23 jul 2016

Desfralde: respeitando o momento da criança.

Post por Isabela Kanupp às 16:51 em Maternidade

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Eu tenho um grande arrependimento nessa minha pequena trajetória como mãe, esse arrependimento é o desfralde da Beatriz.
Quem acompanha o blog desde o começo sabe que antes da mudança que houve no blog, existia aqui diversos textos relatando o processo do desfralde. Um processo que começou mais ou menos quando a Beatriz tinha 1 ano e 4 meses.
Na época, meu argumento para um desfralde, era de que existia um interesse das empresas em prolongar essa fase para lucrar mais. Confesso que eu ainda boto muita fé nisso e acredito demais nesse fator capitalista. Porém, o que eu não levei em conta na época, é que crianças não são robôs e cada criança se desenvolve a sua maneira e no seu tempo.
Eu só tive essa percepção quando ocorreu o desmame natural da Beatriz. Eu acredito que foi naquele momento que eu realmente notei que processos naturais eram possíveis e que crianças conseguiam sim saber qual o melhor momento para deixar uma fase. Foi a partir do desmame natural e do feminismo, que eu comecei a entender como era importante respeitar essas decisões e ver que crianças são capazes sim.
Apesar de tudo isso, eu sempre vi o desfrade da Beatriz como um processo natural e não-tão-desrespeitoso-assim. Claro, isso em comparação com outras pessoas e métodos usados. Porém, hoje vejo que continua sendo desrespeitoso a forma que utilizei.
Eu vejo que foi um problema básico de falta de informação de qualidade – que na época eu achava que tinha e que hoje vejo que muitas pessoas acreditam que seja -, e falta de ver a criança como um ser pensante e agente.

O desfralde da Beatriz ocorreu da seguinte maneira:

Por volta do 1 ano e 4 meses eu comecei a fazer todo aquele processo que super indicam, de explicar para a criança o que eu estava indo fazer no banheiro, explicar o que era o vaso sanitário e claro, observar os sinais da criança. Na minha cabeça, minha filha já dava sinais para desfraldar. Isso não foi algo que ficou bem resolvido para mim, e só me dei conta do porque me incomodava aqueles “sinais” atualmente assistindo a um vídeo. O que eu via como sinais, não eram sinais. São comportamentos comuns de crianças incomodadas com as fraldas, porque incomodam mesmo, não porque elas querem ser desfraldadas.
Beatriz desfraldou “completamente” ao completar 2 anos de idade. E eu me senti a rainha da educação infantil, a super nanny do desfralde. A verdade é que esse “completamente”, não era bem completamente assim. Até os 4 anos, mais ou menos, houve “escapes”, que já eram tão comuns que nem deveriam ser chamados de escapes. Uma coisa que tenho certeza que não ocorreria se eu não tivesse forçado a barra e se tivesse esperado o desfralde natural.
Mas ela desfraldou, né? De uma forma adestrada, sabe-se-lá as consequências disso, e eu muito estressada. Muito mesmo. Porque para mim – para ela eu não sei, não sei também se ela se lembra – foi absurdamente estressante.
Não quero dizer que é errado desfraldar aos 2 anos, o que quero dizer é que para a minha filha, aquele não era o momento. Eu interpretei os sinais de forma equivocada e forcei o desfralde – talvez de uma maneira bem menos pior do que muitos métodos por aí, mas ainda assim foi péssimo -, um desfralde que poderia ter sido de uma maneira muito mais respeitosa, bastava eu ter paciência e confiar.

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Sei que existe uma enorme pressão em relação ao desfralde – e eu já fiz parte da turma do “nossa como assim x anos e ainda usa fralda” -, sei que muitas mães se sentem forçadas a iniciar o desfralde, seja por questão desses palpites, seja por questões financeiras, seja porque a escola/creche exige que a criança esteja desfraldada. O que hoje acho um absurdo gigantesco, principalmente aqueles desfraldes que ocorrem nas escolas, colocando todas as crianças com determinada idade no mesmo pacote, esquecendo da individualidade e do processo de desenvolvimento de cada um.
Essa é a principal questão – se não a única – que mudaria se pudesse voltar no tempo. Mas como não podemos, o que tento fazer é “reparar” essa situação respeitando a partir do momento que criei consciência.

