28 jun 2016

Minha filha não é feminista.

Post por Isabela Kanupp às 03:45 em Feminismo, Maternidade

minha filha não é feminista

 

Minha filha não é feminista e talvez não seja um dia.
Ela entende muitas coisas, que consigo explicar de forma simplificada no dia a dia, ela já consegue enxergar alguns pequenos machismos do cotidiano, as vezes ela fala coisas que eu nem acredito e acho sensacional, porque na idade dela eu jamais teria esse entendimento. Mas ela não é feminista.
Crianças não são feministas.
Você pode ser uma mãe feminista e provavelmente está na luta por uma educação menos sexista e mais igualitária, uma educação mais livre onde veja a criança como o indivíduo que ela é. Muito provavelmente, você também perde noites de sono pensando em como explicar as atrocidades do mundo para seu filho, e fica orgulhosa quando percebe que ele assimilou algo que você falou, quando percebe que sua criança chamou a atenção de outra criança e explicou que não existe brinquedo de menina e brinquedo de menino. Eu te entendo e faço parte desse grupo de mães. Porém, nossos filhos não são feministas.
Feminismo é uma luta política, é seguir uma ideologia, é ter prática feminista e lutar contra o machismo. Uma criança, por mais que nós queiramos, não tem capacidade de escolher uma ideologia para si. Não tem essa compreensão de mundo e talvez quando ela crescer e tiver toda essa compreensão, ela não queira escolher essa luta para ela.

Digo isso porque desde que me tornei feminista, apesar de entender a importância de crianças participarem de manifestações políticas e de toda a problemática do direito da mulher levar os filhos nos espaços políticos – e essas crianças serem acolhidas, até mesmo para a não exclusão da mulher -, eu não concordo com crianças carregando cartazes e proferindo palavras de ordem na qual não faz parte do entendimento delas. E justamente por ser feminista, por entender as escolhas dos indivíduos, por entender que somente nós podemos decidir por nós, não acho justo colocar isso para as crianças quando elas não têm ao menos entendimento do que é o feminismo como ideologia política.

minha filha não é feminista
Trago isso para cá, também pela questão conhecida como desilusão materna. Sabe aquelas coisas que nossos pais provavelmente disseram em algum momento da vida, coisas como “fiz tudo certo e meu filho se tornou…”, “eduquei meu filho dentro da igreja e agora ele é…”, funciona o mesmo para nós, mães feministas.
Claro que eu quero que minha filha seja feminista, claro que eu quero que a geração dela perceba muito mais o machismo do que nós – e acredito muito nisso -, claro que eu quero que a minha filha seja minha companheira de luta e serei a primeira pessoa a ensinar para ela questões do feminismo, estarei sempre presente e disposta a ensiná-la sobre isso, porém, eu não posso passar por cima da sua individualidade, do seu poder de decisão sobre a sua própria vida. E não posso me iludir, porque isso também não seria bom para mim.
Se um dia nossas filhas não forem feministas, não significa que erramos. Da mesma forma que meus pais não erraram em diversas questões e os seus também não. Significa que ela tem que passar pela sua própria descoberta, pela sua própria trajetória, até mesmo na questão de descoberta ideológica. Ajudamos com o caminho, mostramos, estamos dispostas a seguir juntas, mas não podemos garantir que esse individuo que chamamos de nossos filhos, irá querer seguir conosco.
Quando eu vejo aqueles memes que dizem “se você me acha feminista, ainda não viu minha filha quando crescer…”, eu acho fofo e espero do fundo do meu coração, que seja assim. Mas não posso garantir para vocês que será. Não posso dizer que minha filha será feminista, assim como não digo que ela é quando fala algo fofo, algo que eu acho sensacional, algo que vai contra a educação tradicional.
Como mães feministas e como cuidadores, nossa luta é sim uma educação livre de sexismo e o mais livre possível do machismo, mas não temos que fazer isso pensando que no futuro teremos mais uma pessoa para somar na luta, temos que fazer isso para garantir o agora.

