07 nov 2016

Desprincesar é urgente. – Por: Mariana Desimone.

Post por Isabela Kanupp às 16:02 em Feminismo

A chegada da Escola de Princesas em São Paulo foi, para mim, a gota que transbordou o copo. Eu tinha que fazer algo.

Não entra na minha cabeça como alguém pague (o que eu imagino ser uma boa grana) para uma “escola” ensinar sua filha a ser “princesa”.

Nada contra valores como bondade, lealdade, e nem contra as aulas de etiqueta.

O que me incomoda, e muito, é a falta de outros modelos para nossas filhas.

desprincesamento

Por que não falar sobre Malala, Frida Khalo, Pagu, Violeta Parra, só para citar algumas? Não faltam exemplos para trabalharmos com elas.

Por que não mostrar às meninas que brincar na terra é ótimo, que elas podem se identificar com outros papéis além daquela moça magra, geralmente branca, com um vestido meio apertado e salto alto?

Se queremos que nossas filhas sejam tudo o que elas podem ser é fundamental inculcar nelas mesmas, desde cedo, a importância da auto-confiança, de que a opinião delas importa, e que elas são únicas, preciosas e digas do mesmo respeito que seus amigos meninos.

Por isso, eu e uma amiga fomos atrás de informação. Com um grupo de mulheres, recebemos informações e dicas de pessoas de Iquique, no Chile, onde o primeiro curso de Desprincesamento aconteceu.

Além dessas valiosas lições, usaremos também como base teórica a Filosofia da Libertação e nas propostas de relacionamento apresentadas pela Escola da Vida de Alain de Botton.

A nossa primeira oficina já está marcada. Acontecerá nos dias 4, 10 e 11 de dezembro. Serão encontros para meninas de 9 a 15 anos, nos dias 4 e 10. No dia 11, mães e pais também serão convidados para participar da oficina.

Durante os encontros vamos discutir temas como o que é ser menina hoje, auto-imagem, o amor romântico, a imagem que a publicidade faz das meninas, entre diversos outros temas. Teremos também um módulo de auto-defesa com uma especialista.

Junte-se a nós!

Uma oficina de cada vez, uma menina de cada vez, em busca de uma sociedade mais igual, plural e justa para com nossas meninas!

Saiba mais

Oficina de Desprincesamento

Quando: dias 4, 10 e 11 de dezembro, das 14h às  18h
Onde: Avenida Presidente Kenedy, 2207, São Caetano do Sul – SP.
Investimento: R$ 70 (os três encontros). Inclui coffee break, materiais de estudo e diploma
Como se inscrever: desprincesamentobrasil@gmail.com

 

 

 

Mariana Desimone é jornalista praticante e de formação. É mãe do Nicolas e da Letícia e não tem medo de ser chamada de feminista. Co-Organizadora da Oficina de Desprincesamento.

02 nov 2016

Para nós sobrou a responsabilidade.

Post por Isabela Kanupp às 07:50 em Feminismo

 

Amiga leitora comenta que após a separação, o pai dos filhos dela se apaixonou por uma moça do outro lado do país e agora está pensando em largar todos os empregos para se mudar de Estado.
Outra amiga relata que o pai dos filhos dela foi morar no Canadá, pediu “compreensão” enquanto ele se estabiliza e enquanto isso ela passa necessidade aqui com os dois filhos.

Homens sempre foram livres, mesmo quando se tornam pais, a sociedade não aprisiona suas vidas. Eles continuam tendo vida social, frequentando espaços políticos, indo para a partida de futebol na quarta-feira, frequentando o churrasco da firma aos domingos. Dele não é cobrada a responsabilidade de ser presente, de cuidar, alimentar e ser responsável por uma criança.

responsabilidade

Se a criança não está bem cuidada, a culpa é da mãe. Se a criança não está bem alimentada, a culpa é da mãe. Se a criança não tomou banho, a culpa é da mãe. Se a criança não é educada, a culpa é da mãe. Mesmos e essa mãe seja uma mulher exausta e sobrecarregada e mesmo se a criança esteja em perfeitas condições, irão arranjar algo para a culpa ser da mãe.

