheres mães tem… filhos?

Quando minha filha nasceu eu tinha 19 anos, no começo era até que divertido, aquela coisa de tudo novo, e mesmo tudo isso sendo resultado de uma maternidade compulsória eu tive a opção de curtir alguns daqueles momentos. Mas claro que acabei me isolando, mesmo que sem querer, e deixei de frequentar alguns lugares. Os amigos no começo entendem… no começo. Mas é como se não entendessem que crianças são dependentes, somente por serem crianças. E isso só muda ao findar da infância.
Claro que se de fato a criança fosse vista como uma responsabilidade social, se a criança fosse vista como responsabilidade de ambos os pais, não existiria essa sobrecarga e essa limitação sobre a mulher. Mas devemos encarar que a realidade não é assim. A luta é para mudar a realidade para que a mulher mãe não seja a única responsável pela criança,  mas a luta é também para acolher mulheres mães em todos os espaços junto com suas crianças.

Sim existem lugares que realmente não são adequados para crianças – não estou falando aqui para levar seu filho de 3 anos para a balada, não… – mas quantas vezes você mulher e mãe, deixou de frequentar um local – teoricamente adequado para o seu filho – e não foi por saber que seu filho não era bem recebido? Quantas vezes deixou de frequentar um local porque sabe dos olhares tortos que irá receber por estar com seu filho? Quantas vezes deixou de ir em algo que realmente queria, porque sabia que por mais que estivesse entre amigos, até mesmo seus amigos, não te ajudariam com seu filho?

É o que dizem: quem pariu Matheus que o embale.
Mas, você fez o Matheus sozinha? 
Temos que passar a vida toda cobrando dos homens – que fizeram essas crianças também – uma responsabilidade que… é deles? Temos que nos desgastar por isso? 

Eu sei dizer exatamente quantas vezes nesses quase 6 anos, que ouvi alguém falando que eu poderia levar a Beatriz em algum lugar que me ajudariam a cuidar. Eu sei exatamente quantas vezes me tranquilizaram quanto a isso e se ofereceram para ajudar.

Claro que nesse trajetória solitária encontramos outras mães no mesmo barco que a gente e isso é reconfortante. Porém, muitas vezes não queremos ficar limitados aos parquinhos e teatros infantis, queremos fazer coisas de adulto, queremos sim ter a disponibilidade e a liberdade de ir comer algo com a amiga da escola, ir no cinema assistir um filme que a classificação não seja livre, ir em uma manifestação que não é nada segura para uma criança. E ai, o que podemos fazer? Se conformar com a situação que nos é colocada – lugar de mulher é em casa! – ? Exigir que nos aceitem com nossas crias? Cobrar de quem também tem responsabilidade com elas?

E até lá o que podemos fazer?

Há um ano mais ou menos rolou um encontro feminista, em uma chácara, com muitas feministas e que eu tinha muito interesse em ir. Na época, independente se eu ia ou não, surgiu a ideia de um espaço para as crianças, já que muitas dessas mulheres feministas também eram mães. Adivinha para quem foi jogada a questão de pensar sobre esses espaços? Para as mulheres mães!
Porque todo o resto da sociedade – as não mães – não podem também pensar em como tornar os espaços mais inclusivo para as crianças? Isso não é tirar o protagonismo da mulher mãe, não é roubar local de fala, é exercer sororidade, é ter empatia, é não fazer como a sociedade faz jogando toda a responsabilidade para cima da mulher mãe.

Porque somente mulheres mães levantam assuntos como esses? Porque esse não é um debate constante dentro do movimento feminista? De como podemos abrir espaço tanto para as pautas das mulheres mães – que são bem específicas! – quanto abrir espaço físico e acolhimento para elas?

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Uma leitora me marcou em uma publicação no facebook, onde ela estava expondo sua revolta diante de um evento sobre artesanato que barrava a entrada de crianças. Com razão!
Como ela mesmo disse, muitas mulheres após a maternidade acabam por empreender, seja como forma de adquirir uma renda extra, seja como forma de voltar ao mercado de trabalho (já que o mercado de trabalho formal não oferece tantas vantagens para as mulheres mães), seja apenas por… querer. Ou seja, muitas mulheres empreendedoras desse nicho são mães. Qual o sentido de limitar esse espaço para que seja frequentado apenas por adultos? Como fica as mulheres que não tem como recorrer a alguém para ficar com seus filhos?