E não se engane, seu filho falará coisas absurdas. Um dia ele irá soltar que prefere tal coisa porque é azul e azul é de menino. Mesmo você tendo ensinado, repetido e aparentemente ele ter assimilado. Porque crianças são assim, e assim como todos nós, estão recebendo influências das mais diversas áreas da vida, convivem com crianças que receberam uma educação diferente da que damos, com professores, com amigos, com familiares que nem sempre pensam como nós. E eles são uma esponjinha que absorvem tudo. O que podemos fazer é novamente repetir que não existem cores e brinquedos de meninas e meninos, que cores e brinquedos são para crianças independente se são meninos ou meninas e continuar o que estamos fazendo desde sempre.

minha filha não é feminista
Hoje com a Beatriz tendo 6 anos, é mais fácil dialogar sobre diversas coisas que antes eu não conseguia, e às vezes eu pergunto se ela vai querer ser feminista um dia, igual a mamãe. E ela sempre me pergunta, mesmo eu já tendo explicado, o que é ser feminista. Digo que feminista é quem luta contra o machismo, e dou exemplos, dentro da realidade e contexto dela, do que é machismo. Sempre que faço isso ela diz de imediato que será feminista. Mas eu sei que ser feminista vai muito além disso, ser feminista vai muito além de saber que brinquedos não têm gênero, que cores são para todos e que se um menino implica com você não é porque ele gosta de você, é porque ele é mala.

Então, por isso, e por ser feminista, deixo essa decisão para a Beatriz para quando ela tiver idade de entender e decidir sobre isso.

Facebook | Instagram

Ajude o blog a continuar no ar.
Caso queira nos apoiar, poderá doar qualquer valor:

Caixa Econômica Federal Agência: 4490 – Operação: 013 – Conta Poupança: 3987-8
*Para doar não é necessário se cadastrar no PagSeguro ou no Paypal.

24 jun 2016

Vamos falar da romantização da exploração materna?

Post por Isabela Kanupp às 02:19 em Feminismo

Esses dias eu estava no Pinterest procurando imagens relacionadas a maternidade. Então eu encontrei essa imagem:

 

exploração materna

Essa imagem já é antiga, capaz que muitos de vocês já tenham visto, e existem diversas imagens similares a essa.
Há muito tempo, eu não veria absolutamente nada demais nessa imagem e até mesmo acharia fofa, quem sabe até uma homenagem para diversas mães. Afinal, ser mãe não é fácil, ainda mais na sociedade que vivemos.
Porém dessa vez foi diferente.

Essa imagem é muito problemática e faz parte de uma romantização da exploração materna. Mostra exatamente como as mães são vistas na nossa sociedade e como isso é normatizado.
Sim, fazemos o “trabalho de vinte”. E fazemos esse trabalho “de vinte” sozinhas justamente porque homens não assumem sua responsabilidade como pais e cuidadores. Justamente porque vivemos em uma sociedade onde “cada um sabe do seu” e o filho da vizinha é somente “problema” dela.

Não é de hoje que nos deparamos com diversos textos – não somente – na blogosfera materna sobre a exaustão de mulheres mães, sobre como ser mãe é não ter tempo para si, como é cansativo e como chegamos no fim do dia acabadas e claro, finalizando que apesar de tudo isso é ótimo ser mãe, que “ser mãe é assim mesmo”, que somos muito guerreiras por aguentar tudo e não arregar! Mas será que tem que ser assim? Qual seria o problema se “arregássemos”?
Para mim é muito nítido que só nos sentimos sobrecarregadas, exaustas e fazendo o “trabalho de vinte”, porque estamos cuidado sozinha de uma criança que foi feito em dois. Porque estamos fazendo o nosso trabalho e o do outro, nos anulando enquanto o outro segue sua vida quase que normalmente.

exploração materna

Sempre que toco nesse assunto, muitas mulheres relativizam o fato de que, como em geral elas ficam em casa – não trabalham fora -, elas acabam cuidando mais mesmo. Ou até mesmo que o marido trabalha muito e chega muito cansado. Mas, nós sabemos, que ficar em casa não é sinônimo de fazer nada. Então porque nosso trabalho – mesmo que dentro de casa – é tão desvalorizado até por nós mesmas? Porque mesmo fazendo tantas coisas em casa, ainda assim achamos que a maior parte do cuidado com as crianças tem que ser nossa?
Ser mãe, ser pai (exercendo a paternidade!), ser cuidador de uma criança é cansativo sim! Cansa, desgasta, exige super da gente. Mas com certeza, se as tarefas fossem divididas e as responsabilidades assumidas, chegaríamos no fim do dia menos cansadas, menos exaustas e desgastadas.