 
Por exemplo, quando a Beatriz tinha 5 anos ela estava educação infantil. Já contei que um dos pontos mais positivos de onde ela estudou era o fato de não ter a alfabetização. A alfabetização ocorre apenas no ensino fundamental, acredito que seja assim em toda a rede pública daqui. Para mim isso era algo positivo justamente porque não acredito que haja benefício na alfabetização precoce, e isso faz parte do respeito a individualidade e ao desenvolvimento da criança.
Agora ela já está alfabetizada, é uma das poucas crianças da sala que já lê e já escreve. Porém ela se cobra. Ela se cobra porque a fulana lê melhor que ela, porque a ciclana já escreve com letra cursiva. O que faço é, além de não entrar na onda de forçá-la a ler melhor, ou a forçá-la a aprender a letra cursiva, é também explicar para ela que cada um tem seu tempo para aprender!
A linha entre incentivar uma criança e forçá-la é muito tênue. Muito mesmo. Por isso é necessário nos mantermos sempre atentos para respeitar os limites, as vontades e a individualidade das crianças.

Para quem tem interesse sobre a questão do desfralde de forma respeitosa, eu indico esse vídeo da Raquel. Foi onde eu percebi o porque do meu incômodo com os “sinais” que fizeram eu desfraldar a Beatriz. Talvez possa ajudar vocês também.

 

 

 

 

 

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19 jul 2016

Coleção Antiprincesas: Violeta Parra.

Post por Isabela Kanupp às 02:04 em Livros e Filmes


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Violeta Parra é o segundo livro da Coleção Antiprincesas. Eu estava bem ansiosa para ler esse livro, pois eu não conhecia Violeta Parra e não fazia ideia de quem ela era.

Esse livro é aquele que te deixa com uma pulga atrás da orelha, uma vontade de saber mais, sabe? E depois que li, tive de ir pesquisar mais sobre essa mulher incrível e ouvir suas canções!

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Violeta Parra nasceu em San Fabián de Alico, um vilarejo no Chile, e era filha de pais muito pobres – pai professor e mãe costureira. Seu pai era folclorista, tocava violão enquanto sua mãe cantava. E foi pegando o violão do pai escondido que Violeta aprendeu a tocá-lo, de maneira autodidata.
Foi através do seu violão que ela eternizou diversas canções tradicionais chilenas.

Assim como o primeiro livro da coleção (contei aqui), as ilustrações são lindas, o livro todo é bem interativo e a linguagem é acessível para crianças de todas as idades. Diferente do livro da Frida, esse não conta toda a história de Violeta Parra, mas instiga para que o leitor busque mais sobre essa incrível história.

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Violeta Parra foi uma mulher, mãe, latina e artista, no mais amplo sentido da palavra. Uma mulher forte e que tem com certeza representa demais uma antiprincesa!

Adoramos esse livro, porque não conhecíamos ainda Violeta Parra. Se vocês tiverem curiosidade (assim como eu) tem várias canções disponíveis no youtube, garanto que vale a pena.
Ao final do livro encontramos atividades sobre ele e também jogos. Além disso, tem um poema que Plabo Neruda escreveu para Violeta.

O livro foi escrito pela Nádia Fink e ilustrado por Pitu Saá.

 

Semana que vem vou falar o que achei do livro #3 da coleção #antiprincesas: Clarice Lispector.

 

Onde comprar?

E para quem quiser comprar os livros da coleção, é só entrar no site da Antiprincesas Brasil.  O valor de cada livro é de R$27 (em português) e R$39 (em espanhol).

 

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14 jul 2016

A importância de ver nossas mães como mulheres.