Homens não são obrigados e cobrados a amadurecer com a chegada dos filhos, as mulheres são. Se você se tornou mãe, é exigido de você – do dia para a noite – que seu comportamento diante de tudo na vida mude. Inclusive suas prioridades. Afinal, agora você é mãe! E de acordo com a nossa sociedade, ser mãe é se colocar em segundo lugar, é padecer no paraíso, é se doar por completo. Mas sabemos que não precisa ser assim e que está tudo bem se não for. Mas tem um preço, o preço é o julgamento social que sofremos quando saímos do estereótipo de mãe perfeita.

Porém, ao homem é dado o benefício de ser um eterno adolescente irresponsável. Se o homem é acometido por uma depressão, todos tem que ter compreensão com ele – o que deveria ser natural para todos que estão enfrentando algo como a depressão –, a mulher tem que ser companheira, não tem que importuná-lo com qualquer coisa. Afinal, depressão é um problema sério.
Por outro lado, quando nós mulheres mães estamos em um quadro de depressão, somos acusadas de fazer corpo mole, de não ter motivos para estar triste – afinal, temos uma criança linda e saudável – e é comum nos alertarem para começarmos a nos cuidar porque se não nossos companheiros irão nos trocar. Algo que as pessoas veem realmente como aceitável.

Desde que me separei, todas as vezes que saí e encontrei alguém – em geral, que conheça meu ex-marido – fui questionada sobre com quem a minha filha estava. Aquele questionamento em tom de amizade, de apenas puxando um assunto, mas que sabemos que vai muito além disso. É apenas uma forma de controle de mulheres, de lembrar “ei, você é mãe, seu lugar não é aqui”. Controlam sua bebida, quanto deu sua comanda, quantas vezes na semana você saiu e avaliam sua maternidade de acordo com isso. Questionam com quem você deixou seu filho, se foi com o pai o chamam de herói, se foi com a avó, você é uma puta que fez filho para os avós cuidar. Ignoram que a mulher continua sendo um ser humano.

Controlam o que gastamos com lazer, com maquiagem, com alimentação, com passeios, com “machos”. Controlam como gastamos nosso dinheiro, mesmo que não falte nada aos nossos filhos, é como se nosso dinheiro não nos pertencesse e temos que dar satisfação a todos. Enquanto o homem, mesmo quando não paga a pensão, não é questionando o que tem feito com seu dinheiro, quanto gastou na balada, se trocou de carro ou viajou.

A nós é imposta uma responsabilidade nem sempre condizente com nossa idade e experiências de vida, temos que amadurecer e sermos responsáveis porque somos mães. Enquanto para os homens, é dada compreensão, compreensão porque “não estava preparado para ser pai”, compreensão porque “ele era muito novo quando o filho nasceu”, compreensão porque “ele está buscando uma vida melhor agora, por isso não pode pagar pensão”. Pais podem errar, podem ser irresponsáveis, podem ser egoísta e usar de justificativa que estão pensando nos filhos, quando não estão.

Homens têm direito de errar, de ir atrás dos seus sonhos, seguir sua vocação, reinventar suas vidas. As mulheres, muitas vezes, não conseguem nem terminar seus estudos, e quando conseguem não conseguem seguir suas carreiras, porque “como assim vai voltar a trabalhar e deixar o bebê na creche?”.

Ainda temos que avançar muito como sociedade. Agora que estamos entendendo que homens quando moram junto com os filhos tem a mesma responsabilidade que as mães, e olhe lá. Mas ainda temos um caminho longo a percorrer e a sociedade de fato só irá mudar, quando começarmos a entender que homens são responsáveis por suas atitudes, que filho não se faz sozinho e que enquanto homens estão fazendo “uma jornada para se redescobrir e amadurecer”, estão fazendo isso às custas de mulheres que estão sendo exploradas e assumindo as responsabilidades não somente delas, mas também deles.