Da mesma forma que a sociedade exime o homem do cuidado paterno, com todo o endosso a comportamentos negligentes, com as frases que já conhecemos tão bem como “homem é assim mesmo”, “pai é pai, mãe é mãe”, “mulher tem instinto, homem demora mais”. Essa mesma sociedade também joga toda a carga de cuidados de uma criança apenas para a mulher, e normatiza isso. Deixa de uma forma bonitinha para parecer que somos super mulheres e que isso é ótimo para nós. Mas não é, não.

Uma vez na fanpage do blog falei sobre a exploração da mulher mãe, era esse mesmo assunto, falando de como somos exploradas. Muitas se defenderam que cuidar dos filhos não era exploração. Mas quem disse que estamos acostumados a vermos o que é exploração? Cuidar de filhos realmente não é exploração, exploração é cuidar dos filhos sozinha sendo que você não fez sozinha. Exploração é quando a sociedade coloca que você não pode desistir, não pode sucumbir, não pode jogar a toalha. Exploração é quando nos dão um papel de mártir por nossos filhos e eximem os homens de suas responsabilidades.

Contar para vocês, vocês não vão amar menos os filhos, vocês não vão ser “menos mães”, vocês não serão menos batalhadoras (só de ser uma mulher sobrevivente nessa sociedade, já somos), por reconhecer a opressão e a exploração de ser mulher mãe nessa sociedade. Por exigir do seu companheiro, do pai do seu filho, do seu marido, que ele assuma as responsabilidades que são deles. E a responsabilidade do homem pai, não é colocar o sustento em casa. A responsabilidade do homem pai é a mesmíssima que a sua: cuidar e educar. E cuidar abrange, inclusive, tarefas como alimentar o filho, dar banho no filho e tarefas que hoje são vistas apenas como da mãe.
Ser pai não é “ser assim mesmo”, não tem que ser sinônimo de negligência e ausência na vida do filho. E ser mãe, não é ser sinônimo de aguentar tudo e não reclamar. Não é sinônimo de aguentar.
Muitas pessoas dizem que o pai demora mais para pegar jeito mesmo, que a mulher nasceu sabendo ser mãe. Isso além de ser absurdamente mentiroso e irreal, ainda culpabiliza mulheres que não sabem ser mãe (eu não sabia, quem aqui já sabia trocar fralda, cuidar, etc de uma criança desde que nasceu?) e exime os homens dos cuidados paternos.
Se o seu filho só para de chorar no seu colo, só dorme com você, não significa que você tem instinto e que por isso ele é mais apegado que você, significa que existe uma ausência de vínculo dele com o pai. E o que faz o vínculo? A presença, o cuidado no dia a dia, ACOSTUMAR-SE com a presença do outro!

exploração materna

Apesar de ser uma defensora da amamentação, eu não acredito que a amamentação é responsável pelo vínculo mãe e bebê. Na verdade, não é o ato biológico de amamentar ou algo especial no leite, mas sim o fato de que, a mulher que amamenta está mais ligada ao bebê no dia a dia, nos afazeres do cotidiano, está mais em contato com o bebê. Enquanto o homem usa a desculpa do “não posso fazer nada, não sou eu quem amamento” e se ausenta. Não é o fator biológico que cria o vínculo, é o ato de amamentar, de ficar presente… junto! E ninguém precisa amamentar para ter esse vínculo, mulheres que não amamentam constroem vínculos com os seus filhos de outra maneira, mães não biológicas constroem vínculo com seus filhos de outra maneira. Porque o pai não construiria?