Incontáveis vezes já fui convidada para eventos de grandes marcas para o público materno, no qual não poderia a presença de crianças. Então, qual o sentido? Será que quem organiza esses eventos não pensam… no mínimo?

 

 

Não quero dizer que as pessoas tem obrigação de cuidar do “filho do outro”. Mas que precisamos ser coerentes entre nosso discurso e nossa prática. Se lutamos por uma sociedade melhor, por uma sociedade mas inclusiva, se falamos tanto de sororidade e empatia… porque não exercemos com as mulheres mães?

 

 

 

 

 

 

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30 comentários para "A solidão materna – Até no espaço feminista!" | Adicione o seu »

  1. Marcia
    jul 03, 2015 @ 14:49 {Responder}

    Sem dúvida a maternidade e em geral 1ato solitário.Vc vê a mãe com a criança como se tivesse feito a mesma sozinha.

    • Isabela Kanupp
      jul 08, 2015 @ 02:33 {Responder}

      Marcia, é bem isso. E a outra pessoa que também fez essa criança? Segue a vida normalmente, não passa nem ao menos esses questionamentos que levantamos aqui, na cabeça dos homens!

      Abraços.

  2. Thalita
    jul 06, 2015 @ 07:56 {Responder}

    Parabéns pelo texto, nunca me arrependo quanto separo alguns raros minutinhos de sossego para ler o que vc escreve (e tão bem!)… olha como é, até no mundo virtual tenho encontrado dificuldades pra interagir, mesmo quando procuro grupos “maternistas”, cadê o tempo para ler, estudar, interagir? Sinto bem o que é essa solidão, esse isolamento por ser mãe e pobre. E isso tbm reflete como a criança é ignorada, tratada como um ser inferior pela nossa sociedade. Ouvi uma vez de alguém que amo muito: “você não pode ser revolucionária, você tem um filho de 2 anos!” como se isso não fosse mais um forte motivo para querer realmente mudar muita coisa! Perdi as contas de tudo que deixei de fazer e não deveria, necessariamente. O quanto cobranças de um lado, me dizem para me fechar ainda mais a esse papel, enquanto outros me cobram superação, força, ignorando completamente as dificuldades e necessidades especiais que nós, mães e crianças temos…

    • Isabela Kanupp
      jul 08, 2015 @ 02:34 {Responder}

      Thalita, obrigada e obrigada também por encontrar um tempo para comentar, sei como é difícil na nossa correria diária.
      Concordo com você, o fato de ter um filho dá tantos motivos para ser revolucionária não é mesmo?

      Abraços querida.

  3. jul 06, 2015 @ 10:44 {Responder}

    A realidade nua e crua da mulheres que são mães. Parabéns pelo texto. É realmente muito difícil para as mulheres que são mães se manterem ativas politicamente e socialmente. Não é a toa que há essa profusão de blogs maternos. Parece que esse é o jeito que encontramos para nos mantermos pensando e participando do mundo de alguma forma, nem que seja de casa, pela internet. Eu fiz um blog muito com esse sentimento. Dá até falta de ar, não é mesmo? Sentimento de clausura? Quando será que essa lógica vai ser rompida? Eu sou muito descrente com relação a sororidade. Realmente eu não acredito nisso… o que eu vislumbro ao ler o seu texto e o de outras mães feministas é que estamos prestes a ver o surgimento de mais uma vertente do feminismo…

    • Isabela Kanupp
      jul 08, 2015 @ 02:36 {Responder}

      Guaraciara, eu tenho uma visão bem crítica em relação a sororidade. Não acredito nessa sororidade romantizada que tanto falam, porque bom… eu por exemplo não sou obrigada a ter sororidade com a mulher burguesa. Mas, acredito que, se tanto dizem de sororidade, tem que praticá-la não é mesmo? E ai vemos essa outra face da sororidade: só é praticada quando e com quem convêm!

      Com certeza o blog é uma forma que encontramos de continuar a interagir com o mundo e acredito que só tende a aumentar esses blogs maternos!

