16 dez 2015

A Depressão para além do parto e a psicofobia.

Post por Isabela Kanupp às 23:20 em Feminismo, Maternidade

depressão

 

Muitas pessoas já me pediram para escrever sobre depressão pós-parto, não o fiz até hoje porque eu não tenho a mínima vivência com isso e para ser bem sincera, nos últimos dez anos, meu pós-parto/puerpério foi um dos poucos momentos da minha vida onde estive muito bem em relação à depressão. Mas tenho vivência suficiente para falar de depressão. E precisamos falar disso.

Uma noite eu surtei, já estava tendo episódios de insônia e pequenas crises de pânico – que até então, eu não sabia que eram crises de pânico – há um tempo, mas naquela noite foi diferente. Eu não conseguia me controlar. Passei a noite escrevendo, passando muito mal. Em desespero mesmo. No outro dia fui encontrar um amigo. Eu queria me suicidar, mas queria deixar algumas coisas resolvidas antes. E ao encontrá-lo ele notou que algumas coisas não iam bem, me socorreu, me levou para um hospital psiquiátrico. Naquele dia, naquela consulta, eu não contei sobre a idealização de suicídio mesmo quando fui questionada sobre isso, tive medo de ficar ali, e a realidade de um hospital público na área psiquiátrica pode ser bem assustadora a primeira vista e para mim foi.
Naquele dia eu fui diagnosticada com depressão severa e TAG – Transtorno de Ansiedade Generalizada. Saí com duas receitas: um antidepressivo e um ansiolítico.

Mas minha história com a depressão não começa aí. E para dizer bem a verdade, eu não sei determinar exatamente onde começou, o que sei é que meu primeiro diagnóstico foi aos 15 anos e ali iniciei o meu primeiro tratamento – o qual nunca deveria ter deixado.
Fui diagnosticada com depressão leve, fiz tratamento com um medicamento que eu não sentia nada – mas na verdade, era justamente essa a função dele e hoje sinto saudades de “não sentir nada” -, e fiz terapia enquanto meu convênio dava conta e minha situação financeira também. Aproximadamente dois anos depois larguei tudo por me sentir bem. Eu me dei alta. E isso não significa que eu estava curada da depressão e acredito que esse foi um erro muito grande. Achar que eu estava bem.

E realmente eu passei alguns anos muito bem. Logo depois engravidei, depois que a Beatriz nasceu a depressão não surgiu no puerpério, e foi assim durante os primeiros anos dela. Até eu me dar conta que eu estava em um relacionamento abusivo e ver novamente os sinais da depressão que ali estava – e sempre esteve –, só que muito bem escondida.
E nesse momento eu deveria ter procurado ajuda, mas na época não vi necessidade – doce ilusão – e após a separação eu vivi uma fase muito tranquila onde deixei esse assunto/problema totalmente de lado.
Então em 2014 eu senti ela vindo com tudo. E pedi ajuda em uma consulta com um clínico geral no posto de saúde, pedi um encaminhamento para uma psicóloga – e eu acredito muito que naquele momento, eu não precisaria ser medicada, apenas de um acompanhamento mesmo – e esse encaminhamento foi negado, com o argumento de “você não precisa disso, depois falamos sobre isso”, isso foi em Junho de 2014. Em meados de Novembro de 2014 eu surtei.

E porque estou falando tudo isso?
Porque 2015 foi um ano muito difícil. Eu tive muito medo. Medo do medicamento – os mais fortes que já tomei -, medo de me sentir dopada e anestesiada no mundo, medo de “não me sentir mais eu” (aliás, eu perguntei isso para várias pessoas que eu sabia que tomavam esse medicamento). Medo de surtar, de ver a vida passar enquanto eu estava no quarto, medo de me abater a um ponto absurdo e surreal.
Porque eu tive de aprender a lidar com a depressão, que por si só já é um tabu na nossa sociedade, eu tive de aprender a lidar com o fato de ser uma mãe depressiva – o que também é um puta de um tabu! -, eu tive aprender a lidar com o meu descontrole.
E após um ano eu decidi me expor. Mesmo sabendo que eu não preciso, que isso é um prato cheio para quem quer ver nosso mal, que isso ainda é usado como justificativa para diversas coisas (“ela é assim porque tem depressão” “ela é assim porque é infeliz”), inclusive em meios que são ditos mais revolucionários e fora do senso comum. A verdade é que a nossa sociedade é muito psicofóbica, mesmo onde menos esperamos ou onde não deveria jamais ser.