Post por Isabela Kanupp às 17:22 em Feminismo

 

Eu não tenho mãe. Quem me conhece sabe que minha mãe faleceu quando eu tinha 11 anos. Passei por um longo período de luto – de uma forma nada convencional -, no qual só me dei conta já na vida adulta. E claro que senti falta da minha mãe em diversos momentos da vida, ao longo das minhas descobertas como adolescente, como mulher, porém com toda a certeza tudo isso começou a pesar muito depois que me tornei mãe e logo depois quando me tornei feminista.
O pensamento mais recorrente que eu tenho – e eu acredito que todos que já passaram por isso tenham – é “como seria se ela estivesse aqui”.

Eu era muito nova quando ela faleceu e existem muitas lembranças que simplesmente desapareceram, apesar de ter convivido com ela por 11 anos, o que eu sinto é que eu conheço muito pouco dela e que para mim, sempre será um mistério. Inclusive essa foi uma das motivações de eu criar esse blog: não queria que minha filha não soubesse quem eu sou. Parece egoísta isso, porém eu sinto uma falta enorme de saber coisas banais em relação a minha mãe: fruta preferida, o que ela pensava ou sentia quando tinha determinada idade, o cantor preferido, quais eram os planos dela para a velhice. Assim como em alguns momentos eu sempre penso “o que minha mãe pensaria sobre isso? Qual seria a posição dela?”.

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Di Cavalcanti.

Quando me tornei feminista eu romantizei demais a nossa relação, imaginei que se ela fosse viva, ela com certeza seria feminista, afinal, ela sempre foi uma mulher “a frente do seu tempo”. Porém, quando comecei a pensar mais racionalmente, recuperar algumas lembranças que eu tinha e observar as mulheres da família – que hoje teriam aproximadamente a idade da minha mãe – que viveram no mesmo contexto que a minha mãe eu cheguei a conclusão que não, minha mãe não seria feminista.
É obvio que existiria um conflito de gerações, é óbvio que existiria um conflito de educação em relação à Beatriz (mesmo que muitas coisas que eu faça hoje tenham influência da educação que minha mãe transmitiu para mim). E talvez houvesse atritos. Talvez hoje nem nos falaríamos direito. A questão é que não dá para saber.

Foi também o feminismo que fez eu parar de romantizar a vivência da minha mãe como mulher e mãe. Parar de julgar tanto as falhas que ao meu ver, ela teve em questão da nossa educação. Foi o feminismo que fez eu lembrar que minha mãe era uma mulher. Uma mulher que trabalhava muito, que tinha sonhos, que se sentia triste, frustrada, que chorava (eu lembro até hoje da primeira vez que vi minha mãe chorar), uma mulher cheia de falhas e que como todas nós, não sabia de tudo. O feminismo fez eu fazer as pazes com a minha mãe e lembrar que ali existia uma mulher.

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1990: Minha mãe e eu.

Eu entendo que nem toda a relação mãe e filha é boa, que existem sim os conflitos de geração, conflitos ideológicos, mas também existem coisas graves que impossibilitam uma aproximação. Mas o que quero dizer aqui, é que racionalizem e vejam qual é a situação. Tentem ver sua mãe como uma mulher, uma mulher que assim como nós, sofre com o machismo. Que viveu em outra época, em outro contexto, que o machismo pode estar muito mais enraizado do que imaginamos. Tente ver sua mãe, como você olharia para outra mulher, como você se sensibilizaria e lutaria, por uma mulher desconhecida.
Talvez seja aqui que a palavra sororidade se encaixe melhor (mesmo eu tendo ressalvas quanto a essa palavra): ninguém está pedindo que você seja melhor amiga da sua mãe, mas que veja que ela, assim como você, sofre com a opressão do machismo. E que muitas das atitudes foram baseadas na vivência dela, como mulher que é oprimida em uma sociedade patriarcal.
Como feministas, queremos que todas as mulheres sejam realmente livres – por isso nossa luta tem que ser contra o machismo -, e dentro desse grupo de mulheres sua mãe está inclusa.