      Beijos

  4. karina
    jul 08, 2015 @ 11:02 {Responder}

    Que conforto ver a reclamação da Mega! rss Eu fiquei revoltada quando vi a nota, deixei minha filha com a minha mãe e fui (eu queria mto), por vezes me privo de algumas coisas, por não ter com quem deixa-la, meu marido fica com ela, para eu fazer curso de artesanato no sábado, fica com ela para eu ir para o curso de inglês… normal, faz parte do papel de pai dele, não dou cookie por isso…rs A questão é a nossa exclusão em alguns espaços, me vejo em situação de poder jantar em uma padaria, que não tenha um cadeirão ou um cantinho reservado para minha filha brincar, ela quer correr pelo salão, subir nas cadeiras..rs para os outros que olham com cara de : ”segura essa criança”, eu não ligo, cago mesmo! Mas por vezes não saio, pq sei que ela vai ficar inquieta sem um espaço adequado. Na mega era tudo lindo, cheiiio de coisas coloridas, até as meninas do Frouzen estavam lá! Tinha algodão doce! rss … mas não podia levar criança =( Eu até vi alguns bebes de colo, presos ao corpo dos pais, não sei se pedirão autorização, mas entraram. Enfim… convivendo com a exclusão materna!

  5. aperin
    jul 12, 2015 @ 20:04 {Responder}

    gostaria de ter ido à mega para mostrar à ela , que já tem oito anos ( comecei a fazer crochê com essa idade). como existem mtas formas de fazer arte. Mas vou ter q adiar esse sonho, de passar essa experiência e quem sabe introduzir no mundo mais uma artesã?

    • Isabela Kanupp
      jul 13, 2015 @ 02:47 {Responder}

      Pois é, tem isso também não é? :/

  6. Marcos Santos
    jul 12, 2015 @ 23:39 {Responder}

    A maioria dos homens de fato parece que acha criança radioativo, nem fica perto muito tempo.
    Mas e no caso dos homens que querem exercer a paternidade, mas não conseguem pela resistência contra a guarda compartilhada.
    A guarda compartilhada não seria então uma oportunidade de empoderamento da mulher?

  7. Juliana
    jul 13, 2015 @ 00:09 {Responder}

    Ola Isa , muito bom seu texto , é exatamente isso que acontece … eu desde que tive meu filho n faço nada que n seja com ele , e qdo faço sem ele tenho horários específicos e n são de madrugada pro exemplo. Nós eu e ele somos excluídos sim da vida la fora , a todo tempo. Eu frequento universidade e la é a mesma coisa , poucas as pessoas querem ajudar , muito poucas , tenho muitas amigas de confiança e tal , mais mesmo assim elas tem seus limites tbm , os espaços feministas que TENTO participar tbm não são nada empáticos, vc disse tudo sobre esses lugares tbm… e o que eu tenho a nítida impressão qdo chego nos lugares é como se eu já estivesse querendo que alguém ficasse com o meu filho. isso tudo é uma bosta e eu sei bem como é …

    • Isabela Kanupp
      jul 13, 2015 @ 02:51 {Responder}

      Juliana você falou exatamente o que sinto, eu tenho a mesma impressão que toda vez que chego nesses lugares as pessoas acham que já cheguei com essa intenção. É uma bosta.

  8. isadora Franco
    jul 17, 2015 @ 12:34 {Responder}

    Pois é, nem institucionalmente somos contempladas: fui como representante da escola pública do meu filho mais velho, na categoria família, a Pré-conferência e a Conferência Municipal de Educação de Campinas com minha bebê de 1 mês(porque eu n”a vou deixar uma bebê que mama em Livre demanda e exclusivamente com ninguém por um evento feito de dia e no qual eu estava exercendo a participação que me cabe por direito inclusive como mãe – e se eu não tivesse com quem deixar o mais velho nesse dia, levava também). A Pré Conferência foi realizada num lugar que não só não tinha uma p* de um trocador, como não tinha um único lugar possível em que eu pudesse deitar minha bebê para trocá-la. Tive que deitá-la na tampa da privada, foi horrível, e se fosse agora, 2 meses depois,com ela grande como está, eu não teria conseguido nem assim. Além disso, tive que aguentr os olhares tortos das pessoas “ah, tadinha, tá aqui”. Mas eu vou. Eu fui e vou de novo sempre que eu estiver minimamente com paciência, porque eu acho sim que temos que ocupar os espaços públicos e de militância. Por muito tempo, eu ia mas ficava implorando pro meu filho mais velho fazer silêncio. Hoje eu já não imploro mais não, eu ocupo os espaços com ele sempre que preciso, explico o mundo para ele e se me encherem vão ouvir. Essa solidão é terrível, dá muita raiva, mas acho mesmo que, dentro dos nossos limites, se não insistirmos e não ocuparmos o espaço com nossas crianças, isso nunca va mudar….