Mulheres são cobradas para serem mães responsáveis e amadurecerem estando ou não com o pai da criança. Homens também tem que ser cobrados a serem pais responsáveis e amadurecerem estando ou não com a mãe da criança.

 

 

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27 out 2016

O que ninguém te conta sobre a “blogosfera materna”: Eventos e recebidos.

Post por Isabela Kanupp às 23:27 em Blog

No texto passado falei como funciona a questão do alcance dos blogs e como a publicidade funciona em relação a isso. A questão dos eventos e recebidos está ligado diretamente a isso, então se você não leu, aconselho a ler o texto passado antes.

 

Eventos e Recebidos

Se para as grandes empresas você é considerada uma influenciadora no seu nicho – no caso, na blogosfera materna -, é interessante para elas usarem seu blog, sua visibilidade, seu instagram e todas suas mídias sociais como uma grande vitrine para o produto e/ou serviço que eles oferecem.

E qual a forma mais barata de se conseguir isso?

Eventos e produtos enviados para a casa dos blogueiros.

Afinal, seria uma publicidade mais espontânea e muitas vezes, por ingenuidade ou falta de experiência, acreditamos que mesmo não sendo remunerados para isso, estamos sendo beneficiados de alguma maneira.

Não serei hipócrita de dizer que não é bacana receber produtos na sua casa ou ser convidada para um evento bacana. É sim. Da uma sensação muito gostosa de verdade. Porém, existe uma linha tênue entre ir em um evento, ou receber um produto, e divulgar ele gratuitamente ou sem critério algum.
Já recebi muita coisa em casa, muita coisa MESMO. Ao ponto de até os 3 anos da Beatriz não precisar comprar roupas para ela, afinal, as marcas nos enviavam. O que eu tinha que fazer? As vezes nada, afinal, não fica explícito a obrigatoriedade, mas com o tempo entendemos que é uma via de mão dupla, se não faço algo, não recebo mais. Então, por muitas vezes, fazemos. No meu caso eu publicava alguma foto ou até mesmo um texto a respeito. Não me orgulho disso, mas como disse, não poderia ser hipócrita de negar esse fato que é importantíssimo.
Recebemos muitas coisas sim, não são todas, não é sempre, mas acontece. A frequência com que eu recebo, atualmente, é bem menor do que em 2013 por exemplo. Essa queda aconteceu justamente pela minha mudança de posicionamento, afinal, nem tudo que recebemos é bacana, é algo que gostaríamos que outras pessoas – principalmente crianças – consumissem, e com o tempo notamos que isso nada mais é do que uma publicidade gratuita, em geral, para empresas que tem condições suficiente de nos remunerar, e muito bem.

Eventos e Recebidos

Com os eventos é a mesma coisa, já fui em muito evento, muito mesmo. E não nego a parte divertida que existe: você conhece pessoas que antes só conhecia pela internet, faz contatos comerciais importante, é “visto” pela marca que realizou o evento e a parte mais legal (para mim) era a chance de geralmente fazer um passeio que não faria se não fosse o caso. Óbvio que tem a parte legal, se não ninguém faria.
Mas tem o lado da empresa também, que basicamente investe pouco e tem um retorno enorme, que são blogueiros fazendo publicidade gratuita para seu produto ou serviço.

Já fui em eventos bem legais e até mesmo informativos sobre determinada questão, porém sempre tendo a consciência de que tinha um objetivo para me chamarem, a publicidade gratuita. Mesmo após a mudança do blog – e consequentemente de como faço publicidade -, eu fui em eventos. Fui apenas movida por um desejo egoísta e mesmo antes da mudança, nunca publiquei sobre os eventos que ia, mesmo tendo minha imagem usada em vários.