 

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E para as feministas que não são mães, talvez haja uma enorme falta de empatia por não vivência dentro da maternidade – que também é uma opressão do machismo -, e por conta disso o trabalho de desconstruir seja mais árduo, de ver sua mãe como um ser humano, seja mais complicado. É ai que temos que colocar nossa prática feminista, nossa verdadeira empatia. Fica a reflexão para as feministas que não são mães: você explora ou é conivente com a exploração da sua mãe? O seu feminismo luta pela libertação da sua mãe?

 

 

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12 jul 2016

Coleção Antiprincesas: Frida Kahlo.

Post por Isabela Kanupp às 14:17 em Livros e Filmes

 

“Contamos histórias de mulheres… Por quê? Porque conhecemos muitíssimas histórias de homens importantes, mas não tantas histórias delas… Sabemos algumas de princesas, é verdade. Mas como essas moças que vivem em castelos enormes e frios estão longe da nossa realidade! Aqui na América Latina, há mulheres que quebraram os moldes da época, que não se conformaram com os lugares que a sociedade (ou seu maridos, ou seus pais, ou seus irmãos mais velhos) lhe impunha e foram traçar seus próprios caminhos.”

 

 

Coleção Antiprincesas

Como vocês já sabem eu adoro livros infantis. Eu acredito que seja uma ótima ferramenta para falarmos de diversos assuntos com as crianças e incluir na realidade delas temáticas nem sempre presentes. Justamente por gostar muito de literatura infantil, sempre procuro trazer para cá o que acredito que possa ser útil para a realidade de outras famílias, inclusive, livros e ideias que encontro por aí.

Há um tempo fui marcada em uma publicação no facebook que falava do lançamento de uma coleção chamada “Antiprincesas”, uma coleção maravilhosa com diversos livros infantis. A ideia da coleção antiprincesas, é justamente falar de pessoas reais, com “super poderes” reais, mulheres fortes e inspiradoras. E o melhor: mulheres latino-americanas. Adorei a coleção, claro, porém na época que eu li sobre, só havia a versão em espanhol. Que apesar de ser interessante e compreensível para mim, para a Beatriz não seria.
Um tempo depois a Beatriz ganhou dois livros de uma amiga minha, e um desses livros era o #antiprincesas da Frida Kahlo em PORTUGUÊS!

Coleção Antiprincesas

 

O livro é lindo! De uma qualidade incrível, muito colorido e bem ilustrado. Tem diversas representações das obras da Frida, e principalmente, explicando o contexto e o porque delas.
Ele conta a história desde o nascimento de Frida Kahlo, falando sobre seu acidente, o contexto político no qual Frida estava inserida, seus relacionamentos e também sua morte.
Apesar de tratar de diversos temas nem sempre presentes no nosso contexto – como as relações abertas de Frida -, e alguns outros assuntos um tanto “pesados” (como a morte), tudo é feito de uma maneira muito leve e lúdica, ideal para as crianças.

Além disso o livro também propõe atividades para as crianças baseadas no que foi lido, fazendo com que as crianças interpretem a leitura a sua maneira.

Se vale a pena? Muito! Acredito que essa coleção pode ser muito importante em questão de representatividade e protagonismo feminino, assim como é uma ótima maneira de trazer para o mundo infantil personagens fortes e reais.Coleção Antiprincesas

 

Aqui em casa nós adoramos – tanto eu, quanto a Beatriz – e o que mais gostei de tudo isso, é que apesar da Bea já conhecer quem era a Frida, ela aprendeu muito mais sobre essa mulher tão incrível e de uma forma que eu não saberia explicar, se não fosse com a ajuda dessa leitura.

O livro foi escrito por Nádia Fink e ilustrado por Pitu Saá e você pode comprar o seu aqui.

Semana que vem vou falar o que achei do livro #2 da coleção #antiprincesas: Violeta Parra.

 

 

Na página Antiprincesas Brasil está rolando um SORTEIO do 3# livro da coleção e o único de uma mulher brasileira: Clarice Lispector. Clica aqui para saber como participar!

 

Onde comprar?

E para quem quiser comprar os livros da coleção, é só entrar no site da Antiprincesas Brasil.  O valor de cada livro é de R$27 (em português) e R$39 (em espanhol).