  9. Maya
    ago 04, 2015 @ 01:30 {Responder}

    Eu sou uma dessas mães empreendedoras e fiquei interessadíssima em visitar essa feira, mas não tinha certeza de que poderia entrar com meu filho de 5 meses na época da feira, já que não especificavam crianças de que idade não eram permitidas. Também perdi o interesse em PAGAR pra entrar em um lugar que não me acolhe, que me exclui como mãe, que não recebe meu filho e nem coloca uma notinha “não aceitamos a entrada de crianças por tal motivo”, pra pelo menos tentar esclarecer. To fora.

  10. Roberta
    ago 25, 2015 @ 11:23 {Responder}

    Olá Isabela,

    Primeiramente, parabéns pelo seu blog! Achei fantástica a proposta! Sempre bom ter mulheres pensantes e ativas que se dispõe de seu tempo e conhecimento para ajudar as próximas!

    Na verdade, estou comentando aqui pois vi um post seu de 2012 sobre o DIU de cobre!

    Estou no processo de escolher se ponho ou não e a gente lê tanta coisa ruim na internet né? Gravidez, depressão, contaminação por cobre, pele oleosa… Enfim, uma infinidade.

    Ao procurar médicos eles só sabem indicar o Mirena, que pra mim é inútil já que o objetivo principal do DIU de Cobre é parar de adicionar hormônio no meu corpo.

    Bom, vi que colocou o seu em 2012. Ficaria extramameente agradecida se pudesse me dizer suas impressões atuais sobre o DIU! Não sei se ainda usa, se engravidou, não consegui acompanhar o blog.

    Muito obrigada!

    Roberta

    • Isabela Kanupp
      ago 27, 2015 @ 01:05 {Responder}

      Roberta, tudo bem?
      Obrigada pelo seu comentário.

      Bom, coloquei em 2012 e até então estou com o mesmo. Não houve mudança alguma em relação a antes de colocá-lo (antes estava sem hormonio sintético), não aumenta o fluxo, não engravidei, não vi diferença alguma na minha pele e se tive contaminação por cobre não fiquei sabendo. 😛

      Se quiser mais detalhes, pode enviar um email para mim: contato@parabeatriz.com

      Abraços.

  11. nov 29, 2015 @ 20:50 {Responder}

    […] a militância pode nos deixar doentes. De fato isso pode acontecer, principalmente porque por vezes nos sentimos muito solitários, e comigo aconteceu. Boa parte da minha depressão tem relação com a militância, por mais que, […]

  12. jan 22, 2016 @ 20:57 {Responder}

    […] falei aqui sobre a solidão da mulher mãe, e todas nós que somos mães sabemos como nossos amigos se afastam quando estamos grávidas. A […]

  13. jan 25, 2016 @ 09:16 {Responder}

    Fui num encontro do partido ao qual sou filiada outro dia, e tinha um Espaço Kids organizado por não-mães. Super legal, se não fosse após uma escada absurda, e em frente uma varanda. Levei minhas 3 filhas junto com meu companheiro…quando vimos a escada e a varanda…rimos. Nenhuma mãe teria pensado num Espaço Kids ali. Resultado, ora eu, ora ele, não assistimos nada da reunião, olhando criança subindo e descendo loucamente a perigosa escadaria…rsrsrs dureza.

  14. Jéssica
    jan 25, 2016 @ 11:54 {Responder}

    Eu confesso que este texto foi um tapa na minha cara, nunca pensei sobre os dilemas da maternidade, pois nunca quis ser mãe, e não vi o quanto estava sendo egoísta por isso, a questão da maternidade tem que ser mais discutidas dentro do feminismo, tem varias postagens que dizem que nós nao precisamos ter filhos se não quisermos, mas e se quisermos? e se tivermos? o fato do feminismo lutar pela opção de não termos filhos, não anula a luta da inserção da mulher mãe na sociedade, eu realmente peço desculpas a todas as mães, por nunca ter refletido sobre o tema, mas como feminista mudarei minha postura.

  15. jan 27, 2016 @ 22:56 {Responder}

    Olá Isa, concordo com tudo que você escreveu! Agora adicione nesse seu pensamento a mãe com uma criança “categorizada”como hiperativa, e que não aceita medicação e busca por métodos alternativos para lhe dar com a sobrecarga de energia do filhote?!
    Quantas inúmeras vezes já tive dobrado esse olhar de reprovação!
    Pra mim, discordo quando dizem que a ritalina é o caminho mais fácil, pois no geral, os pais passam por tantos maus bocados, e com tanta pressão externa pra criança ser comportada, que num ato desesperado eles recorrem a medicação já cansados e sufocados pela sociedade. E acredite, ir na contramão de tudo isso é bastante desafiador e solitário, mas tenho convicção que estou no caminho certo!
    Super válida sua reflexão! Obrigada por me descrever um pouco no seu texto!