Nesse um ano eu passei por muitas coisas ruins: me vi sem vontade alguma de sair da cama, e cedendo a esse desejo de permanecer deitada, enquanto a minha filha pedia para eu brincar com ela. Precisei tirar forças de onde eu não tinha (e não queria ter) para conseguir preparar um almoço para ela. E quando não conseguia mais nem fazer isso, tive de me afastar da minha filha deixando ela sob os cuidados de outras pessoas (e sou grata a todas elas). Eu passei por muitos medos que tive no início. Eu passei semanas na cama. Eu surtei. Eu idealizei suicídio incontáveis vezes. Eu me senti muito sozinha mesmo quando não estava. E claro… me senti um fardo para muitas pessoas.

E eu sei que todas essas sensações e crises podem surgir a qualquer momento novamente.

Eu decidi me expor por principalmente dois motivos: 1) Eu notei que quando eu comecei a falar sobre isso publicamente, mesmo que em pequenos textos no facebook, eu me sentia melhor e via que eu não era a única passando por tudo isso. 2) Eu notei que assim como eu me sentia aliviada, outras pessoas também se sentiam aliviadas por falar sobre isso.

A questão é bem maior do que a depressão. A questão é ser mãe e ter depressão. É como se não pudéssemos ter, como se devêssemos ser fortes o tempo todo porque somos mães, logo somos inatingíveis. Aquela coisa do: mãe não pode ficar doente. Pode sim e fica.

depressão

Eu não sou especialista, não sou psicóloga, não sou psiquiatra. Mas o que aprendi com a minha vivência nesse último ano, foi que a depressão não é igual para todos e pode, inclusive, ter “sintomas” totalmente diferentes na mesma pessoa em determinados momentos.
Em algumas crises eu quis comer até a parede de casa, eu comia o tempo todo, não era fome, não era compulsão, eu não sei o que era, era automático. Eu comia o tempo todo. Em outras crises passei dias sem me alimentar e comida era a última coisa em que eu pensava na vida.
Em algumas crises eu queria a Beatriz bem perto de mim, me fazia bem estar com ela mesmo com toda a dificuldade cotidiana – levantar da cama e fazer um almoço parecia ser a tarefa mais difícil do mundo. Em outras ela próxima a mim não ajudava em nada, na verdade, só piorava. Não por ela. Mas por mim. Eu me sentia mal por não ser aquela mãe que eu queria ser e não conseguia. Me sentia tão mal que preferia que ela não me visse daquele jeito. E eu sou muito privilegiada por ter uma rede de apoio que ficasse com ela, que pelo menos em partes entendia a minha situação.

Mesmo que meu primeiro diagnóstico tenha sido dado em 2005, minha vivência e entendimento da depressão mudou completamente depois do segundo diagnóstico em 2014. Talvez porque dessa vez tenha sido muito mais grave a situação, porém, eu desconstrui muita coisa e ainda desconstruo.
Para vocês terem uma noção eu só me assumi doente esse mês. Eu estou doente. E eu só tive essa assimilação da situação após uma postagem no facebook, onde dizia que iria me afastar um tempo em decorrência da depressão e muitas pessoas desejaram que eu “me curasse” e “ficasse bem” logo. E então eu assumi para mim que eu estou doente. E que como a maioria das doenças, eu por vezes fico impossibilitada de fazer algumas coisas.