 

 

A questão é: você não tem que fazer o trabalho de vinte sozinha, nem pagando e nem de graça!
Você não deveria ter que abrir mão totalmente da sua individualidade, por conta dos filhos. Você não deveria ter que tomar um banho corrido, por conta dos filhos. Você não deveria ter que ficar sem ver suas amigas, por conta dos filhos. Você não deveria ter que ficar sem fazer o que gosta, por conta dos filhos.
Se é dividido, se todos os envolvidos assumem as responsabilidades, não seria assim. Não nesse ponto.

 

Não faça o trabalho de vinte. Faça o trabalho de uma.

Facebook | Instagram

Ajude o blog a continuar no ar.
Caso queira nos apoiar, poderá doar qualquer valor:

Caixa Econômica Federal Agência: 4490 – Operação: 013 – Conta Poupança: 3987-8
*Para doar não é necessário se cadastrar no PagSeguro ou no Paypal.

21 jun 2016

A professora fez minha filha limpar o chão.

Post por Isabela Kanupp às 04:19 em Feminismo

Sempre ensinei a Beatriz que somos responsáveis por limpar a nossa sujeira. Que se somos nós quem sujamos, não tem o porque delegar a função da limpeza para outra pessoa. Isso faz muito parte do que eu acredito e do que quero para o mundo, então nada mais justo do que ensiná-la sobre isso.
Isso também é algo que eu aprendi recentemente, sabe coisas habituais que nem nos damos conta? Como quando vamos no shopping, comemos e deixamos a bandeja na mesa porque “alguém é pago para limpar”, ou quando deixamos o garçom nos servir todos os pedaços de pizza, sendo que a forma está ao nosso lado e podemos pegar, porque é “o trabalho dele”.

Esse nosso comportamento faz parte da normatização da exploração na nossa sociedade, é visto como o trabalho do outro, mesmo que esse trabalho seja nos servir e limpar nossa sujeira e claro que isso tem relação com o período escravagista do nosso país.

Então, é importante ensinarmos sobre essas questões para os nossos filhos. Mesmo que seja um trabalho de formiguinha, vamos falando, explicando, mostrando com exemplos e situações cotidianas.
Uma certa vez eu estava na fila de uma casa lotérica dentro do shopping, Beatriz estava sentada em um banco bem próximo e ao abrir um pacote de salgadinho, muitos caíram no chão. Imediatamente um segurança se aproximou de mim, sabendo que eu estava com ela, e comunicou que chamaria a “pessoa da limpeza”. Beatriz já entrou no meio da conversa e explicou que não precisava, que ela iria limpar, porque ela quem sujou. Recolhendo assim os salgadinhos do chão e jogando no lixo.

Da um orgulho? Enorme. E da vergonha também, porque talvez, com a comodidade de “chamar a pessoa da limpeza” eu mesma não me incomodaria em pegar minha sujeira. E é assim que aprendemos e ensinamos.

chão2
Apesar de tudo isso, o processo de desconstrução é muito difícil, não somente quando falamos em ensinar o outro – nossos filhos -, mas também o nosso processo de desconstrução.
Dia desses a Beatriz chegou da escola contando que havia derrubado suco na sala de aula, ao voltar do horário do recreio, e a professora pediu para ela limpar o chão. Ela me contou como se fosse algo divertido, curioso, mas não algo que estava incomodando ela. E eu – por dentro -, dei uma surtadinha.
Seria bem hipócrita da minha parte se dissesse que levei numa boa. Não levei não. Também não demonstrei, apenas perguntei como tinha sido isso e pedi para ela me contar a “versão completa da história”. Mas por dentro, eu estava mais ou menos assim: COMO ASSIM A PROFESSORA PEDIU PARA A MINHA FILHINHA LIMPAR O CHÃO!?
Então ela me contou que ao voltar do horário do intervalo, com o resto do suco na garrafinha, ela sem querer derrubou tudo o que havia sobrado no chão. Então a professora olhou para ela e disse: Beatriz, você vai ter que limpar. E explicou onde ficava o pano de chão e com quem ela deveria falar. Ela foi, falou com a funcionária responsável da limpeza, que lhe entregou o pano e um balde e ela foi limpar.