Os dois últimos eventos que eu fui foi de caso pensado, movida por esse egoísmo. Há uns anos recebi um e-mail com algumas questões sobre o que eu achava da Coca-Cola, pergunta básicas sobre se eu consumia, o que achava dos programas sociais da marca, se a minha filha tomava. Respondi com a sinceridade típica e peculiar da minha parte, e mesmo com as minhas respostas (que vocês podem imaginar quais são) fui convidada para um evento que iria ocorrer no Rio de Janeiro, eles pagariam a passagem e eu passaria o dia no evento. Fui e fui com um único intuito: conhecer pessoas, rir muito do evento e viajar pela primeira vez de avião, afinal poderia ser minha única oportunidade. Fui e não me arrependo, foi um dia divertido, onde conheci diversas pessoas, e pude ver quão apelativas essas marcas são. Também assisti a um show da Tiê, para sei lá, 100 pessoas.
O último evento que eu fui, eu já estava há anos sem ir em nenhum evento por opção, por não gostar do ambiente, e tudo mais, fui porque era uma marca que me agradava e era uma oportunidade de ver uma amiga. Foi em Outubro do ano passado e foi em São Paulo. Fui, o evento foi sem graça – em questão de conteúdo -, mas a Beatriz se divertiu demais e eu pude ver uma amiga. No fim, o saldo foi positivo.

Eventos e Recebidos

 

Sei que para muitos blogueiros ser convidado para um evento é algo MUITO bacana, principalmente quando estamos no começo da “vida de blogueiro”, a gente se sente reconhecido, lembrado, importante. A verdade é que as marcas usam exatamente desse sentimentos que temos, para nos usar. Porém depois de um tempo fica óbvio as intenções das marcas e muitos de nós, continuamos indo porém não compactuando com isso, outros mesmo sabendo que a marca está tentando vender remédio para crianças, compactuam com isso e com a desvalorização do nosso trabalho, que já é algo muito desvalorizado.

Como disse, é muito legal ser convidada para esses eventos e receber produtos em casa e entendo o deslumbramento de muitos blogueiros. Porém a grande maioria não tem como defender, faz ciente de todas essas questões e usam da sua influência para disseminar desinformação em troca de brinde no fim do evento.
Ainda hoje continuo recebendo produtos em casa, claro que não com a mesma frequência que antes, continuo publicando fotos também, porém, apenas daquilo que acho extremamente interessante e que possa ser de fato, útil para alguém. Recebemos muitas coisas boas sim, basta filtrar e ser responsável na hora de “mostrar a todos” o que recebemos.

É sempre bom, para quem lê, reparar se aquilo que é publicado é compatível com o que a blogueira escreve, se é coerente. Não vejo coerência em uma blogueira que produz conteúdo a favor da fralda de pano, com o apelo ecológico, fazer propaganda de fralda descartável – por exemplo. Ou quem fala sobre os benefícios da amamentação, postar foto do evento bacana promovido pela marca de leite artificial.

Também é importante desmistificar a ideia de que todo blogueiro é ingênuo, porque não são. A grande maioria sabe exatamente o que está fazendo, e muitos fazem – mesmo que gratuito agora – com a intenção de vir uma publicidade paga mais adiante.

No mais, sei que para vocês é bacana ver as novidade em “primeira mão” de produtos e serviços, porém, sejam criteriosos em relação ao que leem, porque muitas vezes esses conteúdos são inflados, afinal, a grande maioria dos blogueiros, não querem ser vistos como “mal agradecidos” pelas marcas e falarão muito bem mesmo do evento/produto recebido.

 

No próximo texto da série falarei sobre a exposição que ocorre na blogosfera materna.