É muito difícil se assumir depressivo. Eu lembro que na adolescência rolava uma glamourização da depressão – e até hoje isso acontece em algumas “partes” da sociedade -, eu glamourizava a depressão e aquilo era como se fosse algo cool. Hoje tudo o que eu mais queria era acordar e nem lembrar que um dia tive depressão.
Porém, hoje talvez com as vivências que adquiri nos últimos 10 anos, e principalmente no último ano, eu consigo ver como nossa sociedade é psicofóbica e por vezes, até mesmo nós somos, mesmo tendo depressão. Talvez minha negação de me assumir como alguém que está doente, tenha relação com isso.

Infelizmente essa psicofobia nos atinge mais quando vem de onde não esperamos.
Eu demorei para contar para meus amigos sobre a depressão, sobre suicídio. Demorei para falar para a minha família e mesmo assim ainda não é um assunto que falamos na reunião de família ou no barzinho no fim de semana.
Mas eu precisei assumir isso, precisei contar para conseguir ajuda. Para conseguir explicar o contexto que estava a minha vida e o porquê eu não conseguia dar conta de tudo. O porquê as vezes eu não queria sair da cama. O porquê as vezes eu “não tava afim” de fazer algo “super legal”. Precisei porque em momentos de crise, que quero me jogar na frente de um caminhão, eu preciso de contatos seguros que me ajudem. E eu precisei conversar com uma amiga e pedir para ela ser esse contato (além de outro amigo meu, que desde o início esteve a par da situação).
E depois precisei falar e falar e falar e falar incansavelmente sobre o assunto, porque muitas vezes, por mais que eu quisesse do fundo do meu coração sair da cama e fazer qualquer outra coisa, eu não conseguia.

depressão

Essa psicofobia me atingiu quando um familiar me disse que: “Você precisa QUERER melhorar”.
Essa psicofobia me atingiu quando uma psiquiatra do CAPS me disse: “Você tem uma filha linda, não tem que ficar deprimida!”.
Essa psicofobia me atingiu quando comentei em meu antigo local de trabalho sobre o tratamento psiquiátrico que estava passando e precisaria me ausentar um dia e ouvi de uma funcionária: “Isso é falta de deus, procura uma igreja”.
Essa psicofobia me atingiu quando uma amiga me disse: “Pra isso você não tem depressão, né?”.
Essa psicofobia me atingiu quando ameaçaram de tirar a guarda da minha filha porque: “você é muito instável, toma esses remédios ai, e se fizer algo com ela?”.
Essa psicofobia me atingiu, com uma dose de machismo, quando falaram: “sua depressão é falta de macho”.
Essa psicofobia me atingiu, com uma dose de gordofobia, quando me falaram: “você tem depressão porque não se cuida, se emagrecesse você ia ver como seria diferente…”.
Essa psicofobia me atingiu quando me falaram: “quando você morrer será um alívio”.

E justamente por atingir tanto, e óbviamente não somente a mim, deixamos de falar sobre isso. Porque as vezes é mais fácil ficar em silêncio do que aguentar tudo isso, ainda mais estando em uma situação como essa.

Claro que em meio a tudo isso, encontrei apoio em lugares nos quais não esperava. Foi falando sobre isso que encontrei outras mulheres-mães na mesma situação, foi falando sobre isso que tive apoio de alguns familiares – mesmo que parcialmente -, foi falando sobre isso que encontrei pessoas empáticas.
Um dia minha terapeuta me disse que sou muito exigente. Eu logo comecei a rir e falar que era CLARO que eu não era muito exigente “olha pra mim, tô longe de ser exigente”. E ela falou: “Você me contou que para escrever um texto demora horas, pesquisa, lê novamente, e faz mil coisas. Por medo de errar. Por medo de não ser suficiente. Você também é assim como mãe. Você se exige demais.”. E só muito atualmente eu entendi que eu realmente exijo demais de mim. E eu cansei de ser (ou me mostrar) super forte. Porque às vezes eu não sou. Às vezes eu quero jogar tudo para o alto, quero ser inconsequente, quero chorar até ficar com a cara inchada, quero não ter que pensar em nada, as vezes eu quero ser acolhida e não ser a pessoa que acolhe.