 

 

Coleção Antiprincesas

04 jul 2016

Meu filho vai passar o fim de semana na casa do pai, e agora?

Post por Isabela Kanupp às 06:26 em Feminismo, Maternidade

Quando me separei do pai da Beatriz, ela tinha por volta dos 3 anos de idade. Tudo foi resolvido logo no começo da separação, os dias que ela ficaria com o pai e todas essas questões. Vale ressaltar que ao meu ver, ela já tinha idade suficiente para dormir fora (na casa do pai), eu confiava muito no pai dela e na família dele em relação aos cuidados com ela. Por isso, sempre estive tranquila quanto a isso.

 

Porém eu sei que essa não é a realidade de todas as mulheres, quem dirá da maioria. Por isso, esse texto não é apenas para mulheres separadas, ou para mulheres que deixarão seus filhos dormirem na casa do pai, mas sim um texto para falar dos sentimentos em relação a essa separação – mesmo que momentânea – dos filhos e sobre a necessidade da nossa diversão.

Meu filho vai passar o fim de semana na casa do pai
Muitas vezes não conseguimos nos divertir quando estamos sem nossos filhos, não porque só conseguimos nos divertir com eles, mas porque estamos preocupadas. Preocupação muitas vezes legítima, mas muitas outras vezes apenas como um reflexo da sociedade que responsabiliza a mãe por tudo e nos faz acreditar que somente nós somos capazes de cuidar tão bem dos nossos filhos.
Acredito que o que fez muita diferença para mim, nessa questão de a Beatriz dormir fora, foi entender que outras pessoas poderiam cuidar tão bem ou até mais (porque não?) dela quanto eu. Isso eu tive de aprender mesmo antes de me separar, e se serve de conselho, entender isso o quanto antes é fundamental.

 

A primeira vez que a Beatriz ficou sob os cuidados de outra pessoa, ela tinha 4 meses. Fiz todo o processo de ordenhar leite, deixar reservado, instruir quem cuidaria dela (um familiar) e tudo mais. Saí tranquila? Sim. Permaneci tranquila? Não. E sei que não tinha relação alguma com a capacidade de quem estava cuidando dela, mas sim pura encanação minha.
Depois dessa experiência aos 4 meses, houve outras situações nas quais a Beatriz passou a noite, ou algumas horas, com familiares. Fosse para eu fazer algo burocrático ou apenas me divertir.
Porém, quando a Beatriz tinha 10 meses, eu fui internada emergencialmente por conta de um problema de saúde, fiquei 4 dias internada, 4 dias longe da Beatriz, no qual ela só foi amamentada uma vez ao dia depois de fazer todo um processo muito chato no hospital para liberarem que eu saísse até a recepção para amamentá-la! Esse foi o primeiro momento que eu entendi a importância de ter confiado em outras pessoas para cuidar dela, e claro, ter acostumado ela com o convívio de outras pessoas.

Meu filho vai passar o fim de semana na casa do pai
Quando me separei o contexto foi outro. Beatriz já estava maior, entendia melhor as coisas, e apesar de ainda ser amamentada (amamentei de forma prolongada até os 4 anos de idade dela, vocês podem ler mais sobre isso aqui), ela já era mais autônoma em relação a isso. Então, essas questões não pesaram para mim. Assim como o fato de eu confiar na família paterna ajudou muito na minha tranquilidade quanto a essa decisão.

 

É importante dizer aqui para as mulheres que são separadas que vão deixar os filhos com os pais: isso não é um favor. Ninguém está te fazendo um favor, ou um favor ao seu filho, ficando com ele. O pai da criança não está te fazendo um favor. É obrigação dele e direito do seu filho. Eu entendo que é necessário ter uma confiança em quem ficará com o seu filho e que justamente por isso, às vezes é inviável a questão da criança passar a noite ou ter visitas sem a mãe presente, porém, se não é esse o caso, deixe tranquila e aproveite esse momento para viver para você e claro, jamais deixem que insinuem que você está se aproveitando por deixar seu filho passar alguns dias com o pai!