 

 

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25 out 2016

Festa Infantil: Supergirl – Sem Sexismo. ;)

Post por Isabela Kanupp às 09:26 em Festa Infantil

Organizar uma festa infantil, mesmo que seja algo simples em casa, dá muito trabalho.
Todo ano é a mesma coisa, eu começo a organizar, quase fico louca, juro que jamais farei outra festa infantil novamente, fico absurdamente estressada no dia, a festa passa rapidinho e eu acabo morta achando que foi tudo maravilhoso!

Esse ano a Beatriz demorou uma vida para escolher qual tema gostaria para a festa, estava em dúvida entre dois temas e de última hora escolheu um terceiro: supergirl.
Quando ela escolheu, ela teve de me passar um tutorial rápido do que se tratava, é uma série que passa na Netflix sobre uma moça com superpoderes, que nada mais é que prima do Superman!
Depois de aprender sobre o tema – e sentir um pequeno conflito de gerações – fui buscar inspiração para a decoração, porém tive duas dificuldades: 1) é um tema pouco explorado, talvez por ainda ser “recente” não existam tantas festas com o tema; 2) as poucas decorações/inspirações que encontrei, trocaram as cores originais (vermelho, amarelo e azul) por tons “femininos” como… rosa!

Decidi manter as cores padrão (vermelho, amarelo e azul) e com a ajuda da Gabi do @atelieramoramora desenvolvemos a papelaria da decoração. Além de ter ficado linda e super criativa, fez toda a diferença!

supergirl

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Inicialmente a festa da Beatriz não seria em casa, pela primeira vez em 7 anos iríamos alugar um salão e reunir toda a família e amigos. Porém, no meio de todos os preparativos, meu pai foi hospitalizado e os planos mudaram. Tivemos de nos adaptar e para a Beatriz não ficar sem festa, comemoramos em casa com os chegados.

Comprei todos os itens descartáveis nas cores azul e vermelho, a toalha da mesa colocamos amarela. Azul foi a cor mais predominante de todo o aniversário e ficou maravilhoso.

supergirl

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O bolo, docinhos e cupcakes ficaram por conta da @sweet_heaven_doces, além de serem lindos, praticamente fazerem parte da decoração, ainda são absurdamente deliciosos! Para quem é de Campinas/SP e região compensa muito entrar em contato e pedir um orçamento, o atendimento é sensacional, a Malu é super atenciosa e criativa – isso ajuda muito quando estamos sem idéia –, sem contar na variedade de sabores, tanto para o bolo, os cupcakes e os docinhos.

 

supergirl

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Como disse, organizar uma festa em casa é muito cansativo, por mais que seja simples. Mas é recompensador ver o resultado e principalmente, foi recompensador ver a felicidade da Beatriz de ver que ficou do jeito que ela queria.
É muito complicado tentar quebrar os padrões sexistas, que são impostos até mesmo em momentos como esses, mas com o tempo conseguimos pegar o jeito e garimpar muita coisa, que faz toda a diferença na decoração.

 

 

Não seria possível realizar essa festa se não fosse pelo apoio (em um momento tão complicado como estamos passando) da família e dos amigos. E claro, sem os detalhes incríveis da Gabi e da Malu!

 

Espero que a festa em comemoração aos 7 anos da Beatriz, ajude a inspirar outras famílias que queiram fazer com o tema de supergirl (ou até mesmo, qualquer outro super herói) para suas meninas e meninos! <3

supergirl

 

 

 

 

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20 out 2016

O que ninguém te conta sobre a “blogosfera materna”: Publicidade nos blogs.