E tudo isso eu aprendi no último ano. Que assim como a depressão ainda não acabou. Estamos no ultimo mês de 2015, mas estou longe do meu último mês da depressão. Porém eu quero seguir, não pela minha filha, não porque “o que escrevo é muito importante para outras mulheres”, mas eu quero seguir por mim. Eu quero ser egoísta e seguir por mim. Não sei como 2016 será em relação a isso, hoje eu estou bem mas amanhã posso não estar, mas eu quero continuar aprendendo mesmo que para isso  eu precise me expor, mesmo que para isso eu precise surtar, ver tudo desabar, sentir que não há solução. Eu sei que não estou sozinha. E sei que precisamos continuar falando sobre depressão.

 

depressão

Resiliência: “Na área da psicologia, a resiliência é a capacidade de uma pessoa lidar com seus próprios problemas, vencer obstáculos e não ceder à pressão, seja qual for a situação.”

 

 

 

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18 comentários para "A Depressão para além do parto e a psicofobia." | Adicione o seu »

  1. dez 17, 2015 @ 00:27 {Responder}

    […] A Depressão para além do parto e a psicofobia. […]

  2. Denise
    dez 17, 2015 @ 01:21 {Responder}

    Muito corajoso seu relato. Realmente esse é um assunto tabu e poucas pessoas sabem lidar com uma pessoa com depressão. Eu tive depressão na gravidez, junto com uma crise severa de ansiedade e ataques de pânico. Justo eu que lutei por 4 anos pra conseguir engravidar, fiz mil tratamentos, e quando consegui o que sempre quis odiei cada minuto. Todo mundo dizendo o quanto estar grávida era uma bênção, o quanto grávidas ficam lindas, e eu me sentia sempre mal: vomitava horrores no primeiro trimestre, depois veio uma azia severa que me acordava a noite com pontadas fortes no peito, a falta de ar me dava pânico, e chegou a um ponto que cada chute do bb (que eram constantes) acionava um ataque de pânico. Com 28 semanas de gravidez baixei no hospital com suspeita de parto prematuro causado por uma desidratação porque eu não conseguia mais comer ou beber. Descartado o parto prematuro, me mandaram pra casa dizendo que eu precisava me alimentar bem pelo bb. Por sorte na consulta seguinte com meu OB 2 dias depois eu tive uma crise de choro no consultório e ele foi sensacional, me levou pra conversar com uma terapeuta de plantão na clínica, conseguiu me encaixar numa consulta de emergência com uma psiquiatra especializada em pré e pós parto que por sua vez me encaminhou a um psicólogo que foi meu porto seguro até o final da gravidez. E meu OB também foi ótimo, fazia consultas mais frequentes, discutia comigo a possibilidade de adiantar um pouco o parto se eu não melhorasse (porque no auge da crise eu devo ter comentado que não aguentava mais estar grávida e queria dar um fim a tudo). Enfim, consegui evitar a medicação na gravidez (por medo de piorar meu quadro, pois já estava na reta final e não conseguiria lidar com eventuais efeitos colaterais do antidepressivo) e segui até 39 semanas graças a um ótimo suporte dos profissionais de saúde ao meu redor e do meu marido (como moramos fora do Brasil, não temos o suporte da família e poucos amigos mais próximos que fizemos aqui chegaram a saber o que passei até recentemente). Felizmente depois do parto tudo isso sumiu e sigo bem até hoje (1 ano depois), mas sei que os motivos que levaram a depressão e a ansiedade extrema podem voltar a qualquer momento. Entendo sua luta, e realmente é um longo caminho, mas vc já fez a parte mais difícil: buscar ajuda e reconhecer que tem uma doença que precisa ser tratada. Boa sorte na sua recuperação e sinta-se abraçada ainda que virtualmente.