  16. fev 04, 2016 @ 14:20 {Responder}

    […] falei aqui sobre a solidão da mulher mãe, e todas nós que somos mães sabemos como nossos amigos se afastam quando estamos grávidas. A […]

  17. Bruna
    fev 27, 2016 @ 23:32 {Responder}

    Concordo com tudo, mas.. Não vai responder ao comentário do Marcos? Respondeu a vários comentários que vieram após o dele.

    • mar 21, 2016 @ 16:57 {Responder}

      Bruna, não temos por hábito responder a todos os comentários mesmo. Não entendi, você tem a mesma duvida que ele?

      Abraços.

  18. mar 30, 2016 @ 00:14 {Responder}

    […] autonomia do que uma mulher sem filhos, nossos filhos não são bem aceitos nesses espaços – até mesmo nos espaços feministas, que também são espaços políticos – e nossa disponibilidade de tempo é totalmente diferente. […]

  19. mai 11, 2016 @ 21:58 {Responder}

    […] A solidão materna – Até no espaço feminista. […]

  20. set 19, 2016 @ 02:06 {Responder}

    […] Vivemos em uma sociedade onde a grande maioria das mulheres são mães de forma compulsória, seja porque nenhum método anticoncepcional é 100% seguro, seja porque o aborto é ilegal no Brasil. Pouquíssimas mulheres engravidam porque querem, porque desejam, porque escolheram engravidar, e mesmo dentro desse nicho de pouquíssimas mulheres, ainda assim, temos que avaliar até onde foi essa escolha, já que somos levadas a crer desde pequenas que a maternidade é nosso destino biológico e social, nosso dever como mulher. Devemos entender que discurso contra mulheres e contra crianças (que também é uma classe oprimida), jamais será libertador. Destilar ódio contra crianças, chamar essas crianças de “catarrentos” – como vocês podem notar, na maioria dessas páginas childfree -, jamais será algo pró-mulher ou algo feminista. Justamente porque não vê a criança como uma classe oprimida, justamente porque quando se exclui crianças, quando destila ódio a crianças, você está fazendo o mesmo com suas mães, você está excluindo suas mães. Porque sim, na nossa sociedade, mesmo nós não querendo e lutando muito para isso mudar, crianças ainda são vistas – e em geral são – responsabilidade apenas da mãe. Se você exclui uma criança de um ambiente, consequentemente estará excluindo sua mãe também. […]

  21. out 03, 2016 @ 19:36 {Responder}

    […] falei que o feminismo pode ser um movimento muito solitário para mulheres mães, afinal, nós já somos sistematicamente excluídas e mesmo dentro de um movimento no qual deveria […]

  22. out 17, 2016 @ 12:31 {Responder}

    […] A maternidade é um caminho absurdamente solitário. Ainda hoje, dentro da mídia comum, temos pouquíssima informação prática sobre a maternidade, sobre criação e educação de crianças e sobre questões práticas do dia a dia. Mesmo muita coisa tendo mudado de 2009 para cá, a maior informação que conseguimos sobre o assunto, ainda é na internet. Quando comecei já existiam diversos blogs maternos – e acredito que bem mais do que se tem agora -, assim como muitos blogs daquela época ainda existem até hoje. Porém, por algum motivo, o Para Beatriz foi crescendo e formando uma rede de pessoas que liam e compartilhavam suas experiências dentro da maternidade. Em 2012/2013 o blog mudou, por uma questão ideológica e do momento no qual eu estava vivendo, tomei a atitude de apagar todas as publicações anteriores a aquele ano, deixando somente o que era mais informativo, e restringindo a exposição da Beatriz na internet. Foi uma atitude muito bem pensada e que tinha seus prós e contras, mas não me arrependo e acredito que foi uma das melhores mudanças do blog. Claro que salvei todas as publicações para a Beatriz ler, pois essa sempre foi a minha intenção ao criar o blog. O maior contra – ainda mais para quem, naquela época, já “vivia de blog” -, era perder leitores. Justamente porque o blog estava mudando totalmente sua “linha editorial”, a forma como ele era escrito, a questão ideológica que havia comigo ficou bem exposta nele e esse risco era real. De fato aconteceu, mas muitos leitores continuaram a nos acompanhar e é uma alegria imensa saber que existem pessoas que me acompanham desde o início do blog. […]

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