Então eu fui assimilando que, o que a professora fez foi algo muito legal. Minha indignação se transformou em vontade de abraçar essa professora e agradecer.
Claro que o caso seria completamente diferente se houvesse um contexto de castigo ou de pedido de forma humilhante, mas não foi o caso. Ela apenas lembrou minha filha das responsabilidades dela, de que se ela sujou, ela tem que limpar.

Sei que muitas vezes não assimilamos bem essas situações, por mais que já tenhamos conversado com a criança sobre, e que para nós, tudo esteja resolvido. Nem sempre está. Por isso que falamos que a desconstrução é muito mais lenta do que imaginamos e que algumas questões estão muito mais enraizadas e é nessas horas que notamos isso.
Acredito que muitas pessoas possam ficar indignadas com essa situação relatada no texto, mas quero propor uma reflexão a vocês: o que faz vocês acreditarem que os seus filhos são superiores demais para limpar a própria sujeita? Onde foi que normatizamos que outras pessoas limpem o que sujamos, mesmo que essas pessoas “sejam pagas para isso”? E porque ainda acreditamos, que é normal pagarmos alguém para limpar nossa sujeira dentro da nossa própria casa? O que estamos ensinando aos nossos filhos com essas atitudes normatizadas?

 

 

 

Facebook | Instagram

Ajude o blog a continuar no ar.
Caso queira nos apoiar, poderá doar qualquer valor:

Caixa Econômica Federal Agência: 4490 – Operação: 013 – Conta Poupança: 3987-8
*Para doar não é necessário se cadastrar no PagSeguro ou no PayPal.

17 jun 2016

6 maneiras de ajudar uma mulher no pós-parto.

Post por Isabela Kanupp às 15:15 em Feminismo, Maternidade

Quando nasce um bebê, por vezes as coisas ficam muito confusas. É um momento muito complexo para qualquer pessoa, é um misto de sentimentos e em geral, estamos mais fragilizadas emocionalmente.
Em geral nossos bebês são acolhidos, recebemos as visitas para os bebês, recebemos mimos para os bebês e as mães acabam ficando um pouco como segundo plano. Porém, precisamos um pouco de atenção, mimo e acolhimento.

Essas dicas são para pessoas que convivem com uma “mãe recente”, podem ser amigos, familiares, companheiros. São dicas práticas e de extrema utilidade, principalmente para quem não passou por um momento como esse e não sabe como agir.

 

fb998b9db2bc2b78039bda8de7ba9fd5

 

 

1 – Não se esqueça da mulher que existe ali.

Sua amiga/prima/vizinha se tornou mãe, porém, ela continua sendo uma mulher, com desejos, vontades, quereres e toda uma individualidade. Ela não tem que estar feliz ou contente o tempo todo, muito menos amando a nova rotina que é exaustiva principalmente nos primeiros dias. Entenda que ali tem um ser humano, se adaptando como qualquer outro ser humano inserido nessa rotina. Não exija dessa mulher que ela esteja bem, feliz e super bem resolvida apenas por ela ser mãe!

 

2 – Acolha.

O acolhimento é muito importante nesses primeiros dias, principalmente pela questão de a mulher ser deixada de lado enquanto o bebê se torna protagonista. Seja presente se possível, mas respeitando o espaço e os desejos dessa mulher. Seja ouvinte e se mostre interessado, sem pressionar, mostre que os sentimentos dela importam e que você não está ali para julgar. Demonstre que entende que é complicado esse momento!

 

3 – Leve algum mimo para a recente mãe.

Eu sei que parece totalmente bobo e idiota, mas é algo carinhoso e que faz um bem danado. As pessoas têm por hábito quando fazem a primeira visita ao bebê levar um presentinho, porém nesses momentos poucas pessoas que lembram que ali existe uma mulher e que talvez ela também precise de um presente para iniciar essa nova fase. O bebê sempre ganha muitas coisas, não é? E a mãe? Compre algo pensando nela, levando em consideração a nova fase (maternidade) ou não. Mas que seja algo para ela, okay? Não precisa ser nada exorbitante, apenas algo que passe a mensagem “olha só, lembrei de você!”.