  3. Ju Umbelino
    dez 17, 2015 @ 16:59 {Responder}

    Você é INCRÍVEL! <3

  4. Cintia Marques
    dez 17, 2015 @ 17:11 {Responder}

    Depressão é uma doença. Não há dúvida.
    Também não há dúvidas que nosso modo de vida pode agravar nosso estado clínico – um diabéticos que não faz dieta, um cardíaco que é sedentário, um reumático que abusa do sódio com certeza vão piorar a fragilidade que seu sistema já tem.
    Você adora detestar as pessoas, se promove destruindo o que os outros fazem, se orgulha de provocar antipatia, banca a fiscal da vida alheia. Isso pode ser um sintoma da sua doença, mas, sem dúvida nenhuma, promove seu agravamento.
    Ninguém precisa odiar para ser feminista. Você não foi eleita a ouvidora da blogosfera materna. Cuidar de ter mais endofina é muito melhor para a sua saúde do que malhar a vida alheia. Seu comportamento é o de quem tem câncer de pulmão e continua fumando.

    • dez 17, 2015 @ 19:43 {Responder}

      Começou falando bem e dai falou bosta.
      Cintia, olha só, se o crítica não é defeito, muito menos ser combativa. E não, minha depressão não tem origem nisso e nem continuidade por causa disso.

      Mas você, que se acha tão diferente, tão “sem odio” acaba de fazer isso aqui, está de parabéns viu? Eu prefiro continuar sendo eu, depressiva, crítica e combativa do que sendo você. Que só por esse comentário já mostrou por que veio. 😉
      Fico feliz de saber que estou incomodando tanto, mas tanto, que pessoas como você (que quero bem longe de mim) se da ao trabalho de vir comentar aqui. Vidão o seu heim?

    • Mona
      dez 17, 2015 @ 20:27 {Responder}

      Cintia Marques,
      Demorei a crer que um ser humano (vice) se deu ao trabalho de ler como esse, que foi tão aberto, tão exposto, tão real e vir ser tão grosseira, tão insensível, tão antipática,tão baixa.
      Por que uma pessoa se expor, como a blogueiro fez, e vir uma pessoa falar que ela adora detestar pessoas, que ela deleta pessoas…..óbvio, se eu pudesse eu te delegaria do mundo da internet m pq vc faz mal.
      Atrás de uma tela de computador vc desferir palavras rudes a uma pessoa que está doente……e sendo que essa pessoa somente veio até aki escrever sobre o que vai de mais íntimo dentro dela.
      Numa boa, pense antes de escrever.
      Seja mais humana.
      Tenha mais empátia.
      Quando não tiver algo útil para falar,fique muda…..seja sábia.
      O mundo ta do jeito que está, pq pessoas como vc se acham no direito de traçar pedra nos outros de forma anônima né…..pq nem foto vc tem.
      Seja mno mínimo digna pra criticar alguém e mostre sua cara.
      Até e melhoras…..
      Desejo q um dia se torne um ser humano melhor.

    • dez 17, 2015 @ 21:14 {Responder}

      E só mais uma coisa Cintia, para você ver como seu discurso é tão mais do mesmo, que eu já até escrevi sobre isso:

      “Sim, vamos ter mais amor, mas vamos ser mais combativos também. Ser combativo não significa falta de amor, quem é crítico dentro da sociedade não é falta de amor, não é falta de amor apontar racismo, apontar discurso elitista, não é falta de amor se posicionar, na verdade é excesso, excesso de amor por si, excesso de amor por tantas pessoas que são invisíveis na sociedade.”

      http://www.parabeatriz.com/mais-amor-por-favor/

      Olha só, você não está sozinha! Gente escrota como você, tem aos montes na nossa sociedade. Que tenta silenciar usando o argumento de falta de amor (ou ódio né? “odeia todo mundo”), que acha que qualquer pessoa combativa é cheia de ódio.