Tente avaliar racionalmente se sua preocupação é legítima (no caso dos cuidadores confiáveis, claro) ou se é apenas um reflexo da sociedade que somente nos responsabiliza. Se for o segundo, desapegue disso. Sério. Não é fácil no começo, no começo vai parecer que é difícil se divertir, se distrair e falar de outras coisas sem ser filhos, mas é super possível e necessário.

O primeiro fim de semana que minha filha dormiu na casa do pai, eu fiquei totalmente sem saber o que fazer. Foi uma mistura de sentimentos, que por vezes eu me sentia muito empolgada e queria fazer tudo que não havia feito em muito tempo e vezes eu só queria ficar em posição fetal na cama até ela chegar. Isso rolou durante muitos fins de semana e foi bem demorado meu processo de adaptação, e isso é completamente normal.

Meu filho vai passar o fim de semana na casa do pai
Assim como é normal sua vontade de sair. Sua vontade de conhecer gente. De rir com suas amigas. De beber todas. E você não precisa estar ligada 24 horas ao seu filho. Você não precisa viver uma vida em função dele. Se ele está com uma pessoa de confiança, você não precisa se abster de se divertir e de viver.

Nos primeiros fins de semana sem a minha filha, eu nem sabia direito o que eu queria fazer. Mas posso contar para vocês que eu saí muito, acredito que foi a época que mais saí na vida. E no começo eu basicamente saia para ficar falando como minha filha era fofa, linda e fazia coisas incríveis. Era comum encontrar alguém no rolê, que inocentemente perguntava “e sua filha, como está?” e a partir disso eu ficava 40 minutos contando todos as descobertas que ela havia feito nos últimos 3 anos. Também era comum encontrar pessoas que me perguntavam com quem minha filha estava, pessoas que classifico como semi conhecidos, pessoas que com certeza não perguntavam isso para o pai da minha filha. Na época eu respondia que estava com o pai e me limitava a isso, hoje com certeza essas pessoas ficariam ouvindo por 40 minutos de como um questionamento como esse é machista.

 

Se hoje, após 3 anos de separação e da rotina da Bea dormir na casa do pai, continua a mesma coisa? Não. Se por um lado hoje eu estou bem mais adaptada e tranquila a rotina da Beatriz dormir fora, por outro lado a rotina dela durante a semana é bem mais puxada – e consequentemente a minha também. Hoje também conto com mais ajuda, sei que isso não é a realidade de todos. Mas, digamos, que minha euforia não fica canalizada apenas em dois dias da semana. As rotinas mudam, nós nos adaptamos e as crianças também. Porém, não abro mão dos dias da Beatriz ficar com o pai dela, e nem seria direito meu abrir. Mas aproveito esses dias para descansar e trabalhar.

Para dizer a verdade eu conto os minutos para a Beatriz ir para a casa do pai.
Isso faz com que eu seja uma péssima mãe? Não. Isso faz com que eu ame menos? Não.
Me faz uma pessoa descansada, com sanidade para aguentar uma semana corrida, me faz um ser humano que se diverte e preza por individualidade como qualquer outro, me faz uma pessoa mais tranquila por estar menos estressada.

Meu filho vai passar o fim de semana na casa do pai

Então, mesmo que não seja a sua realidade, quando você tiver oportunidade de um “vale sem filhos”, mesmo que seja por 30 minutos, aproveite. Tente aproveitar com coisas que te dão prazer, seja tomar café com uma amiga, seja tomar um banho longo sem ninguém interromper. Seja ficar jogando candy crush! Mas aproveite! Aproveite sem culpa, sem ligar a cada 10 minutos, sem tomar para si uma responsabilidade que é de dois. Aproveite porque você é um ser humano e você tem direito a se divertir, a tomar um banho demorado, a ver um episódio da sua série preferida sem dar pause a cada 5 minutos!

 

Fará muito bem, tanto para você quanto para os seus filhos, você vai ver!

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