Post por Isabela Kanupp às 19:41 em Blog

Para muitas pessoas manter um blog é um trabalho, seja no sentido de “ter um trabalho do caramba” ou no sentido de … é um trabalho. Demandamos tempo, energia, horas para produzir um texto de qualidade, pesquisando, estudando sobre o assunto. Muitos de nós vão a eventos – falarei em outro texto sobre isso -, somos chamados para conhecer as “novidades do mercado” e tudo mais. É como se fosse manter uma revista, só que em geral, sozinho.
Um blog também dá gasto, muitas vezes é preciso ter um domínio (o .com ou .com.br e seus variáveis) e uma hospedagem é fundamental. E isso custa dinheiro e dependendo do porte do blog, não é barato.
Entendo quem leve o blog como um passatempo ou quem não precisa monetizar – ou seja, receber um valor pelo conteúdo mantido ali – o blog. Entendo mesmo! Porém, muitas de nós optamos por monetizar o blog e para tantos outros não é opção.

Publicidade

Muitas pessoas não entendem como se “vive de blog”. De forma breve irei explicar para vocês:

Criamos conteúdo e divulgamos. Esse conteúdo é acessado por vocês, com isso temos ali uma tabela de números como: visitas diárias, visitas mensais, visitas anuais. Quanto tempo vocês ficaram “dentro” do blog, que tipo de conteúdo consumiu e por ai vai. Esses números é o que importa de maneira bem geral. São os curtir, os compartilhamentos, quantos likes tem uma foto, que mostram quão influentes somos.

E empresas querem anunciar seus produtos em locais que tenha visibilidade, então é óbvio que produtos para bebês e crianças, para mães, para famílias, são interessantes de anunciar em um blog materno, já que é o público alvo. E quanto mais “números” esse blog tiver, ou seja, quanto mais pessoas esse blog atingir, melhor para o anunciante.

A publicidade é feita de diversas formas e é reinventada a cada momento. Seja aquela “dica de amiga” inocente no instagram, falando do novo restaurante da cidade que tem espaço kids, seja um texto no blog sobre determinada marca ou produto, seja “menção espontânea”, como por exemplo, em um texto falando sobre cuidados com roupas infantis na hora de lavar, citar aquela marca de sabão em pó.
A publicidade no meio da blogosfera materna tem se reinventado, justamente porque com as novas mídias é possível fazer uma publicidade mais “discreta”, usando ferramentas como o instagram. Aquela foto sobre uma “dica” de produto incrível ou os “recebidos” em casa, nem sempre é apenas uma foto “ingênua” do dia a dia, muitas vezes aquela foto foi paga.

De maneira geral eu não tenho grandes problemas com a publicidade vinculada nos blogs, particularmente fiz a opção de não anunciar grandes empresas aqui no blog, pois acredito que sim, o que anunciamos tem influência no conteúdo que produzimos. Sem contar que ideologicamente sou contra a grande maioria das marcas e se eu não consumiria algo na minha casa, não faz sentido indicar para que outras pessoas consumissem. Porém, compreendo quem não tenha essas exigências ideológicas.

Acredito que ter um blog é um trabalho e como todo trabalho é algo que tem que ser remunerado, essa remuneração tem que acontecer de alguma maneira e a que mais da certo aqui no Brasil é através da venda de espaços publicitários ou da “sua opinião”o que tenho fortes críticas sim, porque opinião não deveria ser algo passível de venda.

Publicidade

O meu grande problema com a publicidade nos blogs é como elas vem sendo feitas, de forma desonesta, irresponsável e se aproveitando da vulnerabilidade do público alvo.
Não é de hoje que dentro do capitalismo não mães somos vistas como alvo fácil, afinal, a própria sociedade nos incute diversas culpas que nem deveríamos ter, colocam um modelo de mãe a ser seguido e tudo que sai disso é considerado péssima mãe. Nos culpamos e nossa culpa é rentável para grandes empresas, apresentando grandes soluções para os nossos dilemas.

Basicamente, como o capitalismo funciona.

Quando houve um boom de blogs maternos, foi justamente porque queríamos fugir dos conteúdos duvidosos das grandes revistas segmentadas, já que elas eram patrocinadas e criavam seu conteúdo baseado em influenciar o leitor a consumir o que o anunciante desejava. Porém, atualmente a blogosfera se encontra no mesmo caminho.