      Sou cheia de ódio não, amo pra caramba, amo pra caralho. Mas isso jamais me tornará acrítica, jamais me tornará silenciosa diante das injustiças. Sou combativa sim, e novamente, prefiro continuar sendo do quer ser como você! 😉

    • dez 21, 2015 @ 12:52 {Responder}

      Nossa, que comentário lamentável. Inacreditável. Essa turma que vive pregando o “mais amor por favor”, que vive pregando essa empatia de facebook,”gratidão” e tals, não se cansa de silenciar as outras pessoas até mesmo em um momento de exposição e dor como esse. Toda minha solidariedade a você Isabela. Cíntia Marques perdeu uma bela oportunidade de reflexão e aprendizado ao utilizar o texto como pretexto para vir aqui expor sua “opinião” sobre a Isabela. Isa, obrigada por ter se exposto dessa forma. Por ter tratado desse tema tabu e com isso contribuir para ajudar tantas outras pessoas. Essas questões precisam ser expostas, precisam sair de trás da cortina e você corajosamente tem feito isso e nós devemos mesmo de longe, mesmo virtualmente, contribuir para te fortalecer de alguma forma e você certamente está fortalecendo muitas pessoas. Eu não tenho vivencia em depressão, mas tenho pessoas na minha família, minha cunhada e minha irmã que vivem com essa doença. É até difícil escrever isso – DOENÇA – eu demorei muito para entender que se trata sim de um problema de saúde, e realmente a maioria das pessoas acham sim, que é preguiça, frescura, fraqueza de personalidade, falta de macho. Esse argumento da Cíntia é novo viu, ter depressão por ser crítica e combativa… sinceramente… o que dizer né? Eu sinto muito orgulho de você Isa, da sua garra, da sua capacidade crítica. Eu tenho você como exemplo, tanto pelos textos bem escritos quanto por suas atitudes.

  5. Patricia Miranda
    dez 17, 2015 @ 20:13 {Responder}

    Minha irma teve depressao pos parto, minha familia mora em SC e eu em SP, notei que tinha algo estranho qdo falei com ela ao telefone e pedi pra familia que a levasse ao medico e depois ao psicologo. Bom, como vc msm disse, o assunto eh tabu e minha familia mtooo religiosa, achou que soh orar ia resolver… que dizer, assim como a colega dos comentarios, que “ter odio” ia piorar, que ter mais fe ia resolver, que orar mais ia resolver, que “ter vontade” ia resolver. Pra encurtar a historia, uma tentativa de suicidio, meses de medicacao e terapia, minha estadia la abandonando tdo em SP as pressas, carregando meu bebe de colo comigo e mtaaa empatia e apoio verdadeiro depois, ela ficou curada.
    Ps. sou psicologa e atendo casos de depressao, posso atestar que dona cintia fazendo juizo de valor a partir do achismo dela e do que pensa de vc pessoalmente, nao ta ajudando em nda.

    • dez 17, 2015 @ 20:20 {Responder}

      Patricia, mas acredito que a Cintia nunca teve intenção de ajudar mesmo. Ela só endossou o que disse no texto: que pessoas usam disso quando nos expomos para serem maldosas e que ainda existe muita psicofobia na nossa sociedade! 😉

      E obrigada por compartilhar seu relato aqui!

  6. Fer
    dez 17, 2015 @ 20:17 {Responder}

    A pessoa q se dá o trabalho de vir fazer um comentário infeliz desses, com certeza não assimilou o texto. Miga, volte duas casas e se oriente pq ainda dá tempo!
    Ah, e a propósito: tem que odiar muita coisa pra ser feminista SIM.
    Beijão