 

4 – Seja útil!

A rotina com um recém-nascido em casa é uma loucura. São poucas horas de sono e em geral são mal dormidas, durante o dia a casa pode ficar cheia de pessoas querendo conhecer o novo membro da família e todos ainda estão se adaptando a essa nova rotina. Se você for fazer uma visita nos primeiros dias (primeiro consulte a mãe, sério!), seja útil! Lave uma louça, cozinhe um feijão, coloque uma roupa para bater. São coisas rápidas de se fazer e que com certeza ajudarão muito!

 

5 – Respeite as vontades dessa mulher.

Isso é para todo o momento né? Porém nessas situações as pessoas não têm muita noção de algumas coisas e tudo bem se você nunca passou por uma situação como essa e não tem ideia alguma de como agir. Na dúvida, pergunte sempre para a mulher! Pergunte se ela quer receber visita, pergunte se ela quer conversar, pergunte se pode pegar o bebê, pergunte se pode comunicar o vizinho do primo do amigo sobre o nascimento da criança. PERGUNTE! E se ela disser que não, não se sinta ofendida e muito menos desrespeite a vontade dela!

 

6 – Seja sincera, não minta.

Muitas vezes sua amiga, vizinha, prima, cunhada recém mãe pode reclamar da rotina, do marido, do pai da criança, de qualquer outra coisa. Não minta.  Não diga que vai passar se sabe que não vai, não diga que é assim mesmo se de fato não é. Não seja conivente com um pai que não está sendo presente, com um marido que está sendo apenas um peso já em uma situação que pode ser complicada. Seja honesta. Seja a pessoa que mostra que existem outras maneiras, que ela não precisa ficar sobrecarregada, que não é normal o pai da criança não fazer absolutamente nada.

 

 

Quais dicas vocês dariam?

 

 

Facebook | Instagram

Ajude o blog a continuar no ar.
Caso queira nos apoiar, poderá doar qualquer valor:

Caixa Econômica Federal Agência: 4490 – Operação: 013 – Conta Poupança: 3987-8
*Para doar não é necessário se cadastrar no PagSeguro ou no PayPal.

15 jun 2016

Nós não sabemos tudo e nem deveríamos.

Post por Isabela Kanupp às 00:24 em Feminismo, Maternidade

 

texto

“Mãe sabe tudo”, é o que a maioria de nós crescemos ouvindo. Dia desses até me deparei com uma tirinha, de um artista que sempre faz tirinhas bem questionadoras, porém reproduzindo essa ideia de “pergunte para sua mãe, porque mãe sabe tudo”.
Não, nós não sabemos. E está tudo bem não saber tudo. Precisamos, como sociedade, começar a entender que quando nos tornamos mãe, não surge um botão mágico em nossa mente onde produzimos todas as respostas, porque não temos e acredito que ninguém tenha.

Esses dias publiquei sobre o primeiro furo na orelha da Beatriz, como sempre divulguei o texto em alguns grupos de maternidade e de feminismo no qual faço parte, e em um específico surgiu um enorme debate em relação a questão de furar ou não a orelha da criança, para além do de sempre, que já ouvimos, já debatemos, já argumentamos, notei também que muitas mães têm dificuldade de reconhecer que erraram – não somente nessa questão – em algum momento da sua vida ou da vida dos filhos.

Mas erramos, não é mesmo?
Nem sempre fazemos as escolhas certas, e nem sempre notamos isso a tempo de gerar alguma mudança positiva.