É comum encontrar publicidade nos blogs maternos de medicamento, por exemplo, algo que vem crescendo muito no último ano. Algo que vejo como uma completa irresponsabilidade de quem se presta a um papel desses.

Entendo, obviamente, o valor do dinheiro na nossa sociedade. Porém, também sabemos que a grande parte das bloguerias mais influentes – e que topam esses anúncios – são de classe média e classe média alta, ou seja, não é uma questão de necessidade financeira (que seria questionável a atitude, porém compreensível), mas sim de irresponsabilidade.
Assim como vemos publicidade de fórmulas infantis de forma totalmente descontrolada, entendemos a necessidade real dessas fórmulas em muitos casos, porém um conteúdo publicitário sem a menor informação sobre amamentação e banco de leite, é apenas um desserviço.

 

É importante dizer que da para fazer diferente, da para depender de publicidade em blog sem ser irresponsável. É possível ter espaço publicitário dentro dos blogs e produzir informação de qualidade, mas claro que para isso, você terá de abrir mão de alguns anunciantes já que seria completamente incoerente.

Quando eu mudei a forma de publicidade do blog – antes de 2012 era sem critério algum -, muitas pessoas me alertaram que seria um tiro no pé. Quando comecei a deixar minhas posições ideológicas bem claras aqui no blog, também falaram isso. E de fato, eu “perdi” muitos anunciantes e tantos outros eu fiz questão de dispensar, afinal, não seria coerente com o que eu escrevia. Porém, entendi que da mesma forma que a publicidade se reinventa, existem maneiras de se reinventar e manter o blog como o ganha pão. Entendi que também era uma forma de manter minha credibilidade, afinal, meu conteúdo estaria alinhado com aquilo que eu acreditava e o que apareceria de publicidade no blog, também. Logo teria mais credibilidade.

Nas dificuldades – porque quando tomamos decisões assim, elas existem -, muitas pessoas sugerem que eu volte a anunciar grandes empresas no blog, afinal, vivemos em um sistema capitalista. Porém, a questão da coerência para mim é fundamental, e principalmente, conseguir dormir a noite de consciência tranquila.

 

Publicidade


E realmente, existem situações que são tentadoras. Como por exemplo estar passando por uma dificuldade financeira enorme e receber um e-mail de uma empresa, propondo uma publicidade no blog, por um valor considerável. Porém, a empresa no caso é um cassino (sim gente, juro!) e a publicidade tem que ser velada, ou seja, não pode marcar que é publicidade, tem que parecer espontâneo. É importante dizer que isso é crime. Porém, é comum na blogosfera materna a publicidade ser feita de forma velada – como as dicas, rs -, e não é eficaz a punição por isso.

Então vale a reflexão, que credibilidade alguém que se presta a isso tem?
Como você, leitora – muitas vezes uma mãe procurando uma solução -, saberá o que é de fato uma dica de “coração” ou uma dica que foi paga para estar ali? Como confiar?

Gostaria de falar também sobre o outro lado da história, de como nosso trabalho é desvalorizado e de como somos tratados como imbecis por muitas marcas, porém, não está tendo como defender a categoria diante tanto absurdo, desonestidade e irresponsabilidade. Queremos sim ser valorizados, mas como estamos tratando quem nos lê? Se temos a consciência de que as grandes empresas estão nos pagando tão pouco, porque ainda nos sujeitamos a isso? Porque acreditamos que não fazemos parte desse ciclo?

Claro que nem todo blogueira é assim, claro que nem toda “dica” é paga, claro que nem toda foto no instagram de um produto recebido é pago para estar ali, porém, como leitores e consumidores desse conteúdo, temos que estar atentos e críticos. E como blogueiros, temos que parar de nos sujeitar a trabalhar de graça, a fazer propaganda sem critério algum.

 

 

 

 

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