  7. Camila
    dez 17, 2015 @ 20:30 {Responder}

    Isabela, conheço a depressão e estados extremos de ansiedade bem de perto. Gostaria de te dizer que eu te entendo e te admiro. Vc me adicionou no facebook, ainda não te conhecia, mas gostei muito de te “conhecer” (virtualmente). Às vezes a exposição se faz necessária e vc é muito corajosa por isto, entre outras coisas q vc faz. Desejo a tua melhora e acredito que com a rede de apoio q vc citou, conseguirá superar esta doença. Eu cheguei a planejar, mas nunca concretizei planos suicidas pois eu digo q sabia q existia uma luz no fim do túnel/poço, por mais q eu não a enxergasse. Hoje sinto-me bem, mas tenho um pouco de medo de voltar a doença, pois eu me dei alta da terapia e do antidepressivo há uns 4 anos mais ou menos. Mas acredito q da mesma forma q existe a chance de voltar, tb pode existir a mesma chance de não voltar…

  8. paula
    dez 18, 2015 @ 10:27 {Responder}

    oi Isabela,depressão é uma doença complicada acaba não só com a pessoa que tem depressão mas com todos a sua volta pq é muito difícil o diagnóstico ( cada pessoa reage de maneira diferente) e tratamento certo e também extremamente demorado, na verdade nem sei se tem fim penso que é manutenção o resto da vida.
    meu marido tem depressão em 2013 foi muito forte e ele não quis tratamento e qdo. pedi ajuda para minha sogra a resposta foi que ele queria chamar atenção e que depressão era frescura, o irmão e o primo deram risada e falaram tadinho está deprimido e uma tia dele que o convenceu a procurar tratamento inclusive foi quem correu com ele para o médico,pois ele já estava pensando em suicídio e eu estava na fase de mudar de casa e tinha medo de deixar ele sozinho e um dia fui em uma loja de móveis e qdo. olhei ele estava deitado em um sofá da loja chorando.ele tomou medicação forte e foi para academia, na verdade eu matriculei contra vontade dele, mas no inicio ele ia forçando e com o tempo a medicação foi se ajustando (foi demorado acertar a medicação)e ele foi gostando da academia.e fez como você parou por conta própria a medicação, mas não está curado, só sei que tenho medo, pois é como uma bomba uma hora isso vai estourar, mas entendo ninguém gosta de ficar dependendo de remédio.
    Isabela desejo que você fique bem e se puder faça um exercício, caminhada ou corrida isso ajuda muito sei que é extremamente difícil fazer exercício nesta situação mas vai devagar, no dia em que se sentir melhor faz uma caminhada. que bom também que vc tem amigos para contar nesta hora, porque não é nada fácil muitas pessoas se afastam e criticam.
    beijos

  9. Nana
    dez 18, 2015 @ 22:16 {Responder}

    E se eu te contar que há dois dias atrás escrevi um e-mail falando EXATAMENTE sobre isso?
    E se eu te contar que no campo destinatário estava você?
    E se eu te contar que não fui capaz de clicar em enviar?

    Olha, Isa, nesses anos todos que te sigo, já concordamos em muitas coisas, discordamos de tantas outras. Vi sua evolução como mãe da Bea e como feminista. Mas faltava você. E, talvez, no íntimo eu soubesse que o motivo de faltar ver você, é o mesmo que também me aprisiona.

    Prazer em (re) conhecê-la, Isa.

    Vamos juntas que dói menos.

  10. jan 06, 2016 @ 10:49 {Responder}

    Só consigo aplaudir seu relato. Obrigada por dividir conosco sua história.

  11. mar 23, 2016 @ 14:26 {Responder}

    […] muito tempo, em dias difíceis e em semanas de crises por conta da depressão, foi graças ao blog que consegui sair da cama. Por saber que sou sim um pouco responsável por […]

  12. out 11, 2016 @ 04:30 {Responder}

    […] mesmo aconteceu em relação a depressão – já contei sobre aqui -, apesar de já ter um diagnóstico há 10 anos, parei de me tratar por diversos motivos e quando […]

  13. jan 12, 2017 @ 10:13 {Responder}

    […] conosco, algo que pode ser um sinal de um problema antigo (como no meu caso, já falei sobre isso aqui) ou algo […]

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