Tem algo que tem me incomodado há meses, algo que ainda não encontrei uma resposta e talvez eu não encontre tão cedo, algo que ainda quero escrever um texto todo sobre isso após colocar algumas ideias no lugar, porém, estava eu pensativa sobre essa questão já há algum tempo, então uma amiga-mãe me procurou, com a mesma questão e perguntou o que eu pensava sobre, se eu tinha uma solução, uma resposta. Não, eu não tinha. E talvez nem eu, nem ela e nem você, teremos tão cedo.

texto2

A questão é que, quando optamos por uma educação “não tradicional”, e vejo a educação de maneira igualitária assim, é tudo muito novo e não temos “exemplos” a seguir. Não que haja receita na educação de crianças, mas nos espelhamos – de forma geral –, no que amigos fizeram e deu certo, no que nossos pais fizeram e deram certo, e por aí vai. Porém, quando optamos por uma educação que foge do senso comum, é tanta novidade que nem sempre sabemos como agir. Até mesmo porque não temos respostas para tudo.

Eu tenho aos poucos tentado entender que às vezes eu erro feio, e que não é porque eu optei por uma educação “diferentona” que eu não erro. Erro muito. O primeiro passo para entender isso, foi entender que a educação que eu dou para a minha filha não é garantia de absolutamente nada. Não é garantia que ela será uma mulher feminista – e como tudo, deixo isso para ser uma escolha dela -, não é garantia que ela não reproduzirá machismo quando mais velha, não é garantia de absolutamente nada. O primeiro passo foi entender que minha filha, como todos nós, recebe múltiplas influências. Entender que a socialização vai muito além da educação que eu dou em casa. Claro que a educação que dou aqui é arma de mudança, mesmo que seja apenas pelo agora, para que ela tenha uma infância mais livre e feliz, mas não é garantia de absolutamente nada. Assim como quem educa de maneira tradicional, também não tem garantia alguma.

Entender isso foi fundamental para eu começar a aceitar que eu erro, assim como errei quando usava a palmada como “método de educar”, e depois de entender que era errado o processo para desconstruir isso foi doloroso (afinal, tive de assumir que eu pensava e agia errado, que meus pais pensavam e agiam errado), assim como erro quando grito com a minha filha e tento no dia a dia, desconstruir isso tanto no meu pensamento como nas minhas atitudes. Aceitar que eu erro foi libertador e o caminho para a desconstrução.

texto3

Como disse, alguns erros não têm como voltar atrás a tempo, mas tem como criarmos consciência do erro e não o cometer novamente (ou tentar, descontruir e tudo mais). Assim como muitas mulheres se arrependem de terem furado a orelha das filhas quando bebê, não tem mais como voltar atrás, aquele furo não irá deixar de existir, o momento, a violência, a invasão, não tem como apagar. Mas tem como mudar daqui para frente, tem como entender que a criança é um indivíduo a parte de nós, que suas vontades têm que ser respeitadas, e começar a agir de acordo com isso.

Esse não é um texto para passar a mão na cabeça de todo cuidador que erra com as crianças, até porque alguns erros não são justificáveis, mas sim para as mulheres entenderem que nem sempre temos a resposta para tudo e nem sempre acertamos, mas que é importantíssimo criarmos a consciência dos nossos erros e tentar melhorar. É preciso humildade para conseguirmos ver nossos erros. E é preciso que nós estejamos mais abertas a acolher e conversar com quem errou, até para que essas pessoas estejam mais à vontade para entender e reconhecer esses erros, sem o medo de ser massacrada. Somente assim, quem erra – e isso, todas nós – terá o despertar da consciência e vontade de mudar.

No mais, continuaremos errando, mas continuaremos lutando e buscando acertar. Conversando, debatendo, buscando entender maneiras não violentas de educar, que promovam a igualdade através da equidade e claro, sem certeza alguma, mas com a consciência tranquila de estarmos fazendo nosso melhor.

Espero que um dia essa não seja apenas preocupação de mulheres e de mulheres mães, mas sim de toda uma sociedade.

 

Facebook | Instagram

Ajude o blog a continuar no ar.
Caso queira nos apoiar, poderá doar qualquer valor:

Caixa Econômica Federal Agência: 4490 – Operação: 013 – Conta Poupança: 3987-8
*Para doar não é necessário se cadastrar no PagSeguro ou no PayPal.